
Dois dos animais mais conhecidos do Brasil entraram na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. A arara-azul-grande, símbolo do Pantanal, foi classificada como vulnerável. O tucuxi, o pequeno golfinho cinza dos rios da Amazônia, foi direto para a categoria em perigo. As mudanças estão na atualização da lista nacional da fauna ameaçada, oficializada pela Portaria nº 1.704/2026 do Ministério do Meio Ambiente.
A volta da arara-azul
A arara-azul-grande, Anodorhynchus hyacinthinus, tinha deixado a lista em 2014, quando foi considerada quase ameaçada, graças a décadas de trabalho de conservação. Agora voltou como vulnerável.
O motivo principal são os grandes incêndios que atingiram o Pantanal nos últimos anos. O fogo afetou áreas de alimentação e reprodução, reduziu o número de casais que se reproduzem e o sucesso dos ninhos. As chamas também destroem as árvores onde as araras fazem ninho, além de ovos e filhotes. Para o ornitólogo Luís Fábio Silveira, curador da coleção de aves do Museu de Zoologia da USP, as maiores populações da espécie, que estão no Pantanal, sofreram enormemente com os seguidos incêndios.
Há um sinal de esperança. A temporada reprodutiva de 2025 e 2026 foi melhor, o que o Instituto Arara Azul, presidido pela bióloga Neiva Guedes, atribui em parte ao manejo intensivo de ninhos e filhotes.
O tucuxi em perigo
O tucuxi, Sotalia fluviatilis, era considerado quase ameaçado. Passou a estar em perigo, um nível acima de vulnerável. As ameaças incluem a captura acidental em redes de pesca, o uso como isca em algumas regiões, a degradação dos rios, as barragens, a redução de peixes e as secas e ondas de calor cada vez mais extremas.
Os números assustam. Na Reserva Piagaçu-Purus, a população caiu cerca de 30% entre 2012 e 2022. Na Reserva Mamirauá, a queda foi de cerca de 50% em aproximadamente nove anos. Na seca de 2023, o calor da água matou 93 tucuxis nos lagos de Tefé e Coari, no Amazonas, além de 166 botos-vermelhos. Segundo o ICMBio, ainda não existe uma estimativa de abundância para toda a área de distribuição da espécie.
A lista em números
Mais de 15 mil espécies da fauna brasileira foram avaliadas. O país reconhece agora 1.279 espécies ameaçadas, além de nove extintas e uma extinta na natureza. Cerca de 300 espécies entraram ou saíram da lista em relação à edição de 2022.
Outros animais também pioraram, como o boto-cinza, o boto-de-lahille e o peixe-boi-marinho. O gato-palheiro-pampeano, descrito recentemente, já entrou como criticamente ameaçado, e a araponga-do-nordeste foi classificada como em perigo, por causa da destruição das matas secas do interior.
Quem melhorou
Há boas notícias. O sauim-de-coleira, um pequeno macaco que vive na região de Manaus, passou de criticamente ameaçado para em perigo, com a ajuda de corredores ecológicos e fiscalização. A baleia-franca-austral passou de em perigo para vulnerável, resultado da proibição mundial da caça em 1985 e da criação de uma área de proteção no litoral de Santa Catarina em 2000. Para Anna Carolina Lins, do WWF-Brasil, a melhora não significa que a baleia esteja recuperada.
As maiores ameaças
O desmatamento segue como a principal ameaça à fauna brasileira, seguido por grandes obras, poluição, caça ilegal, tráfico de animais e atropelamentos. No mar, pesam a infraestrutura costeira, a captura acidental na pesca e as mudanças climáticas. Segundo o ICMBio, a avaliação segue critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza e é feita de forma contínua.
Perguntas frequentes
A arara-azul está em extinção?
Ela foi classificada como vulnerável na lista oficial brasileira, por causa dos incêndios no Pantanal.
O que é o tucuxi?
Um pequeno golfinho cinza dos rios da Amazônia, diferente do boto-cor-de-rosa. Agora está em perigo de extinção.
Com informações do Ministério do Meio Ambiente e do ICMBio.
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