Luiz Aragão percorre 2.200 quilômetros em 127 dias e completa pela primeira vez a Volta ao Rio entre montanhas, rios e litoral

Luiz Aragão percorre 2.200 quilômetros em 127 dias e completa pela primeira vez a Volta ao Rio entre montanhas, rios e litoral
Ilustração: Revista Amazônia

Expedição combinou caminhada, bicicleta e caiaque para conectar áreas protegidas, comunidades rurais e diferentes paisagens do estado do Rio de Janeiro.

Uma volta de 2.200 quilômetros pelo estado

Luiz Aragão terminou em 8 de setembro uma jornada que atravessou o estado do Rio de Janeiro por terra e água. Aos 60 anos, o montanhista e voluntário completou uma expedição de 2.200 quilômetros pela Trilha Volta ao Rio, iniciativa criada para conectar caminhos, áreas naturais e comunidades em diferentes regiões fluminenses. A viagem começou em 1º de maio e durou 127 dias, com partida e chegada no Parque Nacional da Tijuca, aos pés do Cristo Redentor.

O percurso reuniu três formas de deslocamento. Aragão caminhou por trechos de montanha e de litoral, usou bicicleta em partes da rota e navegou de caiaque por rios. A combinação permitiu acompanhar ambientes que não poderiam ser ligados por uma única modalidade, dos campos de altitude da Região Serrana às áreas costeiras. Entre os segmentos percorridos estão caminhos que descem do Parque Estadual do Desengano em direção ao litoral e aproximadamente 100 quilômetros pelo rio Paraíba do Sul.

Da Serra dos Órgãos ao rio Paraíba do Sul

A rota atravessou regiões com características muito diferentes e passou por áreas protegidas de importância para a conservação no estado. Entre elas estão o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos, o Parque Nacional do Itatiaia e o Parque Estadual do Desengano. No conjunto, a Volta ao Rio se relaciona com quase 100 Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais.

Essa conexão não significa apenas uma linha contínua com o mesmo tipo de trilha. O itinerário combina caminhos terrestres, trechos cicláveis e segmentos navegáveis, acompanhando mudanças de relevo e de paisagem. Na Região Serrana, o trajeto passa por ambientes de altitude; em outras etapas, alcança rios e áreas próximas ao litoral. A viagem de Aragão serviu para percorrer essa rede em campo e registrar como os diferentes trechos se articulam dentro da proposta da Volta ao Rio.

O que foi registrado durante os quatro meses

Além de avançar pelo percurso, Aragão levantou informações práticas sobre os caminhos usados na expedição. Foram registrados dados de altimetria, pontos de água e locais de resgate, além do tempo necessário para percorrer cada segmento. Também entraram no levantamento os locais de hospedagem e os empreendimentos encontrados nas regiões atravessadas pela rota.

Esse tipo de registro transforma uma travessia individual em uma base de informação para a organização do percurso. A altimetria ajuda a identificar as variações de relevo; os pontos de água e de resgate contribuem para o planejamento; e os dados sobre hospedagem e empreendimentos aproximam a trilha da estrutura existente nos municípios. O levantamento, porém, corresponde aos caminhos percorridos durante a expedição, enquanto a implantação da rota ainda prevê novas conexões.

Uma rota que ainda está sendo ampliada

A Volta ao Rio é uma iniciativa da Rede Brasileira de Trilhas. Atualmente, o traçado passa por mais de 50 municípios, mas o projeto prevê a integração dos 92 municípios do estado. Quando essa etapa for concluída, o percurso deverá alcançar cerca de 3 mil quilômetros, extensão maior que a percorrida na expedição de Aragão.

A diferença entre os 2.200 quilômetros realizados e os cerca de 3 mil quilômetros previstos mostra que a rota está em processo de expansão. A viagem concluída em setembro representa a primeira expedição completa realizada pela proposta atual, mas não encerra a formação definitiva do percurso. A integração dos municípios restantes e a conexão de novos caminhos fazem parte do desenvolvimento planejado para a Volta ao Rio.

Áreas protegidas conectadas por uma mesma proposta

Ao aproximar parques e outras Unidades de Conservação, a trilha cria uma forma de percorrer o estado observando diferentes ambientes dentro de uma mesma jornada. O caminho passa por áreas com regras próprias de proteção e por regiões localizadas no entorno dessas unidades. Essa combinação coloca a circulação entre os territórios no centro da proposta, sem transformar os parques em pontos isolados de visitação.

A conexão também pode ampliar o conhecimento sobre os ambientes atravessados. Uma pessoa que percorre a rota pode encontrar campos de altitude, florestas, rios e paisagens costeiras ao longo do mesmo projeto, desde que siga os trechos definidos e as condições de cada local. A presença de visitantes depende da organização dos caminhos, do acesso e da estrutura disponível, fatores que fizeram parte do levantamento realizado durante a expedição.

Comunidades rurais entram no caminho

A Volta ao Rio inclui comunidades situadas no entorno das trilhas e dos demais trechos percorridos. Para a Rede Brasileira de Trilhas, o movimento de visitantes pode contribuir para a valorização das áreas naturais e para a economia de pequenas comunidades rurais. Hospedagens, empreendimentos e outros serviços encontrados ao longo da rota fazem parte dessa relação entre conservação, deslocamento e atividade econômica local.

Esse benefício é uma possibilidade associada ao aumento da circulação, não um resultado automático da criação da trilha. Para que o turismo de natureza gere retorno nos municípios, a visitação precisa estar ligada ao planejamento dos caminhos, à segurança e à participação das comunidades. Os dados coletados por Aragão sobre hospedagem, resgate, água e tempo de deslocamento ajudam a identificar as condições concretas que acompanham essa proposta.

O ponto de partida e o ponto de chegada

O Parque Nacional da Tijuca funcionou como marco da expedição. Aragão saiu aos pés do Cristo Redentor em 1º de maio e retornou ao mesmo local em 8 de setembro, depois de atravessar regiões serranas, trechos fluviais e áreas próximas ao litoral. O início e o fim no mesmo parque deram à jornada uma configuração circular, coerente com o nome Volta ao Rio.

O retorno também fechou uma sequência de deslocamentos que exigiu mudanças constantes de ritmo e equipamento. A caminhada foi alternada com a bicicleta e com a navegação de caiaque, especialmente no trecho de aproximadamente 100 quilômetros pelo Paraíba do Sul. Foram 127 dias em campo, período em que a expedição percorreu a rota e reuniu informações para sua organização futura.

Uma trilha construída enquanto é percorrida

A expedição concluída em setembro apresenta a Volta ao Rio como uma rede em formação, e não apenas como uma trilha única já finalizada. Seus 2.200 quilômetros conectaram parte dos caminhos previstos e envolveram mais de 50 municípios, enquanto o projeto trabalha com a integração dos 92 municípios fluminenses e uma extensão estimada em cerca de 3 mil quilômetros.

O resultado mais concreto da viagem está na combinação entre deslocamento e levantamento de campo. Aragão percorreu a rota, registrou altitudes, água, resgate, hospedagem e tempo de viagem, e retornou ao ponto de onde havia partido. Em vez de separar montanha, rio, litoral e comunidades, a proposta reúne esses elementos em uma mesma rede. Uma trilha assim não nasce apenas no mapa: ela ganha forma quando alguém atravessa seus trechos, mede suas condições e deixa informações para quem virá depois.

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