Princesas do Egito antigo eram enterradas com arcos, flechas e punhais; os ossos delas mostram que não era enfeite, elas sabiam usar as armas

Princesas do Egito antigo eram enterradas com arcos, flechas e punhais; os ossos delas mostram que não era enfeite, elas sabiam usar as armas
Pirâmide Vermelha, na necrópole de Dahshur, no Egito, onde as princesas foram enterradas. Foto: Darer101, via Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0.

Por anos, arqueólogos discutiram por que algumas princesas do Egito antigo eram enterradas com armas. Arcos, flechas, punhais e clavas encontrados nos túmulos costumavam ser interpretados como objetos cerimoniais. Um novo exame de múmias reais do Médio Império sugere outra coisa: pelo menos algumas dessas mulheres eram treinadas para usar as armas.

O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Environmental Archaeology.

Múmias esquecidas

A pesquisa analisou seis múmias reais encontradas nos anos 1890 em Dahshur, uma necrópole egípcia com pirâmides e túmulos. Os restos sumiram da atenção dos estudiosos por muitos anos e só foram reidentificados no Museu Egípcio, no Cairo, durante um projeto de organização do acervo em 2020.

Quatro das seis eram irmãs, filhas do faraó Amenemhat II, enterradas em câmaras subterrâneas parecidas. A princesa Ita foi sepultada ao lado da princesa Khenmet, e a princesa Itaweret ao lado de uma mulher identificada provisoriamente como a princesa Sathathormeryt. Os túmulos tinham objetos mais comuns em sepulturas masculinas, como arcos e flechas, e o caixão de Ita guardava um punhal ricamente decorado. A princesa Noub-Hotep e o rei Hor completam o grupo estudado.

O que os ossos contam

Os tecidos moles tinham virado pó e parte dos esqueletos se perdeu. Os crânios das princesas sumiram no início do século 20. Mesmo assim, havia ossos suficientes para estimar idade, altura e sexo, e para ver sinais de lesões e doenças.

Segundo a pesquisadora Zeinab Hashesh, autora principal, Ita era uma jovem de 28 a 34 anos com fortes marcas de inserção muscular na parte superior do corpo, sinal de uso habitual de armas como clavas e punhais. Khenmet, com cerca de 40 anos, tinha ligamentos muito robustos. Itaweret, de 20 a 34 anos, sobreviveu a costelas e pés quebrados, e o esqueleto mostra que era uma arqueira habilidosa. Noub-Hotep e o rei Hor também mostram sinais de prática com arco.

Para Hashesh, o desenvolvimento acentuado dos braços corresponde a ações repetitivas e intensas, como puxar a corda do arco, o que prova que essas atividades faziam parte da vida delas. As armas não eram presentes simbólicos, mas ferramentas que elas usavam.

Feridas que cicatrizaram

Vários indivíduos tinham sinais de traumas, infecções e deficiências nutricionais. As fraturas provavelmente vieram de acidentes, quedas ou golpes ligados a uma vida ativa, com caça ou treino militar. O que chama atenção é que as lesões cicatrizaram bem, sinal de acesso a cuidados médicos avançados para a época.

As irmãs também tinham alterações raras na coluna, o que indica que os pais e a família real eram parentes próximos, algo comum entre a realeza egípcia.

As pessoas por trás das joias

As joias e objetos dessas princesas são famosos pela beleza. Para Hashesh, enquanto os arqueólogos se dedicaram a preservar os tesouros, as próprias pessoas foram esquecidas. A equipe quer contar a história completa delas, com saúde, família e até papel político, além de criar réplicas em 3D para ensino e exposições virtuais.

Perguntas frequentes

Mulheres do Egito antigo usavam armas?

Segundo o estudo, pelo menos algumas princesas do Médio Império praticavam tiro com arco e uso de outras armas.

Onde fica Dahshur?

Ao sul do Cairo, no Egito. É uma necrópole com pirâmides famosas, como a Pirâmide Vermelha.

Com informações do estudo publicado na Frontiers in Environmental Archaeology.

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