Pais morrem nos primeiros anos de vida dos filhos mais do que se imagina, e 60% dessas mortes poderiam ser evitadas, aponta estudo

Pais morrem nos primeiros anos de vida dos filhos mais do que se imagina, e 60% dessas mortes poderiam ser evitadas, aponta estudo
Pai abraça a filha recém-nascida. Foto: Kiefer Wolfowitz, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

A morte de mães no parto e no primeiro ano do bebê é acompanhada de perto por sistemas de saúde. Já a morte dos pais quase não é contada. Um estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, decidiu medir isso e encontrou um quadro preocupante: muitos pais morrem nos primeiros anos de vida dos filhos, e a maioria dessas mortes poderia ser evitada.

130 mil bebês

Os pesquisadores analisaram todos os 130.267 bebês nascidos no estado da Geórgia em 2017 e acompanharam os pais por cinco anos, até 2022. Nesse período, 796 pais morreram.

Desses, 60% morreram por causas consideradas evitáveis: 143 por homicídio, 142 por acidentes, 102 por suicídio e 93 por overdose. Outros 296 morreram de causas naturais.

Segundo o pediatra Craig Garfield, autor correspondente, os dados mostram que pais morrem com frequência nos primeiros anos de vida dos filhos, e não há sistemas para entender como evitar isso. Para ele, é um enorme ponto cego.

Um paradoxo

O estudo também encontrou um resultado aparentemente contraditório. Ser pai foi associado a uma mortalidade geral menor. Entre homens de 30 a 34 anos, por exemplo, a taxa foi de 120 mortes por 100 mil entre os pais, contra 231 por 100 mil entre os que não eram pais.

Para Garfield, ser pai parece proteger esse grupo de homens. Se isso vem de mudanças no estilo de vida, de um novo propósito ou de novas responsabilidades, ainda não se sabe.

Quem corre mais risco

As mortes por causas não naturais foram mais comuns entre os pais mais jovens. Pais solteiros, de áreas rurais e de famílias mais pobres tiveram maior risco. Mais escolaridade foi associada a menos mortes. Segundo os autores, assim como acontece com as mães, as mortes em torno da chegada de um filho têm mais a ver com vulnerabilidade social do que com biologia.

O impacto nas crianças

Garfield conta que a pesquisa nasceu da experiência dele na UTI neonatal, onde conheceu muitas mães lidando com a morte súbita do companheiro por tiros, acidentes de carro e outros eventos inesperados. Pesquisas anteriores ligam a participação do pai a melhores resultados para filhos e famílias, e a perda de um dos pais tem consequências enormes para a criança, sobretudo nos primeiros anos.

Novembro Azul

No Brasil, novembro é o mês de conscientização sobre a saúde do homem, com a campanha Novembro Azul. Os homens vivem, em média, quase sete anos menos que as mulheres no país, segundo o IBGE, e estão mais expostos a mortes violentas, acidentes de trânsito e suicídio. Especialistas reforçam que cuidar da saúde física e mental, procurar ajuda diante de sofrimento e evitar o consumo abusivo de álcool e drogas também é cuidar dos filhos.

Quem estiver passando por sofrimento emocional pode procurar o CVV pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia.

Perguntas frequentes

Quais as principais causas de morte de pais jovens?

No estudo, homicídio, acidentes, suicídio e overdose, todas consideradas evitáveis.

Ser pai protege a saúde?

O estudo encontrou menor mortalidade geral entre pais, mas ainda não sabe explicar por quê.

Com informações da Universidade Northwestern.

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