
Ele pesava cerca de 12 quilos, tinha o tamanho de um peru e um bico sem dentes. O Infernogallus jamesi, cujo nome significa algo como galinha do inferno, viveu na América do Norte há cerca de 66 milhões de anos, pouco antes da extinção dos dinossauros. Um estudo do crânio do animal sugere que ele pode ter sido especializado em comer frutas macias.
O trabalho, liderado por Gregory F. Funston, da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, foi publicado na revista científica Nature Communications.
Um crânio raríssimo
O Infernogallus pertence aos cenagnatídeos, uma família de dinossauros parecidos com aves, de corpo esguio e bico sem dentes. O fóssil inclui o primeiro crânio quase completo já encontrado desse grupo. Crânios assim são raríssimos, porque os ossos delicados e o esqueleto leve quase nunca sobrevivem à fossilização. Por isso, era muito difícil saber o que esses animais comiam.
Partes do crânio e da mandíbula estavam esmagadas. A equipe usou tomografia para separar e reconstruir digitalmente cada osso, mapeou onde ficavam os músculos da mandíbula e comparou com aves atuais e outros dinossauros.
Mastigando como um papagaio
Em vez de uma mordida forte de cima para baixo, os músculos estavam organizados para deslizar a mandíbula para frente e para trás. Cristas e sulcos dentro da boca podem ter funcionado como um pilão, amassando comida macia. Além disso, não havia pedras no estômago, que muitos dinossauros herbívoros engoliam para triturar plantas.
Um mecanismo parecido existe em alguns papagaios que comem frutas e usam o mesmo movimento de vaivém para processar a polpa. Os autores levantam a hipótese de que o Infernogallus era especializado em frutas carnudas e macias.
Dinossauros e frutas
A adaptação pode ajudar a explicar como a dieta dos dinossauros mudou junto com os ecossistemas do Cretáceo. Naquela época, as plantas com flores se espalhavam e começavam a produzir frutos maiores e mais carnudos, e o grupo ao qual o Infernogallus pertence também se diversificou.
Se esses dinossauros ajudaram a espalhar sementes e influenciaram a evolução das frutas ainda é uma pergunta em aberto, e os próprios pesquisadores reconhecem a dúvida.
Parente famoso
O apelido de galinha do inferno já tinha sido dado a outro membro da família, o Anzu wyliei, descrito em 2014 a partir de fósseis da formação Hell Creek, nos Estados Unidos. O nome brinca com a aparência de ave dos animais e com o local da descoberta, cujo nome em inglês significa riacho do inferno.
Os herdeiros de hoje
As aves são descendentes diretas dos dinossauros, e muitas fazem hoje o papel que o Infernogallus pode ter tido. Na Amazônia e na Mata Atlântica, tucanos, araçaris, jacutingas e papagaios comem frutos e espalham as sementes, ajudando a floresta a se renovar.
Perguntas frequentes
Dinossauros comiam frutas?
O estudo sugere que o Infernogallus pode ter sido especializado em frutas macias, mas isso ainda não está confirmado.
Por que o nome galinha do inferno?
Pela aparência de ave e pelo nome da região onde fósseis da família foram achados, Hell Creek, o riacho do inferno.
Com informações do estudo publicado na Nature Communications.
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