No interior do Tocantins existe uma floresta que virou pedra antes dos dinossauros: troncos de até 290 milhões de anos espalhados pelo chão do Cerrado

No interior do Tocantins existe uma floresta que virou pedra antes dos dinossauros: troncos de até 290 milhões de anos espalhados pelo chão do Cerrado
Tronco petrificado no Jardim Paleobotânico de Mata (RS), outro sítio de madeira fóssil do Brasil. Foto: Rafael Ghidini, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

No norte do Tocantins, no município de Filadélfia, o chão do Cerrado esconde uma floresta inteira transformada em pedra. São troncos e caules fossilizados de plantas que viveram há cerca de 250 a 290 milhões de anos, no período Permiano, antes do surgimento dos dinossauros. A área é protegida pelo Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Tocantins (Monaf).

A unidade de conservação foi criada pela Lei estadual 1.179, de 4 de outubro de 2000, e ocupa cerca de 32 mil hectares. É administrada pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins).

Samambaias do tamanho de árvores

Entre os fósseis mais comuns do Monaf estão samambaias arborescentes, plantas que formavam florestas inteiras numa época em que ainda não existiam flores. Em muitos pontos do parque, os fragmentos estão tão próximos da superfície que é possível literalmente pisar sobre eles.

Segundo a administração do monumento, a região tinha também fósseis de parentes das coníferas e de cavalinhas, mas parte desse material foi retirado ilegalmente e vendido ao exterior no passado. A retirada de fósseis no Brasil é crime, porque eles são patrimônio da União.

Como uma árvore vira pedra

A fossilização da madeira é um processo extremamente lento. Depois que a planta morre e é soterrada por sedimentos, a água que circula pelo solo carrega minerais, principalmente sílica. Ao longo de milhões de anos, essa sílica substitui a matéria orgânica, célula por célula. O resultado mantém a forma e, muitas vezes, até a estrutura interna da madeira, mas com peso e dureza de rocha.

Pouco antes da maior extinção da história

As plantas do Monaf viveram no Permiano, o último período da Era Paleozoica. No fim dele, há cerca de 252 milhões de anos, aconteceu a maior extinção em massa conhecida, que eliminou a maioria das espécies marinhas e grande parte das terrestres. Florestas fósseis dessa época ajudam os cientistas a entender o clima e os ecossistemas do planeta antes da catástrofe.

Por isso, o monumento é considerado uma das florestas petrificadas mais importantes do Hemisfério Sul. Sítios com plantas tão antigas e bem preservadas existem em poucos lugares do mundo.

Turismo científico no Cerrado

O Monaf tem um centro de recepção de visitantes no distrito de Bielândia, em Filadélfia. Além dos fósseis, a região oferece rios, serras e cachoeiras do Cerrado tocantinense, e a fauna aparece com frequência, como corujas-buraqueiras que fazem ninho nos campos. A visita gera renda para a população local e ajuda a mostrar por que o patrimônio precisa ser protegido.

Antes de ir, a recomendação é confirmar horários e regras de visitação com o Naturatins, já que o acesso às áreas de fósseis costuma ser acompanhado.

Outras florestas de pedra no Brasil

O país tem outros sítios de madeira fóssil, como os de Mata e São Pedro do Sul, no Rio Grande do Sul, com troncos do período Triássico. Juntos, esses lugares contam como eram as florestas brasileiras muito antes da Amazônia e da Mata Atlântica existirem.

Perguntas frequentes

Onde fica a floresta petrificada do Tocantins?

No Monumento Natural das Árvores Fossilizadas, em Filadélfia, no norte do Tocantins.

Qual a idade dos fósseis?

Entre cerca de 250 e 290 milhões de anos, do período Permiano.

Com informações do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins).

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA