O aquecimento alcançou o limite de evento muito forte antes do pico previsto para outubro e novembro.
O Oceano Pacífico Equatorial atingiu uma marca que muda a escala de acompanhamento do El Niño 2026-2027. Na semana centrada em 9 de setembro, a região Niño 3.4 registrou anomalia relativa de +2 °C, limiar usado para classificar o episódio como muito forte. O dado foi divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026.
O registro chama atenção porque ocorreu ainda no início da primavera no Hemisfério Sul, antes do período em que os modelos climáticos projetam o pico do fenômeno. A previsão indica valores superiores a 3 °C entre outubro e novembro, mas a intensidade definitiva só poderá ser confirmada por médias trimestrais, e não por uma única semana.
O Pacífico passou de uma pausa para uma nova aceleração
O aquecimento havia perdido força em agosto, quando as anomalias permaneceram próximas de 1,8 °C. A curva voltou a subir no começo de setembro e cruzou pela primeira vez, em 2026, a marca de +2 °C na área usada como principal referência para o monitoramento do El Niño.
Segundo a NOAA, a região Niño 3.4 registrou anomalia relativa de +2 °C na semana centrada em 9 de setembro de 2026. A medida compara a temperatura observada com a média histórica e desconta parte do aquecimento de fundo dos oceanos tropicais.
Quando esse aquecimento de fundo não é descontado, a anomalia absoluta na mesma área chega a +2,9 °C. A diferença entre os dois números é importante: ela mostra que o planeta mais quente também está elevando a temperatura de referência sobre a qual o El Niño se desenvolve.
Por que 2026 se aproxima de um caso histórico
A comparação com a série histórica da NOAA, iniciada em 1981, coloca o atual episódio praticamente lado a lado com o El Niño de 1997. Naquele ano, o limite de +2 °C foi ultrapassado na semana centrada em 3 de setembro, menos de uma semana antes do marco alcançado pelo evento atual.
Nos demais episódios classificados como muito fortes, o mesmo nível foi atingido mais tarde, entre o fim de setembro e o começo de dezembro. O calendário, portanto, é uma das características que tornam o El Niño de 2026-2027 fora do padrão observado na maior parte da série.
A temperatura média diária da superfície do mar na Niño 3.4 tem permanecido perto de 29,6 °C. Há mais de 90 dias consecutivos, cada registro diário está acima do maior valor já observado para a mesma data desde 1981.

O recorde de 2015 ainda está de pé
O fato de 2026 liderar a comparação diária para esta época do ano não significa que o recorde absoluto tenha sido quebrado. A maior temperatura média registrada na região Niño 3.4 ocorreu em novembro de 2015, com 29,82 °C, durante outro episódio de grande intensidade.
A comparação exige cuidado porque o valor de 2015 foi medido próximo do auge daquele fenômeno. O El Niño atual ainda está em fase de intensificação e, por isso, pode avançar nas próximas semanas. Os modelos consultados apontam para um pico acima de 3 °C de anomalia relativa entre outubro e novembro.
Existe ainda uma reserva de água quente abaixo da superfície do Pacífico tropical. Esse volume funciona como uma fonte adicional de energia para o sistema e pode sustentar o aquecimento, embora a evolução final dependa da interação entre oceano e atmosfera.
O que esse sinal representa para a Amazônia
O El Niño não produz o mesmo efeito em todos os lugares nem determina sozinho a chuva de uma estação. Mesmo assim, episódios fortes alteram a circulação atmosférica em grande escala e podem favorecer períodos mais secos e quentes em partes da Amazônia, sobretudo quando outros padrões climáticos reforçam essa configuração.
Para Acre, Amazonas, Rondônia e partes do Pará, o acompanhamento é relevante por causa do risco de redução de chuva, aumento do calor e maior pressão sobre rios, agricultura e atividades que dependem da umidade do solo. Em Roraima, Amapá e Tocantins, a resposta pode ser diferente conforme a época do ano e a atuação de sistemas regionais.
Essa não é uma previsão específica para cada cidade amazônica. O dado do Pacífico indica uma condição de grande escala, mas não substitui os boletins de chuva e temperatura produzidos para cada estado. Em uma região que reúne áreas de floresta, zonas de transição e extensas bacias hidrográficas, o impacto prático pode variar bastante entre municípios próximos.
O que ainda precisa ser confirmado
A classificação de muito forte baseada em +2 °C é um sinal importante, mas a intensidade oficial do El Niño é calculada a partir de uma média trimestral. Isso impede que uma semana excepcional seja tratada, sozinha, como o resultado definitivo de toda a temporada.
Também não é possível afirmar antecipadamente que o recorde de 2015 será superado. A projeção acima de 3 °C entre outubro e novembro depende de os ventos, a circulação atmosférica e o estoque de água quente continuarem favorecendo o fenômeno.
O próximo ponto de observação será justamente a evolução dessas variáveis no segundo semestre. As atualizações dos centros meteorológicos devem mostrar se o aquecimento permanece no patamar muito forte, acelera até níveis inéditos ou começa a perder intensidade.
Com informações de NOAA.
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