
Previsões indicam que o fenômeno pode atrasar as chuvas entre outubro e dezembro, quando rios e vegetação já estarão mais vulneráveis.
A Amazônia pode enfrentar, entre outubro e dezembro de 2026, o período mais crítico de um El Niño excepcionalmente forte. A previsão é de atraso no início da estação chuvosa, temperaturas mais altas, rios em níveis baixos e aumento do risco de incêndios, justamente quando a floresta estará mais vulnerável.
O alerta foi apresentado em uma análise publicada pelo The Guardian, com base em previsões meteorológicas e declarações de especialistas em clima e floresta. A preocupação é que o fenômeno natural ocorra sobre uma região ainda debilitada pelo aquecimento global, pelo desmatamento e pelos efeitos da seca de 2023 e 2024.
🌿 Receba nossas notícias no Google
⭐ Adicionar Revista AmazôniaLeia também
Seca prolongada reduz flores na Holanda, leva apicultores a dar açúcar às abelhas e ameaça o mel
El Niño de 2026 ameaça milhões na Amazônia, encarece alimentos e pode acelerar a morte da floresta
Super El Niño pode ser o mais forte já registrado e alterar chuvas, calor e tempestades até 2027O pico deve coincidir com o fim da estação seca
O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Seus efeitos se espalham pelo planeta e podem alterar o regime de chuvas, elevar temperaturas e favorecer eventos extremos em diferentes continentes.
Na Amazônia, o momento previsto para o pico aumenta o risco. Entre outubro e dezembro, rios como Negro, Madeira, Xingu, Tapajós, Purus, Juruá e Japurá costumam estar próximos dos menores níveis do ano. A vegetação rasteira também fica mais seca, criando condições para que o fogo avance com rapidez.
Segundo a análise do The Guardian, a agência meteorológica brasileira prevê que o El Niño atrase o início das chuvas amazônicas, reduza os níveis dos rios e intensifique as condições favoráveis aos incêndios no fim de 2026.
Floresta ainda não se recuperou da última seca
A situação preocupa porque a Amazônia ainda estaria se recuperando dos impactos do El Niño de 2023 e 2024. Naquele período, grandes rios atingiram níveis recordes de baixa, incêndios se espalharam por diferentes áreas e houve mortes em massa de botos e peixes.
O aquecimento provocado pela ação humana agrava o quadro. A queima de combustíveis fósseis e a derrubada de árvores deixam o solo e a vegetação mais quentes e secos. A floresta fragmentada também perde parte da capacidade de manter a umidade e de resistir ao fogo.
Entenda o caso
O El Niño é um fenômeno climático natural, mas seus impactos atuais ocorrem em um planeta mais quente. A combinação entre aquecimento global, desmatamento e estiagens sucessivas pode transformar uma seca severa em uma crise ambiental, social e econômica.
Estimativas citadas na análise apontam que cerca de um terço da Amazônia já está degradado por atividades como agricultura, mineração e alterações climáticas. Nessas áreas, árvores e vegetação do sub-bosque ficam mais inflamáveis, elevando a possibilidade de megaincêndios.
Risco de incêndios cresce em áreas protegidas
O fogo já começou a aparecer em partes da região, mas o pico da temporada costuma ocorrer nos meses seguintes. Comunidades indígenas estão organizando brigadas próprias para combater focos em áreas remotas, onde o acesso por estrada é limitado e os rios são as principais vias de transporte.
“É uma loucura. A floresta úmida não deveria estar queimando”, afirmou Erika Berenguer, especialista em florestas da Universidade de Oxford, segundo o The Guardian.
Para a pesquisadora, a sucessão de eventos extremos funciona como uma doença sobre um organismo já fragilizado. “É semelhante a quando você já está doente e contrai uma infecção. Essa infecção terá impactos muito maiores porque o sistema imunológico já está comprometido”, disse.
Jos Barlow, especialista em Amazônia do Lancaster Environment Centre, também classificou como profundamente preocupante a possibilidade de um fenômeno ainda mais intenso. “É difícil imaginar o resultado de secas e calor ainda mais severos”, afirmou.
Seca ameaça alimentos, transporte e criação de gado
Os efeitos não devem ficar restritos à floresta. Em comunidades do Xingu e do Tapajós, a seca anterior deixou moradores isolados, com dificuldade para obter água e alimentos. Hortas secaram e o transporte por barco foi interrompido em trechos onde os rios ficaram rasos demais.
No Pará, produtores rurais já compartilham alertas sobre o impacto do El Niño na pecuária. O calor pode provocar estresse nos animais, reduzir a qualidade das pastagens e aumentar a escassez de água. Com isso, sobem os custos de suplementação e podem cair o ganho de peso e a produção de leite.
O fenômeno também costuma afetar a produção de soja em anos de maior intensidade, segundo dados históricos mencionados na análise. No sul do Brasil, a previsão é diferente, com possibilidade de chuvas acima da média. Essa distribuição desigual amplia os desafios para agricultores e para o abastecimento.
Rios voadores e equilíbrio climático
A Amazônia exerce influência direta sobre as chuvas de grande parte da América do Sul. Bilhões de árvores retiram água do solo e liberam umidade para a atmosfera, formando os chamados rios voadores, correntes de vapor que ajudam a irrigar áreas agrícolas distantes da floresta.
Quando a floresta perde água e cobertura vegetal, essa função pode enfraquecer. A consequência é maior instabilidade climática, com riscos para a biodiversidade, a produção de alimentos, a geração de energia e o abastecimento de cidades nos estados amazônicos.
O governo brasileiro ampliou o monitoramento por satélite, as operações de fiscalização e a estrutura de combate ao fogo. Essas medidas ajudaram a reduzir, em 2025, a área queimada na Amazônia ao menor nível desde o início dos registros, em 1985. Ainda assim, um único ano de melhora não garante a recuperação do ecossistema.
Impactos podem avançar até 2027
O climatologista Carlos Nobre, da Universidade de São Paulo, afirmou que a região precisa estar preparada do segundo semestre de 2026 até o início de 2027, pelo menos até março. Existe uma defasagem de aproximadamente três meses entre o pico do aquecimento no Pacífico e a elevação das temperaturas em outras partes do planeta.
Isso significa que os efeitos mais severos podem continuar depois do período de maior aquecimento oceânico. Para povos indígenas, ribeirinhos, agricultores e cidades dependentes do transporte fluvial, a preparação envolve estoques de alimentos, brigadas de incêndio, monitoramento de rios e planos de emergência.
A combinação entre seca prolongada, incêndios e degradação pode aproximar áreas da floresta de um ponto de transformação irreversível. Os próximos boletins meteorológicos e os níveis dos rios vão indicar se o cenário previsto se confirma, mas a mobilização para a temporada crítica já deve começar.
Perguntas frequentes
Quando o El Niño deve atingir o pico?
As previsões citadas apontam para o período entre outubro e dezembro de 2026, no fim da estação seca na Amazônia.
Por que o fenômeno aumenta o risco de incêndios?
O El Niño pode atrasar as chuvas, elevar as temperaturas e reduzir a umidade da vegetação. Em áreas desmatadas ou degradadas, essas condições favorecem a propagação do fogo.
Até quando os impactos podem durar?
Os efeitos podem avançar até o início de 2027, possivelmente até março, devido ao intervalo entre o aquecimento do Pacífico e as alterações de temperatura e chuva na Amazônia.
Com informações de The Guardian.
Nunca perca uma notícia da AmazôniaControle o que você vê no Google
O Google lançou as Fontes Preferenciais: escolha os veículos que aparecem com prioridade. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de "Principais Notícias"
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!














