
Uma nova espécie de vitória-régia, a Victoria colombiana, foi descrita na revista Phytotaxa (volume 778, número 2, de 2026) e foi notada pela primeira vez em uma publicação no Instagram, segundo o resumo do artigo. Ela vive na bacia do alto Orinoco, na Colômbia, e não na bacia amazônica. Com a Victoria mattogrossensis, do Pantanal, que os autores propõem reconhecer como espécie separada, o gênero soma cinco espécies aceitas.
A descoberta mexe com um símbolo da Amazônia: a vitória-régia que o Brasil conhece é a Victoria amazonica. O estudo mostra que o gênero é mais diverso do que se pensava e que os rios explicam essa diversidade.
O que o artigo descreve
O trabalho se chama “Discovery of a new species of Victoria (Nymphaeaceae) in the Orinoco watershed of Colombia” e é assinado por Carlos Magdalena, Mauricio Bernal-Rodriguez, Carlos A. Pedraza-Peñaloza, Jaime Hernández, Gustavo Melo, Nilo Rodríguez, Jeremiah Harris e Maarten J. M. Christenhusz. O identificador é o DOI 10.11646/phytotaxa.778.2.1.
Segundo o resumo, os autores mapearam as populações de Victoria em um mapa das bacias hidrográficas da América do Sul e compararam a morfologia das plantas. O resultado: duas espécies adicionais merecem reconhecimento, a Victoria mattogrossensis, na região do Pantanal, e a Victoria colombiana, na bacia do alto Orinoco, na Colômbia. O texto acrescenta que a segunda pode ser vista do espaço.
A pista veio de uma publicação no Instagram
O resumo informa que a Victoria colombiana foi notada pela primeira vez em um post do Instagram, sem detalhar qual. Redes sociais já apareciam como fonte de pistas em outro trabalho sobre o gênero, de 2022, na revista Frontiers in Plant Science. Nele, os pesquisadores relatam que publicações em redes sociais indicaram prováveis ocorrências de Victoria não documentadas em herbários, como imagens de plantas atribuídas então à Victoria amazonica em Inírida, na Colômbia, perto dos rios Inírida e Guaviare, ambos afluentes do Orinoco.
Por que ela não é uma vitória-régia amazônica
O próprio título do artigo situa a nova espécie na bacia do Orinoco. O estudo de 2022 descreve que a Victoria amazonica ocorre na Colômbia, no Brasil, na Guiana, no Peru e na Bolívia, restrita às bacias do Amazonas, do rio Guaviare (um afluente do Orinoco) e do Essequibo. Na bacia amazônica, está na maioria dos grandes afluentes, exceto os rios Xingu e Madeira.
As demais espécies também têm endereço fluvial. A Victoria cruziana é a única de clima temperado e fica restrita ao rio Paraná e seus afluentes. A Victoria boliviana, descrita em 2022, parece endêmica dos Llanos de Moxos, na Bolívia, com os registros concentrados na bacia do rio Mamoré.
Onde as plantas foram coletadas
O herbário do Jardim Botânico de Bogotá guarda registros de Victoria coletados por Mauricio Bernal em julho de 2024, em Inírida, no departamento de Guainía, na Colômbia. Em um deles, de 26 de julho, a planta estava em uma lagoa de águas negras, o Lago Cacharral, com dois indivíduos e frutos em formação. No outro, de 28 de julho, no Lago Cejal, havia cinco indivíduos, com uma flor e dois frutos. Os dois locais ficam na entrada pelo caño Cunuben, no Resguardo Indígena El Paujil, e as plantas estavam enraizadas a 6 ou 7 metros de profundidade.
Esses registros estão identificados no banco do herbário apenas como Victoria sp. e não são apresentados aqui como o material descrito no artigo, mas mostram onde o gênero foi coletado na região.
Os rios como motor da diversidade
O resumo propõe uma explicação para a variedade de espécies. Os autores afirmam que não há dispersores animais conhecidos das sementes, que elas são sensíveis à secagem e que, por isso, os rios e suas cheias são o principal meio de dispersão. O isolamento das bacias desde o Plioceno, combinado com mudanças no curso dos rios ao longo do tempo, teria possivelmente levado à diversificação do gênero.
O artigo traz ainda uma chave para distinguir as espécies e uma revisão dos nomes, com sinonímia e tipificação completas.
Entenda
Espécie nova é uma planta ou animal descrito formalmente pela primeira vez em um artigo científico, com nome e características que a distinguem das parentes. Bacia hidrográfica é a área drenada por um rio e seus afluentes. Orinoco é um grande rio da América do Sul com bacia separada da amazônica. Herbário é a coleção de plantas secas usada para identificar espécies.
Perguntas frequentes
A nova vitória-régia é da Amazônia?
Não da bacia amazônica. Segundo o título e o resumo do artigo, a Victoria colombiana vive na bacia do alto Orinoco, na Colômbia.
Quantas espécies de vitória-régia existem?
O resumo fala em cinco espécies aceitas: Victoria amazonica, Victoria cruziana, Victoria boliviana, Victoria mattogrossensis e Victoria colombiana.
Como a espécie foi descoberta?
Ela foi notada pela primeira vez em uma publicação no Instagram, segundo o resumo, e depois estudada com mapas de bacias hidrográficas e comparação de morfologia.
Onde fica Inírida?
Fica no departamento de Guainía, na Colômbia, segundo o registro do herbário do Jardim Botânico de Bogotá.
O que fazer a seguir
Quem quiser conferir os dados pode ler o resumo do artigo pelo DOI 10.11646/phytotaxa.778.2.1 e comparar com o estudo de 2022 sobre as espécies do gênero, que está aberto na Frontiers in Plant Science.
Com informações da revista Phytotaxa, da revista Frontiers in Plant Science (2022) e do Herbário do Jardim Botânico de Bogotá.
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