
Os suplementos de vitamina D costumam vir em duas formas, a D2 e a D3, tratadas muitas vezes como equivalentes. Uma análise de estudos feita por pesquisadores britânicos mostrou um efeito inesperado: tomar vitamina D2 pode reduzir os níveis de vitamina D3, a forma que o corpo produz naturalmente quando a pele recebe sol.
O trabalho, da Universidade de Surrey, do John Innes Centre e do Quadram Institute Bioscience, foi publicado na revista científica Nutrition Reviews.
D2 e D3
A vitamina D2, ou ergocalciferol, é produzida a partir de fungos ou leveduras expostos à luz ultravioleta. A D3, ou colecalciferol, é a mesma forma que a pele humana fabrica sob o sol. Nos suplementos, a D3 costuma vir da lanolina da lã de ovelha, mas também existe D3 de origem vegetal, feita a partir de líquens, uma opção para veganos.
No fígado, as duas viram 25-hidroxivitamina D, a forma medida nos exames de sangue. A D2 gera a 25-hidroxivitamina D2, e a D3 gera a 25-hidroxivitamina D3. Foi essa última que caiu em quem tomou D2.
O que a análise mostrou
Os pesquisadores revisaram 20 estudos clínicos, 11 deles com dados para a análise principal. Quem tomou D2 tinha concentrações significativamente menores de D3 no sangue, com redução média de 9 a 18 nanomoles por litro, dependendo da forma de análise.
Isso não quer dizer que a D2 seja prejudicial ou que tire a vitamina D do corpo. Ela aumenta a própria forma D2 e contribui para o total. A surpresa é que, ao subir uma forma, a outra cai.
Segundo a pesquisadora Emily Brown, da Universidade de Surrey, autora principal, a descoberta é um efeito antes desconhecido, e os resultados sugerem que, respeitadas as condições de cada pessoa, a D3 pode ser mais benéfica para a maioria.
Por que isso acontece
Ainda não há explicação definitiva. Uma hipótese é que, quando os níveis de vitamina D sobem, o corpo acelera a quebra e a eliminação dessas substâncias para manter o equilíbrio. Assim, aumentar a D2 pode acelerar o descarte da D3 que já estava no corpo.
Diferença também no sistema imune
Um estudo anterior, liderado pelo professor Colin Smith, da mesma universidade, comparou a atividade dos genes no sangue depois da suplementação. A D3 estimulou a sinalização dos interferons do tipo I, proteínas que funcionam como alarme inicial contra vírus e bactérias. A D2 não teve esse efeito. Os autores lembram que isso não prova que a D3 previne infecções, e são necessários estudos clínicos maiores.
Orientações dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos já apontavam que a D3 tende a elevar os níveis de vitamina D mais e por mais tempo que a D2.
E no Brasil?
No Brasil, a maioria dos suplementos vendidos em farmácias é de vitamina D3, mas vale conferir no rótulo se o produto traz colecalciferol (D3) ou ergocalciferol (D2). Em um país ensolarado, boa parte das pessoas consegue produzir vitamina D com exposição moderada ao sol, mas idosos, pessoas que ficam muito tempo em ambientes fechados e quem tem pele mais escura podem ter níveis baixos. Suplementar sem orientação não é recomendado, porque vitamina D em excesso também faz mal.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre vitamina D2 e D3?
A D2 vem de fungos e leveduras. A D3 é a forma que a pele produz com o sol e costuma ser mais eficaz para elevar os níveis no sangue.
Devo trocar meu suplemento?
Converse com o médico. A dose e a forma dependem dos exames e das condições de cada pessoa.
Com informações da Universidade de Surrey e do estudo publicado na Nutrition Reviews.
Gostou desta reportagem?
Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.














