Diesel a US$ 220 o barril na Europa e nos EUA: AIE vê estoques sem reposição até o segundo semestre de 2027

Diesel a US$ 220 o barril na Europa e nos EUA: AIE vê estoques sem reposição até o segundo semestre de 2027
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Relatório da Agência Internacional de Energia indica que o aperto no diesel deve durar mais de um ano, com impacto direto em frete, lavoura e transporte na Amazônia.

Na Amazônia, o diesel move o barco que leva alimento ao interior, o caminhão que escoa a safra e o gerador que mantém comunidades isoladas acesas. É esse combustível que a Agência Internacional de Energia (AIE) diz que continuará escasso até pelo menos o segundo semestre de 2027, por causa da guerra envolvendo o Irã, que interrompeu fluxos de oferta no mercado global.

O alerta consta do Relatório do Mercado de Petróleo de outubro, divulgado nesta quarta-feira (14). Segundo a AIE, a reposição dos estoques perdidos, além das oscilações sazonais normais, não deve começar antes desse período, mesmo com a recuperação rápida da produção das refinarias prevista até o fim do ano.

Estoques baixos antes do inverno

O problema vem de trás. Segundo a agência, o terceiro trimestre trouxe um aperto fora de época no mercado de gasóleo, somado a quedas de estoque “muito mais intensas que o normal” nos três meses anteriores. Isso, nas palavras da AIE, “privou os mercados globais de gasóleo de uma cobertura de estoques crucial antes da alta temporada de demanda do inverno”.

Em setembro, as exportações globais de diesel caíram 700 mil barris por dia em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da agência. A perda de 1,3 milhão de barris diários vinda da Rússia e do Oriente Médio foi “apenas parcialmente compensada por maior oferta de outras fontes”.

Preços recordes

O atacado reagiu. A AIE informa que o diesel passou de US$ 200 por barril em Singapura em meados de setembro e chegou a máximas históricas de cerca de US$ 220 por barril na Europa e nos Estados Unidos. “Os preços do diesel no varejo subiram em conjunto para níveis recordes na maior parte das grandes economias”, afirma o relatório.

Nos EUA, o diesel passou de US$ 6 por galão pela primeira vez no mês passado. O petróleo Brent segue acima de US$ 100 o barril.

Um fator complica a leitura: a demanda geral por petróleo recuou com os preços altos, mas o diesel é pouco sensível a preço. “A demanda de diesel, relativamente inelástica, permaneceu forte”, diz a agência, apoiada por medidas de governos para aliviar o custo ao consumidor.

Para 2026, a AIE projeta queda média de 2,6 milhões de barris por dia na demanda total de petróleo. O diesel responde por 25% dessa retração. A oferta deve cair 5,8 milhões de barris por dia neste ano e subir 7,7 milhões em 2027.

O acordo com a Rússia

Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter fechado acordo com o russo Vladimir Putin para que a Rússia fornecesse de imediato 300 mil toneladas métricas de diesel ao mercado. Na terça-feira (13), cargas voltaram a sair do porto báltico de Primorsk. Um petroleiro com cerca de 40 mil toneladas de diesel de ultrabaixo enxofre seguia para o Marrocos, segundo dados da LSEG reportados pela Reuters.

O pacto foi criticado nos EUA e na Europa, já que a energia russa sofre sanções ocidentais desde a invasão da Ucrânia, em 2022. Em Bangkok, durante as reuniões do FMI, o comissário europeu Valdis Dombrovskis afirmou que “agora não é hora de aliviar sanções à Rússia”. Sobre o volume, disse:

“Os volumes em discussão não terão significância macroeconômica, e a grande dúvida é se a Rússia conseguirá entregá-los.”

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também criticou o acordo e disse que ele contradiz os esforços para levar Putin à mesa de negociação com a Ucrânia.

O que isso significa para a Amazônia

A AIE alerta que os preços do diesel entregue nos principais mercados importadores, Europa, África e América Latina, podem subir de novo nas próximas semanas, por tensões no frete de petróleo bruto. A América Latina está na lista dos mais expostos.

Na Amazônia, o diesel pesa mais porque a logística depende de rios e estradas longas. Quando o combustível encarece, o custo tende a se espalhar pelo frete fluvial, pelo transporte de grãos e pelo abastecimento de municípios sem ligação rodoviária. A energia elétrica em sistemas isolados, movida a diesel, também fica mais cara de manter. O relatório da AIE não trata do Brasil, mas a lógica de mercado descrita vale para quem compra no mesmo mercado global.

Risco no Golfo

A recuperação da oferta, diz a AIE, segue frágil. “Novos ataques no Golfo deixam a recuperação frágil”, afirma o relatório. Na última semana, Riad sofreu ataques dos houthis do Iêmen, alguns com mortes. Nesta quarta, autoridades sauditas disseram que um prédio administrativo da Saudi Aramco foi alvo durante a noite.

Segundo a agência, ataques à Arábia Saudita podem comprometer a retomada do mercado, já que o aumento da produção saudita em setembro puxou os ganhos de oferta da Opep+ no mês. O próximo relatório mensal da AIE mostrará se as refinarias mantiveram o ritmo de recuperação.

Com informações de Agência Internacional de Energia.

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