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NASA aponta áreas sob risco de calor extremo nas próximas décadas, mas mapa viral não prevê cidades inabitáveis

NASA aponta áreas sob risco de calor extremo nas próximas décadas, mas mapa viral não prevê cidades inabitáveis
Ilustração: IA

Publicação nas redes sociais simplifica estudos sobre calor úmido e apresenta como certeza um cenário que depende das emissões.

Uma publicação compartilhada nas redes sociais afirma que a NASA identificou regiões do planeta que poderiam se tornar inabitáveis nas próximas décadas. A informação parte de estudos sobre a combinação entre temperatura elevada e umidade, mas o conteúdo viral simplifica as conclusões científicas ao transformar projeções condicionadas ao aquecimento global em uma previsão definitiva sobre cidades e países.

O risco analisado pelos pesquisadores não depende apenas da temperatura indicada nos termômetros. Em ambientes muito úmidos, o suor evapora com mais dificuldade e o corpo perde parte de sua capacidade natural de resfriamento. Por isso, uma região pode apresentar uma temperatura do ar inferior a 40 graus Celsius e, ainda assim, oferecer perigo extremo à saúde quando a umidade relativa é alta.

O calor úmido é o principal indicador de risco

Para avaliar esse tipo de ameaça, cientistas usam a temperatura de bulbo úmido. O índice combina calor e umidade para estimar a capacidade de o corpo humano dissipar calor por meio da transpiração. Quanto maior o valor, mais difícil se torna manter a temperatura interna em níveis seguros, especialmente para idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias.

O limite de 35 graus Celsius de bulbo úmido é frequentemente citado em estudos climáticos porque representa uma condição próxima do limite teórico de sobrevivência humana sem acesso a abrigo, água e resfriamento. Isso não significa que uma cidade se torne automaticamente inabitável ao atingir determinado número. A exposição, o tempo de permanência, a circulação de ar, a disponibilidade de água e o acesso à energia também influenciam o risco.

Segundo a NASA, o aquecimento do planeta aumenta a frequência e a intensidade de eventos de calor extremo em diferentes regiões, com efeitos sobre a saúde, a agricultura, os recursos hídricos e a infraestrutura urbana.

Quais áreas aparecem com mais frequência nos estudos

As projeções científicas costumam apontar maior vulnerabilidade para partes do sul da Ásia, do Oriente Médio, do litoral do mar Vermelho e de áreas tropicais. O sul e o sudeste da Ásia concentram grandes populações, temperaturas elevadas e períodos de monções, combinação que pode favorecer episódios perigosos de calor úmido.

Também há preocupação com zonas próximas ao golfo Pérsico, ao mar Vermelho e a áreas do leste da China. Em algumas dessas regiões, medições recentes já registraram episódios de calor e umidade próximos ou acima de limites considerados perigosos para a saúde humana. As projeções, porém, variam conforme o modelo climático utilizado, o período analisado e a trajetória futura das emissões de gases de efeito estufa.

Esse ponto é importante porque não existe um mapa único e definitivo de locais que deixarão de ser habitáveis. Os resultados mudam quando se considera adaptação urbana, sistemas de alerta, ar-condicionado, disponibilidade de eletricidade, acesso à água e políticas para reduzir a exposição da população.

O que a publicação viral exagera

A postagem apresenta o alerta como se a NASA tivesse divulgado uma relação fechada de regiões condenadas a se tornar inabitáveis em uma data determinada. Essa interpretação não corresponde à forma como as pesquisas climáticas são elaboradas. Organizações científicas trabalham com cenários, faixas de probabilidade e diferentes níveis de aquecimento, e não com uma previsão única e inevitável.

O termo “inabitável” também exige cuidado. Ele pode ser usado em estudos para descrever condições de calor que ultrapassam a capacidade fisiológica humana durante determinado intervalo, sem significar que toda a população deixará imediatamente a área. Uma região pode continuar ocupada, mas enfrentar aumento de mortes, interrupções no trabalho, perdas agrícolas, pressão sobre hospitais e migração de grupos mais vulneráveis.

Os impactos não aparecem apenas em áreas rurais ou desérticas. Cidades densas podem registrar temperaturas ainda maiores por causa do concreto, do asfalto e da falta de arborização. Esse fenômeno, conhecido como ilha de calor urbana, torna bairros periféricos e regiões com pouca infraestrutura especialmente expostos.

A conexão com a Amazônia e o Brasil

O Brasil não está entre os exemplos mais recorrentes de risco extremo de bulbo úmido no mesmo nível de algumas áreas do sul da Ásia e do golfo Pérsico. Isso não significa ausência de perigo. A Amazônia, que reúne Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, já enfrenta ondas de calor, secas severas e alterações no regime de chuvas.

O calor intenso afeta a saúde de comunidades urbanas e rurais, aumenta a demanda por energia e amplia a dificuldade de trabalho ao ar livre. Em áreas onde a fumaça de queimadas se soma às altas temperaturas, o risco respiratório pode crescer. A perda de cobertura vegetal também reduz a proteção contra o sol e interfere na umidade local.

Nas cidades amazônicas, medidas como arborização, proteção de nascentes, melhoria da ventilação urbana, acesso à água potável e fortalecimento da atenção básica podem reduzir parte dos danos. Essas ações não eliminam o aquecimento global, mas diminuem a exposição da população aos eventos extremos.

O que pode acontecer nas próximas décadas

O cenário futuro dependerá da quantidade de gases de efeito estufa lançada na atmosfera e da velocidade de adaptação dos países. Reduções nas emissões podem limitar a frequência de episódios extremos, enquanto um aquecimento maior tende a ampliar as áreas expostas e encurtar o intervalo entre ondas de calor.

Para a população, a recomendação é acompanhar alertas oficiais, evitar esforço físico nos horários mais quentes, beber água regularmente e buscar ambientes ventilados ou refrigerados durante episódios extremos. Trabalhadores expostos ao sol precisam de pausas, sombra e proteção adequada.

O debate sobre as regiões mais vulneráveis deve continuar à medida que novos dados de temperatura, umidade e saúde pública forem analisados. A NASA e outras instituições científicas devem atualizar projeções conforme evoluírem os cenários climáticos e as políticas de redução de emissões.

Respostas rápidas sobre o alerta climático

A NASA divulgou uma lista definitiva de cidades inabitáveis?

Não. Os estudos associados ao alerta trabalham com projeções de calor extremo e diferentes cenários de aquecimento. Eles não estabelecem uma data única para o abandono de cidades nem determinam que uma região inteira ficará permanentemente sem moradores.

Por que a umidade aumenta o perigo?

Porque o ar úmido dificulta a evaporação do suor, principal mecanismo de resfriamento do corpo. Em condições extremas, a temperatura interna pode subir mesmo quando a pessoa está na sombra.

O Brasil pode sofrer esse tipo de impacto?

Sim. Embora as áreas de maior risco absoluto variem entre os estudos, o país já registra ondas de calor, secas e impactos associados à mudança do clima. A Amazônia está entre as regiões que precisam de políticas de adaptação e proteção ambiental.

Com informações de NASA.

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