
Levantamento aponta 29.866 pontos públicos e semipúblicos no país, com avanço mais acelerado dos carregadores de corrente contínua.
Quem percorre uma estrada brasileira com um carro elétrico encontra hoje uma rede muito diferente da existente há um ano. Em agosto de 2026, o país chegou a 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga, dos quais 11.397 permitem abastecimento rápido em corrente contínua, tecnologia mais adequada para viagens e paradas curtas. O número de carregadores DC quase triplicou em 12 meses e passou a representar 38,2% da infraestrutura nacional.
Os dados foram reunidos pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e pela plataforma Tupi, em uma atualização da base nacional divulgada em 28 de setembro de 2026. O levantamento registra 4.437 novos pontos desde junho, quando havia 25.429 unidades, e 12.986 instalações adicionais na comparação com agosto de 2025.
A rede cresceu, mas a velocidade de recarga mudou o perfil da expansão
A recarga rápida avançou de 3.855 para 11.397 pontos em um ano, alta de 195,6%. No mesmo período, a infraestrutura de corrente alternada, conhecida como AC ou recarga lenta, cresceu 41,8%, de 13.025 para 18.469 pontos.
A diferença não significa que os carregadores AC perderam importância. Eles continuam sendo a solução mais comum para condomínios, empresas, estacionamentos de longa permanência e frotas que permanecem várias horas no mesmo local. O que mudou foi o ritmo de instalação dos equipamentos DC, impulsionado pela necessidade de reduzir o tempo de parada em deslocamentos maiores.
Dos 4.433 pontos adicionados entre junho e setembro de 2026, 2.792 eram de recarga rápida, o equivalente a 63% do total. No trimestre anterior, os equipamentos DC respondiam por 50,1% dos novos pontos. A participação desse tipo de carregador também passou de 16,4% em fevereiro de 2025 para 30,6% em fevereiro de 2026, antes de alcançar o patamar atual.
O que os números representam para quem usa um carro elétrico
Segundo ABVE e Tupi, o Brasil tinha 1.911 municípios com infraestrutura de recarga disponível em agosto de 2026. Desse conjunto, 1.156 contavam com pelo menos um ponto de recarga rápida. A quantidade de municípios atendidos aumentou 31,6% em relação a agosto de 2025, quando eram 1.452 localidades.
A frota acumulada de veículos elétricos plug-in, formada por modelos totalmente elétricos e híbridos que podem ser conectados à tomada, chegou a 639.133 unidades entre 2022 e agosto de 2026. São 313.140 veículos 100% elétricos, ou 49% do total, e 325.993 híbridos plug-in, que ainda contam com motor a combustão.
Essa composição ajuda a explicar por que a rede precisa crescer em duas frentes. Os veículos elétricos a bateria dependem integralmente de carregadores, enquanto os híbridos plug-in podem continuar rodando com combustível. A média nacional é de 21,4 veículos plug-in por ponto de recarga, mas a necessidade efetiva varia conforme potência, localização, tempo de uso e concentração da frota.
“Quase 2 mil municípios brasileiros já têm onde carregar um carro elétrico, e mais de mil deles já têm carga rápida. A pergunta do consumidor deixou de ser se existe carregador no país e passou a ser se existe carregador no caminho que ele faz”, afirmou Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE.
Norte tem a maior participação proporcional de carregadores DC
O avanço não ocorre de maneira uniforme entre as regiões. A Região Norte apresentou crescimento de 13,3% na contagem de localidades atendidas, enquanto o Nordeste avançou 18,4% no semestre, o maior resultado regional. No trimestre, o Nordeste também liderou a expansão da infraestrutura total, com alta de 22,7%, e a da recarga rápida, que cresceu 40,9%.
Apesar de concentrar menos pontos em números absolutos, o Norte tem a maior proporção de equipamentos DC: 58,1% da rede regional. No Nordeste, a participação é de 49,6%, e no Centro-Oeste, de 45,9%. O Sudeste reúne 42,4% de todos os pontos brasileiros, mas os carregadores rápidos representam 27,9% da sua estrutura.
Para os estados amazônicos, a composição da rede é especialmente relevante em trajetos de longa distância, nos quais a autonomia e o tempo de recarga podem determinar a viabilidade de uma viagem. O dado regional, porém, não significa que todos os corredores rodoviários ou municípios tenham cobertura equivalente. A localização dos pontos e a conexão com a rede elétrica continuam sendo fatores decisivos para o uso cotidiano.
O gargalo saiu do equipamento e chegou à conexão elétrica
A ABVE e a Tupi associam a expansão à redução do custo dos carregadores, à evolução tecnológica, ao ganho de escala dos operadores, ao crescimento das frotas corporativas e logísticas e à maior procura por viagens de média e longa distância.
O próximo obstáculo está na ligação de novas cargas de alta potência. Em 10 de setembro de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica abriu a Consulta Pública 033/2026 para discutir regras de conexão aplicáveis a veículos elétricos, armazenamento, geração distribuída e cargas flexíveis. O prazo para contribuições termina em 9 de novembro de 2026.
Outras mudanças regulatórias também podem afetar a expansão. Em São Paulo, a Lei 18.403/2026 passou a assegurar a instalação de carregadores individuais em vagas privativas de condomínios residenciais e comerciais, desde que observados requisitos técnicos e de segurança. Uma diretriz nacional dos Corpos de Bombeiros, em vigor desde o fim de fevereiro de 2026, estabeleceu parâmetros para projeto e vistoria de pontos de recarga.
Como consultar a infraestrutura disponível
A base da ABVE permite acompanhar a distribuição dos pontos por estado e município. São Paulo lidera com 7.864 unidades, seguido por Paraná, com 2.513, Rio Grande do Sul, com 2.422, Santa Catarina, com 2.333, e Minas Gerais, com 2.295. Entre as capitais, São Paulo tem 3.101 pontos, Brasília soma 1.225, o Rio de Janeiro tem 1.071, Curitiba registra 796 e Goiânia, 531.
O painel também ajuda a diferenciar a presença de recarga lenta e rápida antes de uma viagem. A consulta pública da ANEEL seguirá aberta até 9 de novembro, enquanto a atualização da base nacional deverá continuar acompanhando a instalação de novos equipamentos e a expansão da frota eletrificada.
Com informações de Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e Tupi.
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