O plástico mais usado do mundo, presente em embalagens e copos, pode favorecer a gordura no fígado, sugere estudo com microplásticos

O plástico mais usado do mundo, presente em embalagens e copos, pode favorecer a gordura no fígado, sugere estudo com microplásticos
Sacos de grânulos plásticos, entre eles polietileno de baixa densidade. Foto: Cjp24, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Os microplásticos estão em quase todo lugar: no mar, na água de beber e até dentro do corpo humano. O que ainda não se sabe bem é o que eles fazem com a saúde. Pesquisadores da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, encontraram um possível efeito do polietileno, o plástico mais produzido do mundo: ele pode favorecer a gordura no fígado.

O estudo foi publicado na revista científica Science Advances.

O plástico de todo dia

O polietileno corresponde a cerca de um terço da produção mundial de plástico. Está em embalagens de alimentos, potes, filmes plásticos e no revestimento de copos de papel. Apesar disso, pouca atenção tinha sido dada ao efeito dele sobre o fígado.

Segundo o pesquisador Adi Joshi, ninguém tinha realmente estudado o efeito do polietileno no fígado. Agora, a equipe viu que esses microplásticos afetam os mecanismos naturais de defesa e reparo do órgão.

O que o estudo encontrou

Nos experimentos de laboratório, a exposição ao polietileno aumentou os sinais de doença hepática gordurosa mesmo sem uma dieta ruim. Quando o plástico foi combinado a uma dieta rica em gordura, frutose e colesterol, os sinais ficaram mais graves. Para Joshi, quem tem uma dieta ao estilo ocidental, com hambúrgueres e refrigerantes, pode ter mais chance de evoluir para gordura no fígado se também estiver exposto ao polietileno.

O resultado surpreendeu porque o polietileno sempre foi considerado um material quase inerte, que pouco interage com o organismo.

Onde está o dano

Em parceria com a Universidade de Oklahoma, a equipe usou uma técnica chamada transcriptômica espacial, que mostra quais genes estão ativos e exatamente em que ponto do tecido. Assim, mapeou as áreas de dano no fígado. Uma descoberta importante envolve a proteína PPAR-alfa, que regula o metabolismo de gordura no fígado e foi ativada pelo polietileno. Outro gene, ligado ao reparo de tecidos, também parece participar.

Próximos passos

Os pesquisadores querem saber se o polietileno contribui para formas mais graves, como a fibrose, quando o fígado acumula cicatrizes. Também pretendem estudar outros tipos de microplásticos. Os autores ressaltam que ainda é preciso entender como os resultados de laboratório se traduzem na exposição real das pessoas.

Uma doença comum

A gordura no fígado afeta cerca de um quarto da população mundial e costuma não dar sintomas por anos. No Brasil, ela é cada vez mais diagnosticada em exames de rotina, acompanhando o aumento da obesidade e do diabetes.

Como reduzir a exposição

Não dá para fugir totalmente dos microplásticos, mas algumas atitudes ajudam: evitar esquentar comida em potes de plástico no micro-ondas, preferir recipientes de vidro ou inox, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e embalados e não reutilizar garrafas descartáveis por muito tempo.

Perguntas frequentes

Microplástico faz mal ao fígado?

O estudo indica que o polietileno pode favorecer a gordura no fígado, principalmente junto com dieta rica em gordura e açúcar.

O que é polietileno?

O plástico mais produzido do mundo, usado em sacolas, embalagens e filmes plásticos.

Com informações da Universidade Texas A&M e do estudo publicado na Science Advances.

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