Amazônia vista do espaço: como os satélites do INPE flagram o desmate

Amazônia vista do espaço: como os satélites do INPE flagram o desmate
Foto: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0

Do espaço, o Brasil conta o desmatamento da Amazônia por dois relógios. O Prodes, a medição anual do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), registrou 5.731 km² de desmatamento na Amazônia Legal entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025, queda de 12,07% sobre o período anterior, segundo o instituto em 18 de agosto de 2026. O Deter, o alerta diário, somou 2.874,38 km² de agosto de 2025 a julho de 2026, o menor valor da série histórica.

Os dois sistemas dependem de satélites, e a Semana Mundial do Espaço, de 4 a 10 de outubro de 2026, é a ocasião de olhar para eles. O tema deste ano, segundo o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA), é “Rocket Revolution”, a Revolução dos Foguetes.

A revolução dos foguetes ainda chega de fora

A ONU descreve o tema como a mudança no acesso ao espaço: lançar algo além da Terra foi, por muito tempo, privilégio de poucos programas nacionais, e hoje mais países, empresas e universidades participam. O UNOOSA lembra que satélites ajudam a monitorar o clima e o ambiente e a responder a desastres.

Na Amazônia, essa revolução ainda passa por foguetes de outros países. O Amazônia-1 foi lançado em 28 de fevereiro de 2021 por um PSLV, a partir de Sriharikota, na Índia. Os CBERS partem da China: o INPE explica que o acordo já previa o lançamento em solo chinês, porque o Brasil não dispunha de foguete adequado. Para o CBERS 04A, o lançamento custou US$ 30 milhões, metade pagos pelo lado brasileiro, segundo o INPE.

O que o Deter e o Prodes veem do espaço

O Deter, Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real, emite avisos diários de supressão, desmatamento e degradação, produzidos com imagens da câmera WFI dos satélites CBERS-04, CBERS-04A e Amazônia-1. O objetivo, segundo o INPE, é subsidiar a fiscalização. Os avisos indicam tendência e não equivalem à taxa oficial.

O sistema nasceu em 2004 com o sensor MODIS, dos satélites americanos Terra e Aqua, que só identificava áreas acima de 25 hectares, de acordo com o INPE. O instituto ressalta que Deter e Prodes são prejudicados pela alta frequência de nuvens sobre a região amazônica.

O Prodes, Monitoramento Anual da Supressão da Vegetação Nativa, produz a taxa consolidada desde 1988. Hoje usa os satélites Sentinel, da Agência Espacial Europeia (ESA), pré-processados pelo projeto Brazil Data Cube, do próprio INPE. Considera desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso ou o estágio final de uma degradação com perda completa do dossel.

Os números mais recentes do INPE

No Prodes 2024-2025, oito dos nove estados da Amazônia Legal reduziram o desmatamento, com as maiores quedas em Roraima (39,10%), Amapá (37,04%) e Rondônia (36,39%). Mato Grosso foi o único com aumento, de 26,73%. A Revista Amazônia já tratou do recuo em matéria sobre a estimativa do período.

O Deter de agosto de 2025 a julho de 2026 registrou 2.874,38 km² de área sob alerta na Amazônia, 36% a menos que no período anterior e 55,6% abaixo da média dos dez anos anteriores. A taxa Prodes desse mesmo período, a medida oficial, não constava, em 8 de outubro de 2026, entre as divulgações do INPE consultadas para esta matéria.

Amazônia-1: o satélite nacional de observação da Terra

Segundo o INPE, o Amazônia-1 é o primeiro satélite totalmente nacional de observação da Terra. Em 2025 atingiu a vida útil prevista de quatro anos e, em 27 de fevereiro de 2026, o instituto informou que segue com excelente desempenho e mais de 26 mil órbitas completas.

A câmera WFI cobre mais de 2 milhões de km² em 7 minutos, e as imagens são gratuitas no Catálogo do INPE. O satélite validou em voo a Plataforma Multimissão, estrutura desenvolvida pelo instituto para satélites de até 7.500 kg. Em outra página, o INPE reconhece que parte da propulsão usa peças compradas no exterior.

O sucessor, Amazônia-1B, está em integração no INPE, com lançamento previsto para 2027 em um foguete Vega-C, de Kourou, na Guiana Francesa, conforme contrato assinado em janeiro de 2026.

CBERS: parceria com a China desde 1988

O programa China-Brazil Earth Resources Satellite nasceu de um acordo assinado em 6 de julho de 1988. O CBERS-4, lançado em 7 de dezembro de 2014, segue em órbita, e nos CBERS 3, 4 e 04A cada país investiu 50%. As imagens são gratuitas, o que, segundo o INPE, permitiu o crescimento de uma indústria nacional de geoinformação.

Em agosto de 2026, o instituto programou imagens do CBERS-4 e usou arquivos do CBERS-4A para apoiar a resposta a uma enchente glacial na fronteira entre Nepal e Tibete, no âmbito da Carta Internacional Espaço e Grandes Desastres.

Alcântara e o mercado de lançadores pequenos

O Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, fica a 2°18′ ao sul da Linha do Equador, posição que a Agência Espacial Brasileira (AEB) cita como vantagem estratégica. Em 22 de julho de 2026, a AEB informou que a Innospace Brasil gerencia as operações de lançamento no centro e que a missão do lançador de pequenos satélites HANBIT-Nano, com o satélite de teste InnoSat-0, tinha previsão para novembro de 2026, sujeita a ajustes. É um mercado de lançadores pequenos, que ainda não carrega os satélites que vigiam a floresta.

Entenda

Prodes é a contagem anual e oficial do desmatamento. Deter é o sistema de alertas diários, que orienta a fiscalização. WFI é a câmera de campo largo, que cobre faixas enormes em poucos minutos.

Perguntas frequentes

Como o espaço ajuda a vigiar a Amazônia?

Satélites fotografam a floresta de forma repetida. O INPE usa imagens dos CBERS-04, CBERS-04A e Amazônia-1 para os alertas diários do Deter e dados dos Sentinel, da ESA, para a taxa anual do Prodes.

Qual a diferença entre Prodes e Deter?

O Prodes mede o desmatamento do ano, com série desde 1988. O Deter avisa dia a dia onde a floresta está sendo derrubada, para a fiscalização agir. Os avisos não são a taxa oficial.

Qual foi o desmatamento mais recente medido pelo INPE?

A taxa Prodes consolidada é de 5.731 km² entre agosto de 2024 e julho de 2025. O Deter indica 2.874,38 km² sob alerta de agosto de 2025 a julho de 2026.

O que fazer a seguir

Os dados do Deter e do Prodes estão abertos na plataforma TerraBrasilis, do INPE, e as imagens do Amazônia-1 e dos CBERS podem ser baixadas no Catálogo de Imagens do instituto. O próximo marco é a taxa Prodes de agosto de 2025 a julho de 2026.

Com informações de INPE, UNOOSA e Agência Espacial Brasileira.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA