
Em coluna de junho de 2026, o pesquisador James E. Tew mostra como boas fontes repassam informação errada e por que o apicultor precisa revisar o que aprendeu.
Um professor querido por milhares de alunos ensinou, em 1973, que zangões não servem para quase nada e devem ser eliminados sempre que possível. Décadas depois, um de seus ouvintes, o apicultor James E. Tew, usa a lembrança para mostrar um problema que continua atual: informação errada costuma vir de gente boa. O relato está na coluna “Plain Talk Beekeeping”, publicada em 1º de junho de 2026 no American Bee Journal, revista americana de apicultura fundada em 1861.
O mestre que não gostava de zangões
Tew descreve o primeiro professor de apicultura com reverência. Ele não orientava pós-graduandos, mas deu aula a milhares de estudantes de graduação, e, segundo o autor, quase todos o admiravam como professor e como pessoa.
Em 1973, esse professor dizia à turma que os zangões eram “preguiçosos” da colônia e que, fora a rara cópula com rainhas novas, não tinham função. A recomendação era eliminá-los em qualquer oportunidade.
Tew faz questão de contextualizar. O cenário da época era bem diferente: fora os inseticidas organofosforados, não havia outros grandes problemas. Não existiam ácaros, besourinho-da-colmeia ou abelhas africanizadas (as “killer bees” citadas por ele). Havia plantas floridas em abundância e abelhas por toda parte, e os zangões também eram numerosos.
Para o apicultor daquele tempo, portanto, tirar zangões pouco afetava a colônia. Mesmo assim, o autor lembra que, se alguém perguntasse a uma colônia saudável se ela queria zangões, a resposta seria outra.
A ironia do conselho antigo
Tew chama o ensinamento de “memória obsoleta”, que ele diz nunca mais pretender usar. Em seguida, aponta a ironia: a eliminação de zangões é hoje uma técnica comumente recomendada no manejo da varroa, o ácaro que parasita as abelhas.
Ou seja, um conselho descartado como erro pode voltar com outra justificativa. O que muda é o contexto, e não necessariamente a regra. Por isso, o autor trata cada orientação como algo ligado ao momento e ao problema que se enfrenta.
Vento não espalha a loque americana
O segundo caso aconteceu anos atrás, em um encontro de apicultores no norte do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Tew era o palestrante convidado, de fora, e partiria no dia seguinte.
Ao falar da loque americana, doença bacteriana que ataca as crias, o palestrante local afirmou com segurança que ela era tão persistente nos Estados Unidos porque o vento carregaria o agente a quilômetros de distância da colmeia doente.
Segundo Tew, essa parte está errada: o vento tem pouco ou nenhum papel na disseminação da loque americana. Ele reconhece, porém, que a conclusão do orador estava correta. Ao encontrar a doença, o apicultor deve adotar de imediato uma política de “terra arrasada”, expressão do autor para medidas drásticas de eliminação.
O restante da fala era, nas palavras do colunista, “sólido como rocha”, e o palestrante segue respeitado na comunidade, “como deve ser”. Tew conta que, no dilema de corrigir ou não um anfitrião, preferiu depois sugerir a um dos organizadores que revisasse parte das informações sobre a dispersão dos esporos. Em seguida, deixou a cidade.
O que isso significa para quem cria abelhas na Amazônia
A coluna trata do cenário americano e da abelha Apis mellifera, e não cita a Amazônia. Ainda assim, o mecanismo descrito vale para qualquer região. Na Amazônia, a apicultura convive com a Apis mellifera e com abelhas sem ferrão, na meliponicultura, e boa parte do conhecimento circula em cursos, associações e conversas entre vizinhos, onde um conselho antigo se repete por confiança na pessoa, e não por evidência.
A lição prática é separar quem fala de o que se fala. Um mestre pode acertar quase tudo e errar um ponto, e um manejo que funcionava num cenário pode deixar de servir quando surgem novas pragas. Conferir com literatura técnica e com serviços de defesa sanitária continua sendo o caminho mais seguro.
Sem respostas prontas
O trecho divulgado é apenas um excerto, e a coluna completa está na edição de junho de 2026 da revista. O texto não traz uma regra de como corrigir colegas respeitados, e Tew deixa a pergunta em aberto: “O que você teria me mandado fazer?”. Quem quiser ler o texto na íntegra pode acessar a edição digital do American Bee Journal, ou assinar a revista.
Com informações de American Bee Journal.
Gostou desta reportagem?
Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.














