Holanda promete US$ 500 milhões em dez anos ao fundo de florestas lançado pelo Brasil e leva o caixa a US$ 7,8 bilhões

Holanda promete US$ 500 milhões em dez anos ao fundo de florestas lançado pelo Brasil e leva o caixa a US$ 7,8 bilhões
Foto: Divulgação

Anúncio ao TFFF chega um dia após a reeleição de Lula e aproxima o fundo da meta de US$ 10 bilhões exigida até o fim do ano.

Se o dinheiro sair do papel, cada hectare de floresta em pé na Amazônia e em outras regiões tropicais passará a render US$ 4 por ano ao país que o preserva. O governo da Holanda deu nesta segunda-feira (26) um passo nessa direção: informou ao Parlamento que pretende aplicar US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) no TFFF, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Brasil no ano passado.

O desembolso seria feito ao longo de dez anos e depende da viabilidade financeira do fundo. Com o aporte holandês, o caixa do projeto chega a US$ 7,8 bilhões.

Falta pouco, mas o prazo é curto

Para sair do papel, o TFFF precisa alcançar suporte de US$ 10 bilhões até o fim deste ano. Faltam, portanto, US$ 2,2 bilhões.

Já apoiam a iniciativa Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França, Luxemburgo e Reino Unido, além de alguns investidores privados. O Reino Unido aderiu em setembro.

O anúncio oficial do investimento está programado para a COP31, que começa em Antália, na Turquia, em duas semanas.

O recado político por trás da data

A notícia veio um dia depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições. O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, estava entre os líderes europeus que parabenizaram o presidente. Em mensagem no X, escreveu que espera seguir a colaboração em segurança, comércio e clima.

Não está claro, porém, se o momento escolhido para o anúncio tem relação com o cenário político brasileiro. Jetten já foi ministro de Clima e Energia do seu país.

Um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) era visto pelos europeus como forte ameaça ambiental, por causa do histórico do governo de Jair Bolsonaro. O programa de governo de Flávio ignorava o TFFF.

Especialistas consideravam as eleições um passo vital para o fundo, que não teria maturidade para sobreviver a um governo que não o apoiasse.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, a ministra Marina Silva alertou para o que chamou de “projeto perverso de destruir a Amazônia”. O The New York Times escreveu que “o futuro da Floresta Amazônica pode depender de quem vencer as eleições”.

Como o fundo pretende funcionar

Segundo o governo brasileiro, o TFFF foi idealizado para reunir US$ 25 bilhões (R$ 127 bilhões) em recursos públicos e US$ 100 bilhões (R$ 511 bilhões) de fontes variadas, inclusive privadas. O total seria de US$ 125 bilhões (R$ 638 bilhões).

A meta inicial foi rebaixada pelo Ministério da Fazenda para US$ 10 bilhões ainda no ano passado, quando o projeto recebeu mais elogios do que suporte financeiro real.

O dinheiro seria aplicado em uma carteira diversificada de renda fixa, com rendimento de 7% a 8% ao ano. Cerca de 4% ficariam com os financiadores. Outros 4% seriam repassados aos países que preservarem suas florestas.

O fundo pagaria US$ 4 (R$ 20,50) por hectare conservado e reduziria o valor em caso de desmatamento ou degradação por fogo. Há ainda salvaguardas sociais para proteger comunidades e povos originários, ponto de especial interesse dos europeus.

O papel dos investidores privados

Nos últimos meses, uma iniciativa de instituições financeiras tem angariado apoio privado ao fundo. É a chamada Declaração de Roterdã.

O documento reuniu 13 investidores institucionais na Semana do Clima de Londres, em junho. Na semana passada, na COP17 de Biodiversidade, chegou a 29 assinaturas. Allianz, Amundi, Deutsche Bank, Pictet Group, Pimco e Schroders estão entre os signatários.

Ainda não é dinheiro em caixa, mas um sinal de interesse do mercado caso o fundo seja de fato lançado. Os organizadores esperam que a declaração induza mais governos a se aproximar do TFFF, como ocorreu agora com a Holanda.

O que isso significa para a Amazônia

A maior floresta tropical do mundo está no centro da proposta. Estados como Acre, Amazonas e Tocantins aparecem entre os que concentram atenção do debate sobre desmatamento e fogo, os dois fatores que reduziriam o pagamento do fundo.

Na prática, o mecanismo busca dar valor financeiro à floresta preservada, e não apenas à que é derrubada. A cobrança por desempenho, com redução do repasse em caso de desmatamento, tende a pressionar a fiscalização.

“O investimento da Holanda no TFFF é um forte voto de confiança em uma das ideias mais ambiciosas e inovadoras que temos para proteger as florestas do mundo”, declarou Kirsten Schuijt, diretora-geral da organização ambientalista WWF.

Segundo a Folha de S.Paulo, o governo holandês apresentou ao Parlamento, em 26 de outubro de 2026, a intenção de aportar US$ 500 milhões no TFFF.

O próximo teste será a COP31, em Antália, daqui a duas semanas, quando a Holanda deve oficializar o anúncio. Até o fim do ano, o fundo precisa fechar os US$ 2,2 bilhões que ainda faltam para atingir os US$ 10 bilhões.

Com informações de Folha de S.Paulo.

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