Órbita da Terra já abriga cerca de 20 mil satélites, número pode chegar a 100 mil até 2030 e reacende debate sobre gestão

Órbita da Terra já abriga cerca de 20 mil satélites, número pode chegar a 100 mil até 2030 e reacende debate sobre gestão
Foto: acervo

Com a corrida por satélites, cientistas olham para a pesca como modelo de governança de um recurso compartilhado: o espaço ao redor do planeta.

Cerca de 20 mil satélites já circulam a Terra, e esse número pode chegar a 100 mil até 2030. É um tráfego que cresce rápido numa região do espaço que, na prática, é de todos e de ninguém. Esse é o ponto de partida de uma discussão publicada pelo portal Phys.org em 14 de outubro de 2026, que propõe usar a experiência da gestão da pesca como referência para organizar a órbita do planeta.

Um recurso compartilhado que se enche rápido

A comparação com o mar não é gratuita. Oceanos e órbita têm em comum o fato de serem recursos de uso coletivo, sem um dono único, onde cada novo ator que chega aproveita o espaço disponível e divide com os demais os prejuízos do excesso.

Na pesca, a história mostra o que acontece quando muita gente explora o mesmo estoque sem regras claras: o recurso se esgota. O debate sugere que o mesmo raciocínio pode valer para a órbita, onde o limite não é de peixes, mas de espaço seguro para operar.

Os custos ambientais da expansão

Segundo o Phys.org, a expansão da indústria espacial traz custos ambientais crescentes. A lista inclui detritos espaciais, risco de colisões, poluição atmosférica causada por lançamentos e pela reentrada de equipamentos, além de interferência nas observações astronômicas.

Cada um desses problemas tem uma lógica própria. Detritos aumentam a chance de choques, que geram mais detritos. A poluição ocorre na atmosfera, durante a subida dos foguetes e na queda dos satélites. E o brilho dos objetos em órbita atrapalha quem estuda o céu.

O que a pesca pode ensinar

A ideia central do debate é que a experiência acumulada em manejo pesqueiro, com limites de captura, monitoramento e acordos entre países, pode inspirar regras para a ocupação orbital. O texto original, de que este material traz apenas uma prévia, desenvolve essa proposta, e os detalhes das sugestões estão na publicação completa do Phys.org, disponível neste link.

Vale separar o que está estabelecido do que é proposta. Os números de satélites e a lista de impactos são o diagnóstico. A transposição do modelo da pesca para o espaço é uma sugestão em discussão, não uma regra em vigor.

O que isso significa para a Amazônia

A região amazônica depende de satélites no dia a dia. Eles sustentam o monitoramento do desmatamento e de queimadas, a previsão do tempo, a navegação de embarcações em rios extensos e a conexão de comunidades isoladas, onde a internet por satélite muitas vezes é a única alternativa.

Uma órbita congestionada ou mal regulada, portanto, não é assunto distante. Colisões e detritos ameaçam justamente a infraestrutura que acompanha a floresta. Já a ideia de gerir um bem comum com regras e fiscalização conversa com um debate que a própria Amazônia conhece bem, o do uso de rios e recursos pesqueiros compartilhados.

O tema deve seguir em pauta à medida que a meta de 100 mil satélites até 2030 se aproxima e que governos e agências discutam como dividir esse espaço.

Com informações de Phys.org.

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