
Uma formiga deixa o chão da floresta, sobe pela vegetação e prende as mandíbulas em uma folha ou galho. Depois, morre naquela posição. Algum tempo mais tarde, uma estrutura produzida por um fungo emerge de seu corpo e libera esporos no ambiente.
A sequência ficou conhecida como um exemplo de “formiga-zumbi”. O nome é popular, mas descreve um fenômeno biológico real: determinados fungos parasitas conseguem alterar o comportamento de seus hospedeiros.
Como o fungo entra no corpo da formiga?
O processo pode começar quando a formiga entra em contato com esporos presentes no ambiente. Depois da infecção, o fungo cresce e utiliza recursos do organismo hospedeiro.
🌿 Receba nossas notícias no Google
⭐ Adicionar Revista AmazôniaLeia também
Seriema utiliza pernas longas na perseguição terrestre e arremessa serpentes contra rochas para fraturar ossos da presa
Cobra cipó congela em posição vertical imitando galho seco e balança com vento para aproximar de aves no dossel
Eu pensava que árvores apenas competiam por luz, mas algumas permanecem conectadas mesmo depois de perder o troncoDurante esse desenvolvimento, substâncias produzidas pelo parasita interferem no comportamento da formiga.
O inseto pode abandonar os padrões normais da colônia e se deslocar até um ponto favorável ao fungo. Em vez de permanecer no chão, por exemplo, sobe pela vegetação.
O livro Sporum: dispersando curiosidades biológicas, utilizado como base para este conteúdo, explica que fungos conhecidos popularmente como cordyceps podem modificar o comportamento de insetos e conduzi-los a posições que favorecem a reprodução do parasita.
Por que a formiga sobe antes de morrer?
A posição final não parece aleatória. Temperatura, umidade e altura podem influenciar o desenvolvimento do fungo e a dispersão dos esporos.
Ao morrer presa a uma folha ou galho, a formiga se transforma em uma plataforma elevada. A estrutura reprodutiva do fungo cresce e libera esporos que podem alcançar o solo e outros insetos.
Dessa forma, o comportamento alterado do hospedeiro aumenta as possibilidades de o parasita completar seu ciclo.
A imagem de um fungo “controlando a mente” é uma simplificação. Não se trata necessariamente de uma decisão consciente produzida por um organismo centralizador. O fenômeno envolve alterações químicas e fisiológicas que interferem nos movimentos do hospedeiro.
As formigas percebem companheiras infectadas?
Formigas vivem em colônias densas, circunstância que poderia facilitar a propagação de parasitas. Ao mesmo tempo, desenvolveram comportamentos coletivos de defesa.
Segundo o livro Sporum, operárias podem reconhecer indivíduos contaminados e removê-los do formigueiro.
Esse comportamento reduz o contato entre o hospedeiro infectado e os demais integrantes da colônia. Em alguns casos, insetos sociais também limpam uns aos outros ou retiram materiais potencialmente contaminados.
A defesa da colônia não depende apenas da imunidade individual. Ela envolve uma espécie de proteção social produzida pelo comportamento coletivo.
Cordyceps ataca apenas formigas?
Não. Fungos desse grupo ou de grupos relacionados podem parasitar diferentes artrópodes.
Há registros envolvendo mariposas, besouros, gafanhotos, moscas, percevejos, aranhas e outros organismos. Muitas espécies de fungos apresentam alto grau de especialização.
Isso significa que um fungo adaptado a determinada formiga não necessariamente consegue produzir o mesmo efeito em qualquer outro inseto.
A relação entre parasita e hospedeiro pode ser resultado de um longo processo evolutivo, no qual cada organismo desenvolve estratégias e contraestratégias.
Esse fungo pode transformar seres humanos em zumbis?
Não há base para concluir que os fungos especializados em manipular insetos possam reproduzir esse processo em seres humanos.
Insetos e seres humanos possuem fisiologias, temperaturas corporais, sistemas imunológicos e estruturas nervosas muito diferentes.
A popularidade do tema em filmes, séries e jogos mistura elementos reais com ficção. A inspiração biológica existe, mas a transformação apresentada nessas histórias não corresponde ao fenômeno observado nas florestas.
Por que esse comportamento é importante para a ciência?
Os fungos parasitas ajudam pesquisadores a estudar evolução, comportamento animal, ecologia e substâncias capazes de interferir no funcionamento do organismo.
Também mostram que uma floresta não é formada apenas por plantas e grandes animais. Relações decisivas acontecem em escalas pequenas, envolvendo esporos, insetos e compostos químicos.
A formiga aparentemente sozinha sobre uma folha representa, na realidade, o encontro de duas histórias evolutivas: a do hospedeiro tentando sobreviver e a do fungo tentando alcançar o melhor lugar para se reproduzir.
Nunca perca uma notícia da AmazôniaControle o que você vê no Google
O Google lançou as Fontes Preferenciais: escolha os veículos que aparecem com prioridade. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de "Principais Notícias"
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!















