Equipe percorre 430 quilômetros no Cantão, encontra 31 ariranhas em sete grupos familiares e um indivíduo solitário

Equipe percorre 430 quilômetros no Cantão, encontra 31 ariranhas em sete grupos familiares e um indivíduo solitário
Ilustração: Revista Amazônia

Quarta campanha anual do Pró-Ariranha percorreu rios, lagos e canais do Tocantins para mapear ocorrências, tocas e sinais da espécie ameaçada

Ariranhas aparecem durante percurso por rios e lagos do Cantão

Entre rios, lagos, canais, bancos de areia e barrancos, equipes de monitoramento registraram 31 ariranhas no sul do Parque Estadual do Cantão e em áreas do entorno, no município de Pium, no Tocantins. Os animais foram identificados durante a quarta campanha do Programa de Monitoramento e Conservação das Ariranhas, conhecido como Pró-Ariranha. O trabalho de campo começou em 9 de dezembro e foi encerrado no dia 14, depois de deslocamentos terrestres e fluviais pela região. A espécie observada foi a Pteronura brasiliensis, mamífero aquático considerado ameaçado de extinção.

Os 31 indivíduos estavam distribuídos em sete grupos familiares e um indivíduo solitário. A diferença entre essas duas formas de registro é relevante para o acompanhamento da espécie, porque a ariranha costuma viver em grupos e utiliza áreas de rios e lagos para buscar alimento, descansar, deslocar-se e criar os filhotes. Durante a campanha, os observadores também procuraram sinais indiretos da presença dos animais, como vocalizações, rastros, material biológico e tocas. O conjunto de registros ajuda a indicar quais trechos permanecem utilizados e quais pontos podem ser acompanhados nas próximas etapas do programa.

Campanha percorreu quatro rios, canais e lagos

Ao longo da operação, as equipes percorreram aproximadamente 430 quilômetros por rios e lagos da região. O trajeto incluiu os rios Javaés, Javaezinho, Araguaia e Riozinho, além de canais e lagos dentro e no entorno das unidades de conservação e do Parque Nacional do Araguaia. A observação foi feita diretamente nas margens, nos bancos de areia e nos barrancos, ambientes onde ariranhas podem ser vistas ou deixar marcas de sua passagem. O planejamento correspondeu à terceira etapa de campo do programa, que realiza quatro campanhas de monitoramento por ano.

A busca não se limitou à contagem visual. Os profissionais fizeram registros fotográficos, mapearam pontos de ocorrência e localizaram áreas consideradas estratégicas para o acompanhamento contínuo da espécie. Também anotaram o nível da água, as condições climáticas e a presença de outras espécies associadas ao ambiente aquático. A interação com ribeirinhos completou o trabalho de campo. Moradores contribuíram com informações sobre avistamentos recentes e compartilharam percepções sobre a fauna dos rios e lagos. Esse conhecimento local foi incorporado à procura por animais, tocas e outros sinais usados na avaliação da ocupação da área.

Registros incluem grupos familiares e tocas ativas

A inspetora de Recursos Naturais Aline Vilarinho informou que a campanha registrou vários grupos e tocas ativas. A observação de uma toca é um dado diferente do avistamento de um animal, mas pode indicar que determinado trecho oferece condições para abrigo e reprodução. Por isso, a equipe reúne evidências visuais, biológicas e ambientais antes de organizar os resultados do monitoramento. As amostras coletadas durante a atividade incluem material biológico, microbiológico e genético, que será utilizado nas análises previstas pelo programa.

A coordenadora do Pró-Ariranha, a bióloga Samara Almeida, afirmou que a expectativa é incorporar ao menos dez novos indivíduos ao catálogo anual depois da análise dos dados. Esse número representa uma previsão de atualização do catálogo, não uma alteração imediata na contagem dos animais avistados durante a campanha. O registro de 31 ariranhas corresponde ao resultado observado no campo, enquanto a identificação individual depende da avaliação das fotografias, das amostras e das demais informações reunidas. A separação entre observação e catalogação evita que o mesmo animal seja contado novamente em diferentes momentos do acompanhamento.

Monitoramento orienta ações de conservação no Tocantins

Institucionalizado pela Portaria Naturatins nº 70/2022, o Pró-Ariranha foi criado para acompanhar a ocorrência da espécie e subsidiar ações de conservação e manejo. A quarta campanha do ano cumpriu o planejamento previsto e ainda incluiu a participação da equipe em uma reunião do recém-formado Comitê de Bacias dos rios Coco e Caiapó. O trabalho conecta a observação dos animais às condições dos ambientes aquáticos, permitindo acompanhar mudanças no nível da água, locais de abrigo, presença de outras espécies e áreas usadas pelas ariranhas.

O resultado não representa sozinho o tamanho total da população no Parque Estadual do Cantão, porque uma campanha de campo registra os animais e sinais encontrados nos trechos visitados e durante o período da atividade. Seu valor está na continuidade: quatro campanhas anuais permitem comparar ocorrências, identificar áreas recorrentes e atualizar o catálogo individual ao longo do tempo. No Cantão, cada grupo familiar observado transforma um trecho de rio, lago ou canal em ponto de referência para a conservação. A presença de 31 ariranhas também mostra como o acompanhamento sistemático pode tornar visível a relação entre a fauna aquática, as unidades de conservação e as pessoas que vivem às margens desses ambientes.

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