Corpo achado no Ártico em 1859 com papéis de um marinheiro e roupa de outro intrigou historiadores por 166 anos; o DNA finalmente resolveu

Corpo achado no Ártico em 1859 com papéis de um marinheiro e roupa de outro intrigou historiadores por 166 anos; o DNA finalmente resolveu
Os navios HMS Erebus e HMS Terror, os mesmos da expedição de Franklin, em pintura de James Wilson Carmichael. Imagem: domínio público, via Wikimedia Commons.

Em 1845, dois navios da Marinha britânica, o HMS Erebus e o HMS Terror, partiram sob o comando de Sir John Franklin para encontrar a Passagem Noroeste, a rota pelo Ártico canadense entre o Atlântico e o Pacífico. Nenhum dos 129 homens voltou. A expedição se tornou um dos maiores mistérios da exploração polar. Agora, testes de DNA identificaram mais quatro tripulantes e resolveram um enigma que durava 166 anos.

O trabalho foi liderado por antropólogos da Universidade de Waterloo, no Canadá, que compararam DNA extraído de ossos com amostras de descendentes vivos. Com as novas identificações, chega a seis o número de marinheiros identificados por DNA.

A marcha final

Em abril de 1848, os navios estavam presos no gelo havia quase dois anos. Os 105 sobreviventes abandonaram as embarcações e tentaram chegar a um lugar seguro, caminhando pela costa oeste da Ilha do Rei Guilherme, no atual território de Nunavut, puxando botes sobre trenós. Desde o século 19, restos da tripulação foram encontrados na ilha e na Península Adelaide.

Segundo o antropólogo Douglas Stenton, três dos marinheiros agora identificados eram do Erebus e morreram na baía de Erebus. O quarto, único do Terror identificado por DNA, foi encontrado a 130 quilômetros dali.

O mistério de Peglar

Esse quarto homem é Harry Peglar, chefe da gávea de proa do HMS Terror. Sua identidade era incerta desde 1859, quando um corpo foi encontrado com seus documentos pessoais. O problema é que as roupas não correspondiam ao posto de Peglar, o que alimentou dúvidas por gerações.

Junto ao corpo estavam quase os únicos documentos escritos da expedição já encontrados, que ficaram conhecidos como Papéis de Peglar. Além do certificado de marinheiro, há poemas e anotações que parecem descrever acontecimentos da viagem. Segundo o professor Robert Park, também de Waterloo, confirmar a identidade foi especialmente importante por causa desses papéis.

Os outros nomes

Os pesquisadores identificaram também William Orren, marinheiro; David Young, grumete; e John Bridgens, despenseiro dos oficiais subalternos. As identificações confirmam que os três sobreviveram aos primeiros três anos e estavam entre os que tentaram escapar depois de abandonar os navios.

Os navios reencontrados

Depois de mais de 160 anos de buscas, os destroços dos dois navios foram encontrados pelo governo canadense com apoio do conhecimento tradicional inuíte: o Erebus em 2014 e o Terror em 2016, no fundo do mar do Ártico. Relatos inuítes, por muito tempo ignorados, foram decisivos para localizar os navios e entender o destino dos homens.

Por que o DNA importa

Cada identificação devolve um nome a um corpo anônimo e permite que famílias descendentes conheçam o destino de seus antepassados. Também ajuda a reconstruir, passo a passo, a tragédia: quem morreu onde, em que momento e em que condições.

Perguntas frequentes

O que aconteceu com a expedição de Franklin?

Os navios ficaram presos no gelo do Ártico canadense. Os tripulantes abandonaram as embarcações em 1848 e todos morreram tentando escapar.

Quantos tripulantes foram identificados por DNA?

Seis, com as quatro novas identificações.

Com informações da Universidade de Waterloo.

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