O gelo do Ártico encolheu de novo em 2026: o mínimo do verão empatou entre os dez menores já medidos e o máximo do inverno foi o mais baixo da história

O gelo do Ártico encolheu de novo em 2026: o mínimo do verão empatou entre os dez menores já medidos e o máximo do inverno foi o mais baixo da história
Extensão mínima do gelo do Ártico em setembro de 2025, igual à de 2026. Imagem: Estúdio de Visualização Científica da Nasa, via Wikimedia Commons, domínio público.

Quase cinco décadas de observações por satélite mostram uma transformação preocupante no Ártico. O gelo do mar está diminuindo tanto no verão quanto no inverno, e o que sobra está ficando mais jovem e mais fino. Os dados de 2026, divulgados pela Nasa e pelo Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos, confirmam a tendência.

O mínimo de 2026

O oceano Ártico é coberto por uma enorme camada de água do mar congelada, que cresce e encolhe com as estações. O gelo se acumula no inverno longo e escuro, atinge o máximo em março e recua até o mínimo em setembro.

Em 2026, o mínimo aconteceu em 12 de setembro, com cerca de 4,6 milhões de quilômetros quadrados. O valor empatou com os de 2008, 2010 e 2025 como o 10º menor desde o início do monitoramento por satélite, no fim de 1978. O menor de todos continua sendo o de setembro de 2012.

O inverno também encolhe

A perda não acontece só no verão. Em março de 2026, o máximo anual empatou estatisticamente com o de março de 2025 como o pico de inverno mais baixo já registrado.

Todos os verões de 2007 a 2026 estão entre os 20 menores mínimos de setembro do registro. Na última década, porém, a cobertura de setembro ficou relativamente estável, em vez de continuar caindo rápido. O clima de cada ano pesa bastante: o aumento de nuvens sobre o Ártico nos últimos anos reduziu a luz do Sol que chega ao gelo, o que ajudou a limitar o derretimento, segundo pesquisadores da Nasa. Mesmo assim, a cobertura segue muito abaixo da média histórica.

Gelo mais jovem e fino

A mudança vai além da área. Antes, boa parte do Ártico tinha gelo de vários anos, que sobrevive a pelo menos um verão e fica mais grosso e resistente. Esse gelo antigo diminuiu muito. Agora predomina o gelo do primeiro ano, que se forma no inverno e derrete com mais facilidade quando o verão volta.

Verão sem gelo

Padrões naturais, como a Oscilação Ártica, influenciam o gelo de um ano para o outro, mas não explicam a queda persistente desde 1978. O aquecimento global, somado à variação natural, contribuiu para a perda. Os cientistas projetam que o oceano Ártico pode ficar praticamente sem gelo no verão pelo menos uma vez antes de meados deste século, algo que não acontece há milênios.

Como os satélites medem

O gelo é medido por satélites com sensores de micro-ondas, que captam a energia emitida naturalmente pela superfície. O gelo emite mais micro-ondas que a água, e o sinal atravessa as nuvens, o que permite monitorar o Ártico mesmo durante tempestades. O registro contínuo começou em 1978, com o satélite Nimbus-7, da Nasa, e hoje inclui dados de um satélite da agência espacial japonesa.

Por que importa aqui

O gelo marinho reflete boa parte da luz do Sol de volta ao espaço. Quando ele dá lugar ao oceano escuro, que absorve mais calor, o aquecimento se acelera. As mudanças nos polos afetam a circulação dos oceanos e da atmosfera de todo o planeta, com efeitos que os cientistas ainda estudam.

Perguntas frequentes

Qual foi o menor gelo do Ártico já registrado?

O mínimo de setembro de 2012, desde o início das medições por satélite em 1978.

O Ártico vai ficar sem gelo?

Cientistas projetam que pode ficar praticamente sem gelo no verão pelo menos uma vez antes de meados do século.

Com informações da Nasa e do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos.

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