AVC quase dobrou entre adultos de 20 a 54 anos em três décadas, e os cientistas ainda não sabem explicar por quê

AVC quase dobrou entre adultos de 20 a 54 anos em três décadas, e os cientistas ainda não sabem explicar por quê
Tomografia do cérebro usada no diagnóstico de AVC. Imagem: Goleisureintl, via Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0.

O acidente vascular cerebral, o AVC, sempre foi visto como uma doença de idosos. Um estudo que analisou quase três décadas de dados mostra que isso está mudando. Entre adultos de 20 a 54 anos, a taxa de AVC quase dobrou, embora a chance de sobreviver tenha melhorado.

O trabalho foi publicado em 23 de setembro na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia, e analisou a região de Cincinnati e do norte do Kentucky, nos Estados Unidos.

Alta de 83%

Os pesquisadores identificaram 2.076 adultos de 20 a 54 anos que tiveram o primeiro AVC entre 1993 e 2020. Em 1993 e 1994, a taxa era de 33,9 casos por 100 mil pessoas por ano. Em 2020, chegou a 62,2, um aumento de cerca de 83%.

Segundo a médica Emily R. Fisher, da Universidade de Cincinnati, autora do estudo, o AVC está se tornando cada vez mais comum entre adultos jovens. E, como mais gente sobrevive, mais pessoas jovens podem viver com as sequelas por muito tempo.

O tipo que mais cresceu

O aumento veio principalmente do AVC isquêmico, que acontece quando um vaso que leva sangue ao cérebro é bloqueado. Sem oxigênio, as células cerebrais começam a sofrer danos em minutos. A taxa desse tipo subiu de 23,8 para 47,3 casos por 100 mil, quase o dobro. Os AVCs hemorrágicos, causados por sangramento, não tiveram aumento parecido.

Fatores de risco em alta

Entre os jovens que tiveram AVC, ficaram mais comuns a pressão alta, o diabetes, a fibrilação atrial, um tipo de batimento irregular do coração que favorece coágulos, e o uso de drogas. A maior mudança foi nesse último ponto: em 1993 e 1994, 4,6% dos pacientes tinham registro de uso de substâncias. Em 2020, eram 40,2%, boa parte ligada à maconha.

O estudo, porém, não consegue dizer se esses fatores causaram o aumento, porque não havia dados comparáveis de pessoas sem AVC.

A boa notícia

A mortalidade em 30 dias caiu de 11,7% para 9,4%, com melhora maior nos casos de sangramento. Mas sobreviver não significa se recuperar totalmente. Dependendo da área atingida, podem ficar dificuldades de movimento, fala e memória.

Para Fisher, os resultados mostram a importância de identificar e controlar os fatores de risco já no início da vida adulta.

Reconheça os sinais

No AVC, cada minuto conta. No Brasil, campanhas de saúde usam a palavra SAMU para lembrar os sinais. S de sorriso: peça para a pessoa sorrir e veja se um lado da boca fica caído. A de abraço: peça para levantar os dois braços e veja se um cai. M de música: peça para repetir uma frase e note se a fala sai enrolada. U de urgente: ligue imediatamente para o 192.

Outros sinais incluem dormência súbita de um lado do corpo, perda de visão, tontura e dor de cabeça forte e repentina.

Perguntas frequentes

Jovens podem ter AVC?

Sim. O estudo mostra que a taxa entre adultos de 20 a 54 anos quase dobrou em três décadas.

Como prevenir?

Controlar pressão, diabetes e colesterol, não fumar, evitar drogas, praticar atividade física e manter alimentação equilibrada.

Com informações da Academia Americana de Neurologia e do estudo publicado na Neurology.

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