O maior escorpião que já existiu tinha um metro de comprimento e pinças de 16 centímetros e caçava há 415 milhões de anos, antes de existirem árvores

O maior escorpião que já existiu tinha um metro de comprimento e pinças de 16 centímetros e caçava há 415 milhões de anos, antes de existirem árvores
Reconstrução do Praearcturus gigas, com escala de 10 cm. Ilustração: Junnn11, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Imagine um escorpião do tamanho de uma mesa de centro. Ele existiu. Uma nova análise de fósseis da Inglaterra e do País de Gales concluiu que o Praearcturus gigas, um predador que viveu há cerca de 415 milhões de anos, é o maior escorpião conhecido pela ciência. O animal chegava a aproximadamente um metro de comprimento e tinha pinças com mais de 16 centímetros.

O estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Manchester e do Museu de História Natural de Londres, foi publicado na revista científica Palaeontology.

Confundido com um tatuzinho

O Praearcturus foi descrito pela primeira vez no século 19, mas na época foi interpretado como um crustáceo gigante, parecido com um tatuzinho-de-jardim. Os fósseis eram incompletos e não tinham partes importantes, como a cauda, o que tornou a identificação difícil por mais de cem anos.

A nova interpretação só foi possível quando os pesquisadores compararam os exemplares históricos com fósseis mais bem preservados, descobertos recentemente. Esses restos mais novos mostravam características típicas de escorpiões. A equipe reuniu material de várias coleções e usou técnicas de imagem modernas, como tomografia.

Segundo o paleontólogo Russell Garwood, da Universidade de Manchester, o Praearcturus intrigou os especialistas por mais de um século.

Gigante antes das florestas

O que mais surpreende é a época. O animal viveu no início do período Devoniano, quando a vida em terra firme ainda engatinhava. Pequenas plantas e fungos tinham acabado de se espalhar pelos continentes, e ainda não existiam árvores nem florestas.

Para o autor principal, Richard J. Howard, curador de artrópodes fósseis do museu londrino, quando se pensa em artrópodes gigantes, as pessoas imaginam as florestas do Carbonífero, com centopeias enormes e insetos parecidos com libélulas gigantes. O Praearcturus viveu pelo menos 50 milhões de anos antes disso.

Não foi o oxigênio

O gigantismo de insetos e outros artrópodes antigos costuma ser explicado pelo alto nível de oxigênio na atmosfera, que veio com as florestas. Mas o Praearcturus viveu antes desse aumento. Os pesquisadores sugerem outra explicação: a oportunidade ecológica. Com poucos outros predadores grandes competindo por comida, ele pode ter dominado o ambiente de um jeito que ficou impossível depois, quando os ecossistemas terrestres ficaram mais cheios.

Entre a água e a terra

Alguns fósseis preservam estruturas em forma de aba no abdômen, parecidas com as de lagostas, o que sugere que o escorpião gigante podia passar parte da vida na água. A análise do registro fóssil também mostrou que escorpiões são muito comuns em rochas dessa época, o que reforça a ideia de que alguns viviam em água doce, onde a chance de virar fóssil é maior.

Para o coautor Greg Edgecombe, do Museu de História Natural, a fronteira entre terra e mar era bem menos definida naquele tempo. O Praearcturus pode até representar uma linhagem que voltou para a água depois que ancestrais já tinham passado a viver em terra.

E os escorpiões de hoje

Os escorpiões atuais são bem menores. No Brasil, o mais perigoso, o escorpião-amarelo, tem cerca de 7 centímetros e é responsável pela maior parte dos acidentes, que passam de 100 mil por ano no país, segundo o Ministério da Saúde. Ele se adaptou bem às cidades, onde se esconde em entulho, ralos e caixas de esgoto e se alimenta de baratas.

Perguntas frequentes

Qual foi o maior escorpião da história?

O Praearcturus gigas, com cerca de um metro de comprimento, que viveu há 415 milhões de anos.

Onde foram achados os fósseis?

Na Inglaterra e no País de Gales, e estavam guardados em museus havia mais de 150 anos.

Com informações da Universidade de Manchester e do Museu de História Natural de Londres.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA