
Suindaras, parentes das que vivem em igrejas e fazendas da Amazônia, agora têm endereço no Upper West Side e conquistaram os nova-iorquinos.
Uma caixa d’água de metal e madeira, dessas que parecem decoração no alto dos prédios de Nova York, virou lar de uma família de corujas-das-torres no Upper West Side, em Manhattan. Segundo especialistas ouvidos pela Associated Press, em 15 de outubro de 2026, é a primeira família da espécie conhecida por viver no distrito, e os moradores da vizinhança estão encantados com os novos inquilinos.
A notícia chama atenção por um motivo simples: Manhattan é sinônimo de concreto, vidro e trânsito, e não de ave noturna de rosto em forma de coração. Mas é justamente esse tipo de ambiente que, às vezes, esconde abrigos inesperados.
Um endereço improvável para uma ave de celeiro
A coruja-das-torres, conhecida no Brasil como suindara, ganhou o nome em inglês, barn owl, por ter o hábito de se abrigar em celeiros. Ela procura lugares altos, escuros e protegidos, como forros, torres de igreja, silos e construções abandonadas.
Nesse raciocínio, o reservatório de água de um prédio nova-iorquino não é tão estranho assim. Ele oferece teto, sombra e silêncio, o conjunto que a espécie costuma buscar para criar os filhotes.
O registro, porém, tem peso científico. Que seja a primeira família conhecida em Manhattan, e não apenas uma visita de passagem, é o que torna o caso raro aos olhos dos especialistas.
Uma caçadora silenciosa
A suindara é uma das aves de rapina noturnas mais fáceis de reconhecer. O rosto claro, em formato de coração, ajuda a conduzir os sons até os ouvidos, e as penas macias das asas permitem um voo praticamente sem ruído.
A dieta é formada principalmente por pequenos roedores, o que costuma render à espécie a fama de aliada de agricultores e de moradores de áreas urbanas incomodados com ratos. Isso não quer dizer que ela resolva sozinha o problema de pragas de uma metrópole, e sim que sua presença indica que há alimento disponível por perto.
Também é uma ave de hábitos discretos. Ela sai à noite, e muita gente passa a vida sem vê-la. Por isso, uma família instalada em um ponto visível da cidade rapidamente vira assunto entre vizinhos.
Por que a cidade se encantou
A reação dos nova-iorquinos, descrita pela AP como de fascínio, tem uma explicação fácil de entender. Num lugar onde a vida selvagem costuma se resumir a pombos, esquilos e ratos, saber que uma família de corujas divide o céu com os arranha-céus mexe com a imaginação.
Esse tipo de encontro também aproxima as pessoas do tema da biodiversidade urbana. Cidades grandes não são desertos para a fauna: telhados, torres, pontes e parques funcionam como ilhas de abrigo para aves que perderam espaço no campo.
E na Amazônia?
Para o leitor amazônico, a história tem um sabor de familiaridade. A suindara está entre as corujas mais difundidas do planeta, presente em vários continentes, e é uma moradora conhecida do Brasil, onde costuma ser vista em áreas abertas e perto de construções humanas.
Na região, é comum ouvir relatos de gente que encontrou a ave em forros de casas, torres de igrejas e galpões. O som que ela emite, um chiado áspero, já inspirou muita história de assombração no interior, e o apelido de coruja-de-igreja nasceu do hábito de nidificar em campanários.
A diferença é que, em Manhattan, o fato virou notícia internacional justamente por ser inédito. Aqui, a convivência com a espécie é antiga, embora nem sempre bem compreendida. Há quem a veja como mau presságio, quando na verdade ela ajuda a controlar populações de roedores.
O que o caso ensina
A chegada das corujas a Manhattan mostra que a fauna silvestre é capaz de ocupar espaços criados para outro fim, desde que encontre abrigo, comida e sossego. Também lembra que uma cidade acolhedora para aves costuma ser uma cidade com menos produtos tóxicos contra roedores, já que o veneno pode contaminar quem se alimenta dos animais envenenados.
Para quem quer observar aves urbanas, vale a regra de ouro: manter distância. Ninho de coruja não é lugar para flash de câmera, luz forte ou aproximação, sobretudo quando há filhotes.
Resta agora saber por quanto tempo a família permanece no reservatório e se o endereço se tornará ponto fixo de reprodução da espécie na ilha. A resposta dependerá das próximas estações e do acompanhamento de quem estuda as aves da cidade.
Com informações de The Associated Press.
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