Supertufão Champi vira o ciclone mais forte do ano no planeta: o que faz uma tempestade crescer tanto no Pacífico

Supertufão Champi vira o ciclone mais forte do ano no planeta: o que faz uma tempestade crescer tanto no Pacífico
Imagem: NOAA/MODIS, satélite Aqua (domínio público). O supertufão Champi visto do espaço em 20 de outubro de 2026.

O supertufão Champi se tornou um dos ciclones tropicais mais intensos de 2026 e passou a ser apontado por meteorologistas como o mais forte do ano no planeta em velocidade de vento. Em boletim de 21 de outubro, o Centro Conjunto de Alerta de Tufões (JTWC), dos Estados Unidos, estimou ventos sustentados de 130 nós, cerca de 240 km/h, com rajadas de 160 nós, perto de 300 km/h. A tempestade se formou no Pacífico Noroeste, passou muito perto da ilha de Guam no fim de semana de 17 e 18 de outubro e segue em direção às águas ao leste de Taiwan e ao sul do arquipélago japonês de Okinawa, com enfraquecimento previsto a partir de sexta-feira (23).

A passagem por Guam

Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS), o Champi passou a cerca de 16 quilômetros da ponta sul de Guam, território americano no Pacífico, com força equivalente à categoria 4. Logo depois, já sobre mar aberto, ganhou status de supertufão. Em 24 horas, seus ventos máximos praticamente dobraram, um processo que os meteorologistas chamam de intensificação rápida.

A Agência Meteorológica do Japão (JMA) registra o Champi como o tufão número 30 da temporada de 2026. Imagens do satélite japonês Himawari-9 e dos satélites da agência americana de oceanos e atmosfera (NOAA) mostram um olho pequeno e bem definido, cercado por uma espiral de nuvens com centenas de quilômetros de diâmetro.

O que é um supertufão

Tufão, furacão e ciclone são nomes diferentes para o mesmo fenômeno: um ciclone tropical. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o nome muda conforme a região. No Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste, ele é chamado de furacão. No Pacífico Noroeste, de tufão. No Oceano Índico e no Pacífico Sul, de ciclone.

O termo supertufão é usado pelo JTWC para tufões com ventos sustentados de pelo menos 130 nós, o equivalente a cerca de 240 km/h. É o nível dos furacões de categoria 5, o topo da escala.

O que alimenta uma tempestade desse tamanho

Um ciclone tropical funciona como uma máquina térmica movida pelo calor do oceano. Para nascer e crescer, ele precisa de algumas condições ao mesmo tempo:

  • Mar quente: água com temperatura acima de cerca de 26 °C numa camada profunda. A evaporação leva calor e umidade para a atmosfera;
  • Ar úmido: umidade em vários níveis da atmosfera, que alimenta as nuvens de tempestade;
  • Pouco cisalhamento do vento: ventos que não mudam muito de direção e velocidade com a altura, para não “desmontar” a estrutura do ciclone;
  • Distância do Equador: o efeito da rotação da Terra, que dá o giro ao sistema, praticamente não existe na linha do Equador.

Quando o vapor de água sobe e condensa nas nuvens, libera calor. Esse calor aquece o ar no centro, a pressão cai ainda mais e o vento acelera em direção ao olho. Enquanto houver mar quente embaixo, o ciclo se reforça. Por isso os tufões perdem força quando chegam a terra firme ou a águas mais frias.

O papel do El Niño

O ano de 2026 é marcado por um El Niño forte. Estudos sobre o Pacífico Noroeste mostram que, em anos de El Niño, os tufões tendem a se formar mais a leste, perto da linha internacional de data. Com isso, percorrem um caminho mais longo sobre o oceano quente antes de chegar à Ásia, o que lhes dá mais tempo para ganhar força. Isso não quer dizer que cada tempestade seja causada pelo El Niño, mas o fenômeno aumenta as chances de tufões longos e intensos.

E no Brasil?

O Atlântico Sul quase não tem ciclones tropicais. A água costuma ser mais fria e o cisalhamento do vento, mais forte, o que dificulta a formação. A exceção mais conhecida é o furacão Catarina, que atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul em março de 2004. Os ciclones que afetam o Sul do Brasil com frequência são de outro tipo, os extratropicais, que se formam pelo encontro de massas de ar e não dependem do mar quente como os tufões.

Perguntas frequentes

Qual a força do supertufão Champi?

Segundo o JTWC, ventos sustentados de cerca de 240 km/h e rajadas perto de 300 km/h em 21 de outubro.

Onde ele está indo?

Para as águas ao leste de Taiwan e ao sul de Okinawa, no Japão, com enfraquecimento previsto a partir de 23 de outubro.

Qual a diferença entre tufão e furacão?

Nenhuma no fenômeno. Muda apenas o nome conforme a região do oceano.

O Brasil pode ter um tufão?

É muito raro. O caso mais conhecido é o furacão Catarina, de 2004.

A trajetória do Champi ainda tem incerteza, e as agências meteorológicas da região atualizam os boletins várias vezes ao dia.

Com informações do Centro Conjunto de Alerta de Tufões (JTWC), do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS), da Agência Meteorológica do Japão (JMA), da NOAA e da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

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