
Quinze equipes de nove estados indianos e Délhi disputam US$ 2 mil por categoria na estreia do I CAN Earthshot Challenge, em Mumbai.
Um filtro de ar sem eletricidade feito com juta, biocarvão e zeólita, uma plataforma flutuante montada com mais de 300 garrafas plásticas e sacos de lixo de jornal velho estão entre os projetos de 15 equipes de estudantes da Índia que disputam o primeiro Children’s Earthshot. O Earthshot Prize anunciou os finalistas em 22 de outubro de 2026, em parceria com a organização filantrópica brasileira Alana e o movimento global de jovens Design for Change. A cerimônia acontece em Mumbai, junto à Cúpula e à Noite de Premiação do Earthshot Prize.
Cinco prêmios, uma por categoria
As 15 equipes vêm de 9 estados indianos e de Délhi. Segundo o Earthshot Prize, cinco vencedoras, uma para cada categoria do prêmio, serão anunciadas na cerimônia do Children’s Earthshot. Cada equipe premiada receberá US$ 2 mil para desenvolver e implementar sua solução ambiental.
A iniciativa reconhece jovens que criam respostas práticas para problemas ambientais de suas comunidades. As categorias seguem as do prêmio principal: Proteger e Restaurar a Natureza, Revitalizar Rios, Lagos e Oceanos, Limpar Nosso Ar, Construir um Mundo Sem Resíduos e Corrigir Nosso Clima.
Água: poços, filtros e recarga
Na escola Jamnalal Kaniram Bajaj Trust, em Sikar (Rajasthan), alunos resolveram o acúmulo de água de chuva no pátio com um sistema de recarga feito de tubos e um poço filtrante em camadas de areia, cascalho e pedras. Em mais de 30 dias de trabalho, a água passou a ser direcionada ao subsolo e o alagamento foi evitado. O projeto relata 280 beneficiados.

Em Meerut (Uttar Pradesh), a equipe da Brainz Edu World criou um filtro sem eletricidade para a contaminação de águas subterrâneas por resíduos agrícolas, combinando argila bentonita, cascalho, areia, zeólita, óxido férrico e biocarvão. O protótipo, testado com amostras coletadas perto da vila de Chhilora, reduziu a turbidez.
Em Balrampur (Uttar Pradesh), estudantes da Purva Madhyamik Vidyalaya Ghosiyar limparam um poço abandonado, realocaram tartarugas para o rio próximo e construíram um protótipo de tampa com contrapeso de compensado e bambu. O sistema permanente de cobertura ainda não foi concluído.
Rios sagrados e o lixo das festas
Em Nashik (Maharashtra), alunos do 8º ano da The Heritage School desenvolveram diyas, as lamparinas tradicionais, sem óleo, com materiais naturais à base de alimentos e cânfora, para reduzir a poluição do Godavari durante o próximo Kumbh Mela. Foram produzidas cerca de 200 unidades, e 100 foram entregues às autoridades do evento, que aceitaram a proposta para análise. O projeto relata alcance de 1.000 pessoas.
Em Varanasi, a Sunbeam Suncity School & Hostel criou o Sunday Mandali, movimento de limpeza recorrente às margens do Ganges, apoiado pela Kudabazar Foundation. O grupo reúne mais de 150 alunos da escola e mais de 500 universitários voluntários, que coletam, separam, pesam e mapeiam resíduos. Relata mais de 800 itens plásticos recolhidos e 100 mil pessoas alcançadas.

Ar limpo com baixo custo
Na National Public School de Yeshwanthpur, em Bengaluru, estudantes testaram filtros de juta, biocarvão ativado, sílica de bambu, zeólita e algodão. Segundo as leituras registradas pela equipe, o índice de qualidade do ar caiu de cerca de 156 a 160 para 96 a 98, e o PM2.5 baixou de 98 para algo entre 12 e 30. O filtro foi testado por dez dias em um salão comunitário e instalado em mais de quatro casas e na escola.
Na Jasudben M.L. School, em Mumbai, alunos do 5º ano montaram um purificador manual com bomba de bicicleta e cartucho de carvão ativado de casca de coco. Após vários protótipos malsucedidos, o equipamento reduziu o AQI de 500 para 100 após 100 bombeadas, em teste numa caixa fechada com fumaça de incenso. Testes em salas de aula ainda não ocorreram.
Em Nagpur, crianças da Mother’s Pet Kindergarten enfrentaram a poeira e a fumaça de mais de 800 veículos que circulam na escola nos horários de entrada e saída. Propuseram direção mais lenta, o FriendPool, de caronas entre pais, e um protótipo de filtro de escapamento chamado Smoffler. A escola relata menos veículos e menos poeira visível.
Resíduos e enchentes
Em Ammaiyappan (Tamil Nadu), alunos criaram sacos de jornal velho com alças de juta e revestimento resistente à umidade feito de giz de cera descartado. Montaram ainda uma composteira escolar de 8 × 2 × 3 pés, onde o resíduo orgânico virou adubo em um mês. Após a iniciativa, a panchayat local anunciou que, a partir de 1º de outubro, só coletaria lixo separado. O projeto relata 502 beneficiados.

Em Jorhat (Assam), oito estudantes da Pokamura Higher Secondary School construíram uma plataforma flutuante para guardar suprimentos de emergência em enchentes, reaproveitando mais de 300 garrafas plásticas. O projeto relata alcance de 261 pessoas, e a comunidade demonstrou interesse em replicar a estrutura.
O que isso diz à Amazônia
Os problemas enfrentados pelos jovens indianos têm paralelos na região amazônica: poluição de rios usados no dia a dia, enchentes sazonais, queimadas que degradam o ar e lixo plástico nas margens. A plataforma flutuante de Assam, por exemplo, dialoga com a realidade de comunidades ribeirinhas que convivem com cheias. A parceria com a Alana, de São Paulo, também aproxima a premiação da agenda brasileira de participação infantil nas decisões ambientais.
Os resultados dos testes, como as quedas de AQI e PM2.5, são relatados pelas próprias equipes. A cerimônia do Children’s Earthshot, em Mumbai, definirá em novembro as cinco equipes premiadas.
Mais informações sobre as organizações parceiras estão disponíveis nos sites da Alana e do Design for Change.
Com informações de The Earthshot Prize.
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