Costela quebrada do maior T. rex já encontrado guardava vasos sanguíneos fossilizados: a fratura ainda estava cicatrizando quando o dinossauro morreu

Costela quebrada do maior T. rex já encontrado guardava vasos sanguíneos fossilizados: a fratura ainda estava cicatrizando quando o dinossauro morreu
Esqueleto de Tyrannosaurus rex no Museu de História Natural de Cleveland, EUA. Foto: Robosorne, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Scotty é o maior esqueleto de Tyrannosaurus rex já descoberto. Encontrado na província de Saskatchewan, no Canadá, ele agora revela algo ainda mais raro que seu tamanho: dentro de uma costela quebrada, cientistas encontraram uma rede de vasos sanguíneos fossilizados, formados enquanto o osso tentava cicatrizar. O dinossauro morreu antes de a fratura se fechar.

Segundo o físico Mauricio Barbi, da Universidade de Regina, no Canadá, foi como ganhar na loteria: uma rede extensa de vasos mineralizados nunca antes observada em um fóssil.

Tecido mole que não deveria existir

Vasos sanguíneos e outros tecidos moles normalmente desaparecem na decomposição, muito antes de o osso se fossilizar. A costela de Scotty é uma exceção. Depois da fratura, sangue rico em ferro chegou à área ferida e novos vasos se formaram como parte da cicatrização. Quando o animal morreu, o corpo foi parar num pântano salgado, onde as condições retardaram a decomposição e ajudaram a preservar a rede delicada.

Enxergar sem cortar

A investigação começou em 2020, quando Jerit Mitchell, então aluno de graduação da Universidade de Regina e hoje doutorando, detectou sinais de vasos dentro do osso usando microtomografia de raios X no Canadian Light Source, um acelerador de partículas. Outras técnicas de raios X e microscopia vieram em seguida.

Em abril de 2026, a equipe usou instrumentos de imagem com nêutrons do Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos. Nêutrons são especialmente bons para detectar elementos leves, como o hidrogênio, enquanto os raios X mostram melhor os elementos pesados. A diferença lembra a da ressonância magnética, que destaca tecidos moles, e da radiografia, que mostra os ossos. Juntas, as técnicas permitiram montar imagens 3D detalhadas sem danificar o fóssil.

Um prontuário de 66 milhões de anos

O resultado é uma espécie de prontuário médico de um dinossauro. Mostra como o corpo de um T. rex reagia a uma lesão grave, criando vasos para levar sangue e nutrientes à área ferida, de modo semelhante ao que acontece em animais vivos.

Scotty foi escavado por equipes do Museu Real de Saskatchewan no vale do rio Frenchman, um dos locais mais ricos em fósseis de dinossauros da América do Norte. As rochas da região registram a vida pouco antes da extinção em massa que encerrou a era dos dinossauros não avianos, há 66 milhões de anos. Os pesquisadores também estudam âmbar, escamas e ossos de outros dinossauros do local.

Uma vida dura

Scotty não é o único tiranossauro com marcas de ferimentos. Vários esqueletos da espécie têm ossos quebrados, mordidas cicatrizadas e infecções, sinais de brigas com outros tiranossauros e de caçadas arriscadas. Para a professora Marcella Berg, da mesma universidade, cada fóssil é uma pequena fotografia do passado, e juntar essas pistas ajuda a entender como a vida evoluiu.

Perguntas frequentes

Qual o maior T. rex já encontrado?

Scotty, escavado em Saskatchewan, no Canadá, é considerado o maior esqueleto de Tyrannosaurus rex conhecido.

Dinossauros podiam se recuperar de fraturas?

Sim. Vários fósseis mostram ossos cicatrizados, e a costela de Scotty mostra o processo ainda em andamento.

Com informações da Universidade de Regina e do Laboratório Nacional de Oak Ridge.

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