Ratos e coqueiros estão deixando atóis tropicais mais frágeis diante da subida do mar; aves marinhas e mata nativa podem salvá-los

Ratos e coqueiros estão deixando atóis tropicais mais frágeis diante da subida do mar; aves marinhas e mata nativa podem salvá-los
Atol de Tetiaroa, na Polinésia Francesa, visto do alto. Foto: Supertoff, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Atóis são anéis de ilhas baixas formadas sobre recifes de coral no meio do oceano, como os das Maldivas, das Seychelles e da Polinésia. Com a subida do nível do mar, muitos correm risco de ser engolidos. Um estudo publicado na revista científica Science Advances mostra que dois fatores pouco lembrados fazem diferença: a presença de aves marinhas e a mata nativa.

A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e analisou 28 ilhas de atóis nas Seychelles e no arquipélago de Chagos, no oceano Índico, e no atol de Tetiaroa, na Polinésia Francesa.

Cocô que constrói ilha

Aves marinhas pescam em mar aberto e voltam às ilhas para descansar, nidificar e criar os filhotes. No caminho, trazem nutrientes do oceano, depositados nas fezes. Esses nutrientes fertilizam as ilhas e escorrem para os recifes ao redor.

A equipe estimou quanta energia as aves trazem para cada ilha e mediu o efeito nos recifes. Recifes fertilizados pelas aves tinham mais peixes-papagaio e outros organismos que produzem sedimento. A produção de areia foi de 2,3 a 2,8 vezes maior nas ilhas com aves. Segundo o professor Chris Perry, da Universidade de Exeter, coautor, para uma ilha de cerca de 14 hectares isso significa uns 170 metros cúbicos a mais de sedimento por ano, material que mantém e faz crescer as ilhas.

Recifes mais vigorosos também crescem mais rápido e reduzem a força das ondas que chegam à costa.

O estrago dos ratos

Muitas ilhas tropicais perderam suas aves marinhas. Os ratos, que chegaram como clandestinos em navios ao longo dos séculos, comem ovos e filhotes e dizimaram colônias inteiras. Sem aves, o fluxo de nutrientes para os recifes cai.

Segundo o autor principal, Nick Graham, eliminar os ratos invasores e substituir velhas plantações abandonadas de coqueiros por vegetação nativa pode ser chave para a sobrevivência dessas ilhas.

Raiz que segura

Coqueiros dominam hoje cerca de 60% das florestas de atóis do Pacífico, resultado de antigas plantações. O problema é que suas raízes seguram mal o solo. A equipe estimou que o comprimento de raízes finas é 4,6 vezes maior em áreas de vegetação nativa, o que aumenta muito a capacidade de prender areia e evitar erosão.

Para os pesquisadores, atóis não são estáticos: são sistemas ativos, que podem se ajustar às mudanças se tiverem condições. Com aves saudáveis e mata nativa, eles poderiam acompanhar a subida do mar prevista até o fim do século num cenário de aquecimento de 2 °C.

O único atol do Brasil

O Brasil tem um atol: o Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte, uma reserva biológica que abriga grandes colônias de aves marinhas, como atobás e trinta-réis, e é área de desova de tartarugas-verdes. É um exemplo de como a proteção das aves e a ausência de visitação mantêm o ecossistema funcionando.

Perguntas frequentes

O que é um atol?

Um anel de ilhas baixas e recifes de coral que se forma em volta de uma lagoa, geralmente sobre um antigo vulcão submerso.

Por que os ratos prejudicam os atóis?

Porque comem ovos e filhotes de aves marinhas, que levam nutrientes do mar para as ilhas e fertilizam os recifes que produzem areia.

Com informações da Universidade de Lancaster, da Universidade de Exeter e do estudo publicado na Science Advances.

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