Comer tarde da noite foi ligado a até 30% mais risco de doença no fígado, em estudo que acompanhou quase 200 mil pessoas

Comer tarde da noite foi ligado a até 30% mais risco de doença no fígado, em estudo que acompanhou quase 200 mil pessoas
Pessoas comem à noite em feira ao ar livre. Foto: Michael Coghlan, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.

Aquele lanche da madrugada pode ter consequências além das calorias. Pesquisadores da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, nos Estados Unidos, encontraram uma ligação entre comer tarde da noite e um risco maior de doenças no fígado. O estudo foi publicado na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology.

Até 30% mais risco

As pessoas que costumavam comer depois do jantar ou depois da hora de dormir tiveram risco 20% a 30% maior de doença hepática do que as que evitavam comer tarde. Entre as doenças avaliadas estavam a esteatose, conhecida como gordura no fígado, e a cirrose, uma cicatrização extensa e grave do órgão.

Segundo o hepatologista Robert Wilechansky, autor principal, alguns estudos já sugeriam a ligação, mas este é um dos primeiros a fazer uma análise de longo prazo voltada para a gordura no fígado.

Quase 200 mil pessoas

A equipe usou dados de três grandes estudos americanos que acompanharam profissionais de saúde por décadas. No total, foram quase 200 mil participantes, que informaram seus hábitos alimentares, rotina e estilo de vida. Eles foram divididos em grupos conforme o horário em que costumavam comer, e os pesquisadores compararam esses padrões com os casos de doença no fígado.

O relógio do fígado

Uma possível explicação está nos ritmos circadianos, os processos internos que regulam sono, metabolismo e outras funções ao longo de cerca de 24 horas. O fígado é muito sensível a esse relógio. Ele processa nutrientes, regula o açúcar no sangue e controla como o corpo guarda e usa energia. Comer quando o corpo está se preparando para dormir pode atrapalhar esses processos.

O interesse de Wilechansky veio, em parte, dos trabalhadores noturnos, que têm taxas maiores de obesidade e doenças do coração. Para Andrew McHill, especialista em sono da mesma universidade e coautor, o horário dos comportamentos, seja dormir, comer ou se exercitar, importa muito. Comer de madrugada, quando o relógio biológico está promovendo o sono, reduz a capacidade do corpo de metabolizar a comida.

Mudar o horário, não o prato

A ideia é atraente porque mudar o horário das refeições pode ser mais fácil do que mudar toda a dieta. Segundo Wilechansky, concentrar as calorias algumas horas antes de dormir pode ser benéfico.

Ele lembra que, entre as pessoas que desenvolvem gordura no fígado, só uma pequena parte chega a formas graves como a cirrose.

Os limites do estudo

O estudo é observacional e não prova causa e efeito. Ele se baseou em informações dadas pelos próprios participantes, com descrições amplas do horário das refeições, e outros fatores podem explicar a associação. A equipe agora faz um estudo clínico que vai monitorar diretamente o horário das refeições de pessoas com gordura no fígado e testar se comer mais cedo melhora o órgão.

Um problema comum

A gordura no fígado é muito comum e costuma não dar sintomas por anos. Ela está ligada a excesso de peso, diabetes, colesterol alto e sedentarismo. A recomendação de especialistas é manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e fazer exames de rotina, especialmente quem tem fatores de risco.

Perguntas frequentes

Comer à noite faz mal ao fígado?

O estudo associou comer tarde a mais risco de doença no fígado, mas ainda não prova que o hábito seja a causa.

Gordura no fígado tem sintomas?

Geralmente não no início. Costuma ser descoberta em exames de rotina, como ultrassom.

Com informações da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon.

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