Pela primeira vez em mais de 40 anos, drone registra duas baleias-francas semi-albinas na mesma temporada no Brasil, e uma delas com filhote igual

Pela primeira vez em mais de 40 anos, drone registra duas baleias-francas semi-albinas na mesma temporada no Brasil, e uma delas com filhote igual
Foto: Geraldo D'Alascio/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Baleia-franca no litoral de Santa Catarina.

Pela primeira vez em mais de 40 anos de monitoramento, pesquisadores registraram duas baleias-francas fêmeas com semi-albinismo na mesma temporada reprodutiva no Brasil. Uma delas estava acompanhada de um filhote com a mesma característica. Os registros foram feitos pela equipe do Projeto Franca Austral (ProFranca), do Instituto Australis, em Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, em outubro de 2026, durante o monitoramento das baleias com drones.

Os animais foram avistados na enseada da Ribanceira e na região de Ibiraquera, na área central da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca.

O que é semi-albinismo

O semi-albinismo é uma condição genética que altera a pigmentação. Em vez do corpo quase todo escuro típico da baleia-franca, esses animais nascem com grandes áreas claras, quase brancas. Segundo pesquisadores do ProFranca, os filhotes com essa coloração tendem a escurecer com o crescimento e ficar acinzentados.

Uma questão de cromossomo

O registro da mãe e do filhote juntos tem interesse científico porque ajuda a entender como essa característica passa de geração em geração. Segundo Eduardo Renault, diretor de projetos do ProFranca e do Instituto Australis, o gene associado ao albinismo parcial está no cromossomo X.

“Fêmeas possuem dois X, enquanto machos possuem XY, ou seja, fêmeas precisam de dois genes para terem a condição semi-albina enquanto machos precisam de apenas um gene para que a condição apareça”, explicou Renault. “Para que uma fêmea seja semi-albina, obrigatoriamente ela tem que receber o cromossomo X que contém essa informação também do seu pai.”

Ou seja: o pai de uma fêmea semi-albina obrigatoriamente também tem essa condição. Por isso, fêmeas semi-albinas são ainda mais raras que machos com a mesma coloração.

Monitoramento com drones

A segunda fêmea e o filhote foram identificados durante o monitoramento aéreo remoto com drones, uma das frentes de pesquisa do instituto. Os drones permitem observar os animais de cima, sem aproximar barcos, e registrar detalhes como marcas no corpo, comportamento e condição física.

Para o Instituto Australis, cada novo registro ajuda a compreender a espécie e reforça a importância do monitoramento científico de longo prazo para acompanhar as populações e orientar ações de conservação.

De caçada a berçário

A baleia-franca-austral (Eubalaena australis) foi caçada intensamente no litoral brasileiro durante séculos, e Santa Catarina teve armações baleeiras desde o período colonial. Com o fim da caça e a criação da APA da Baleia Franca, em 2000, o litoral catarinense se consolidou como uma das principais áreas de reprodução da espécie no Atlântico Sul. Entre julho e novembro, as fêmeas se aproximam das enseadas para dar à luz e amamentar os filhotes.

Imbituba concentra boa parte desses registros e costuma reunir grande parte das baleias contadas nos sobrevoos de monitoramento do litoral catarinense.

Como observar sem atrapalhar

  • observe da praia ou dos costões, onde as baleias costumam chegar bem perto;
  • embarcações e pranchas devem manter distância dos animais, conforme as regras da APA;
  • não use drones perto das baleias sem autorização;
  • se encontrar uma baleia encalhada ou ferida, avise as equipes de resgate e não tente empurrá-la para o mar.

Perguntas frequentes

Onde as baleias semi-albinas foram vistas?

Em Imbituba (SC), na enseada da Ribanceira e na região de Ibiraquera, dentro da APA da Baleia Franca.

Por que o registro é raro?

Porque é a primeira vez, em mais de 40 anos de monitoramento, que duas fêmeas semi-albinas aparecem na mesma temporada, uma delas com filhote igual.

O filhote vai continuar branco?

Segundo pesquisadores, filhotes com essa coloração costumam escurecer com o tempo e ficar acinzentados.

Quando é a temporada das baleias-francas em SC?

De julho a novembro, com maior presença entre agosto e outubro.

Com informações do Instituto Australis e do Projeto Franca Austral (ProFranca).

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