Agropalma cria sistema com dados do INPE e da NASA, vigia focos de calor até 5 km das fazendas e alerta 509 produtores

Agropalma cria sistema com dados do INPE e da NASA, vigia focos de calor até 5 km das fazendas e alerta 509 produtores
Foto: acervo

Plataforma da Agropalma, criada com apoio de inteligência artificial, cruza satélites e sensores para orientar brigadas antes que o fogo chegue às lavouras no nordeste paraense.

Todos os dias, brigadistas e gestores de uma das maiores produtoras de óleo de palma do país recebem um boletim com mapa, coordenadas exatas de cada foco de calor detectado e a distância até as fazendas. O documento sai de um Sistema de Informação Geográfica (SIG/GIS) criado pela própria Agropalma, empresa paraense do grupo Daabon, para acompanhar condições climáticas e antecipar a chegada do fogo às áreas produtivas e às propriedades de agricultores parceiros no Pará.

A divulgação ocorre em outubro de 2026, em meio à preocupação do setor com a intensificação do El Niño e seus riscos associados, como secas e incêndios florestais.

Um prejuízo de R$ 6 bilhões que explica a pressa

Segundo o Projeto Amazônia 2030, os prejuízos agropecuários na Amazônia Legal somaram cerca de R$ 6 bilhões entre 2021 e 2024, impulsionados pela vulnerabilidade a secas e incêndios florestais. Na região Norte, a produção costuma estar muito próxima da floresta, o que amplia a exposição ao fogo.

É nesse cenário que empresas do agro amazônico buscam proteger suas lavouras com ferramentas próprias de monitoramento.

Como a plataforma funciona

A solução foi desenvolvida com auxílio de inteligência artificial pelas equipes de Fitotecnia, Agricultura de Precisão e Geoprocessamento da companhia. Ela utiliza o sistema ArcGIS e combina dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com informações de satélites e sensores da NASA. O cruzamento alimenta painéis interativos configurados para quem acompanha as lavouras e para quem combate o fogo.

A palma é uma cultura perene, e seu desenvolvimento e sua produtividade sofrem influência do clima ao longo de todo o ciclo. Com dados meteorológicos e registros locais, a ferramenta permite antecipar decisões de manejo e orientar medidas preventivas diante de eventos adversos.

Vigilância além da cerca

A plataforma rastreia focos de calor de forma georreferenciada e distingue os que ocorrem dentro das propriedades dos registrados em áreas vizinhas. A cobertura alcança até cinco quilômetros além dos limites das fazendas, o que permite identificar ameaças antes que se aproximem das áreas produtivas.

Hoje são 16 pontos de monitoramento: oito dentro da propriedade da empresa e outros oito em municípios paraenses, a saber, Acará, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Mocajuba, Moju, Tailândia e Tomé-Açu.

A abrangência inclui os agricultores do Programa de Agricultura Familiar da Agropalma: 445 agricultores familiares e 64 produtores integrados passam a contar com alertas sobre focos que se aproximem de suas terras.

“O pequeno produtor muitas vezes não tem acesso a tecnologias avançadas de previsibilidade climática ou monitoramento em tempo real”, afirma Anderlon Andrade, coordenador Técnico em Agricultura de Precisão da Agropalma. “Ao incluirmos essas propriedades no nosso sistema, conseguimos alertá-los rapidamente sobre qualquer foco de calor que se aproxime de suas terras, ajudando a proteger o seu sustento e a vida dessas famílias”.

Do satélite ao caminhão-pipa

O sistema consolida as detecções diariamente e emite o Boletim de Monitoramento de Queimadas, com mapa operacional, coordenadas dos focos e distância em relação às fazendas. O documento funciona como apoio à decisão para gestores e brigadistas.

Para orientar o envio de brigadistas e caminhões-pipa, o risco é classificado por cores:

  • verde: risco baixo, com acompanhamento preventivo;
  • amarelo: risco moderado;
  • laranja: risco alto;
  • vermelho: risco crítico, com avaliação imediata e acionamento das equipes de combate.

A decisão de criar uma ferramenta própria veio de uma limitação prática. “Quando utilizávamos plataformas padronizadas, lidávamos com falsos alertas, o que dificultava saber a exata distância de um foco de incêndio”, diz Andrade. “Ao criarmos nossa própria solução, ganhamos autonomia. A tecnologia proporciona avaliar melhor a localização dos focos e sua proximidade das áreas monitoradas, evitando deslocamentos desnecessários de maquinário e contribuindo para a segurança das equipes”.

O fogo do vizinho também conta

O coordenador destaca o caráter preditivo do sistema. “Por vezes, dentro de nossa propriedade ou na de algum parceiro não temos nenhum foco de incêndio, mas em terras vizinhas, sim. O programa nos mantém em alerta sobre isso, pois dada a dinâmica dos ventos e a secura local, as cinzas ou a fuligem que se espalham podem provocar uma queimada em nossas terras.”

Ligação com a certificação ambiental

Os registros gerados permitem que as equipes de Meio Ambiente e Sustentabilidade acompanhem possíveis ocorrências e subsidiem medidas preventivas. A ferramenta está alinhada ao critério 7.6.6 dos Princípios e Critérios da Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), que prevê procedimentos para mitigar o risco de incêndios nas áreas certificadas, com participação das partes interessadas.

A Agropalma começou a atuar em 1982, em Tailândia (PA). Hoje tem seis indústrias de extração de óleo bruto, uma refinaria em Belém, um terminal de exportação alfandegado e cerca de 5 mil colaboradores.

Próximo passo: smartphone na mão do brigadista

O painel interativo é a primeira fase de uma digitalização mais ampla das operações. Com a expansão da infraestrutura de telecomunicações, a empresa quer dar autonomia móvel às equipes de linha de frente, reduzindo a dependência exclusiva do rádio.

“O principal impacto de conceber uma ferramenta proprietária é podermos adaptá-la quase 100% à nossa realidade”, explica Andrade. “Nossa visão de futuro é que cada brigadista e cada caminhão-pipa tenham autonomia com um smartphone na mão. O objetivo é que o aplicativo trace automaticamente a rota mais curta até o foco de incêndio e indique os pontos de captação de água mais próximos. Com a nova rede de comunicação, haverá maior autonomia e uma capacidade de resposta ainda mais imediata”.

Com informações de Agropalma.

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