Planeta pode ter nascido depois que sua estrela morreu: dados antigos do Hubble revelaram nióbio, elemento forjado só na morte de estrelas

Planeta pode ter nascido depois que sua estrela morreu: dados antigos do Hubble revelaram nióbio, elemento forjado só na morte de estrelas
Ilustração de material caindo sobre uma anã branca. Imagem: Nasa, ESA e Joseph Olmsted (STScI), via Wikimedia Commons, domínio público.

Planetas costumam nascer junto com suas estrelas, a partir da sobra de gás e poeira da formação estelar. A Terra é um planeta de primeira geração. Mas astrônomos que revisitaram observações antigas do telescópio espacial Hubble encontraram uma pista de algo diferente: um planeta que pode ter se formado depois da morte da estrela. O estudo foi publicado em outubro na revista científica Nature Astronomy.

Uma estrela morta

O alvo é a anã branca HS 0209+0832. Uma anã branca é o núcleo que sobra de uma estrela de pouca massa, como o Sol, depois que ela esgota o combustível nuclear e solta as camadas externas no espaço. Um planeta de segunda geração se formaria mais tarde, a partir do material expelido pela estrela moribunda.

Cem sinais sem explicação

O Hubble observou essa anã branca em 1999, mas na época os cientistas não conseguiram identificar cerca de 100 sinais químicos nos dados. Jamie Williams, doutoranda da Universidade de Warwick, no Reino Unido, voltou a essas observações com um banco de dados químicos atualizado e descobriu que o nióbio explicava muitos dos sinais. Ela conta que nem conhecia a assinatura desse elemento quando a encontrou.

Por que o nióbio importa

O nióbio existe no Sistema Solar. Segundo o astrofísico Nicholas Stone, da Universidade de Wisconsin, elementos mais pesados que o ferro, como ele, não são produzidos no núcleo das estrelas pela fusão nuclear comum. Só se formam nas condições exóticas que surgem por pouco tempo dentro de estrelas que estão morrendo. A presença de nióbio em grande quantidade é, portanto, um sinal dessa agonia e da expulsão das entranhas da estrela para o espaço.

Se esse material formou um novo corpo, que depois caiu ou está caindo sobre a anã branca, o excesso de nióbio seria a assinatura de um planeta nascido da morte, e não do nascimento, da estrela.

Um segundo capítulo

Para Williams, a descoberta indica que os sistemas planetários que conhecemos podem ser só o primeiro capítulo de uma história muito mais longa, com novos personagens surgindo depois. É uma ideia que muda a forma de pensar o fim das estrelas e dos seus planetas.

O destino do Sol

Daqui a uns 5 bilhões de anos, o Sol vai inchar, virar uma gigante vermelha e, depois, encolher até se tornar uma anã branca. Os planetas mais próximos devem ser engolidos ou destruídos. Estudos como este ajudam a imaginar o que pode surgir dos restos do nosso próprio sistema num futuro muito distante.

O nióbio no Brasil

Na Terra, o nióbio é usado em ligas de aço mais resistentes, em joias e em equipamentos de imagem médica. O Brasil tem as maiores reservas conhecidas do mundo e é, de longe, o maior produtor, com destaque para Araxá, em Minas Gerais. O elemento que hoje é extraído aqui foi forjado, bilhões de anos atrás, na explosão de estrelas.

Perguntas frequentes

O que é uma anã branca?

É o núcleo que resta de uma estrela como o Sol depois que ela esgota o combustível e solta as camadas externas.

De onde vem o nióbio?

É formado em condições extremas dentro de estrelas que estão morrendo. O Brasil é o maior produtor mundial.

Com informações da Universidade de Warwick e do estudo publicado na Nature Astronomy.

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