
Pela primeira vez em mais de 40 anos de monitoramento, pesquisadores registraram duas baleias-francas fêmeas com semi-albinismo na mesma temporada reprodutiva no Brasil. Uma delas estava acompanhada de um filhote com a mesma característica. Os registros foram feitos pela equipe do Projeto Franca Austral (ProFranca), do Instituto Australis, em Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, em outubro de 2026, durante o monitoramento das baleias com drones.
Os animais foram avistados na enseada da Ribanceira e na região de Ibiraquera, na área central da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca.
O que é semi-albinismo
O semi-albinismo é uma condição genética que altera a pigmentação. Em vez do corpo quase todo escuro típico da baleia-franca, esses animais nascem com grandes áreas claras, quase brancas. Segundo pesquisadores do ProFranca, os filhotes com essa coloração tendem a escurecer com o crescimento e ficar acinzentados.
Uma questão de cromossomo
O registro da mãe e do filhote juntos tem interesse científico porque ajuda a entender como essa característica passa de geração em geração. Segundo Eduardo Renault, diretor de projetos do ProFranca e do Instituto Australis, o gene associado ao albinismo parcial está no cromossomo X.
“Fêmeas possuem dois X, enquanto machos possuem XY, ou seja, fêmeas precisam de dois genes para terem a condição semi-albina enquanto machos precisam de apenas um gene para que a condição apareça”, explicou Renault. “Para que uma fêmea seja semi-albina, obrigatoriamente ela tem que receber o cromossomo X que contém essa informação também do seu pai.”
Ou seja: o pai de uma fêmea semi-albina obrigatoriamente também tem essa condição. Por isso, fêmeas semi-albinas são ainda mais raras que machos com a mesma coloração.
Monitoramento com drones
A segunda fêmea e o filhote foram identificados durante o monitoramento aéreo remoto com drones, uma das frentes de pesquisa do instituto. Os drones permitem observar os animais de cima, sem aproximar barcos, e registrar detalhes como marcas no corpo, comportamento e condição física.
Para o Instituto Australis, cada novo registro ajuda a compreender a espécie e reforça a importância do monitoramento científico de longo prazo para acompanhar as populações e orientar ações de conservação.
De caçada a berçário
A baleia-franca-austral (Eubalaena australis) foi caçada intensamente no litoral brasileiro durante séculos, e Santa Catarina teve armações baleeiras desde o período colonial. Com o fim da caça e a criação da APA da Baleia Franca, em 2000, o litoral catarinense se consolidou como uma das principais áreas de reprodução da espécie no Atlântico Sul. Entre julho e novembro, as fêmeas se aproximam das enseadas para dar à luz e amamentar os filhotes.
Imbituba concentra boa parte desses registros e costuma reunir grande parte das baleias contadas nos sobrevoos de monitoramento do litoral catarinense.
Como observar sem atrapalhar
- observe da praia ou dos costões, onde as baleias costumam chegar bem perto;
- embarcações e pranchas devem manter distância dos animais, conforme as regras da APA;
- não use drones perto das baleias sem autorização;
- se encontrar uma baleia encalhada ou ferida, avise as equipes de resgate e não tente empurrá-la para o mar.
Perguntas frequentes
Onde as baleias semi-albinas foram vistas?
Em Imbituba (SC), na enseada da Ribanceira e na região de Ibiraquera, dentro da APA da Baleia Franca.
Por que o registro é raro?
Porque é a primeira vez, em mais de 40 anos de monitoramento, que duas fêmeas semi-albinas aparecem na mesma temporada, uma delas com filhote igual.
O filhote vai continuar branco?
Segundo pesquisadores, filhotes com essa coloração costumam escurecer com o tempo e ficar acinzentados.
Quando é a temporada das baleias-francas em SC?
De julho a novembro, com maior presença entre agosto e outubro.
Com informações do Instituto Australis e do Projeto Franca Austral (ProFranca).
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