Onça-pintada Aracy entra no rio e o filhote Mocoha vai atrás: guia filma aula de natação no Pantanal

Onça-pintada Aracy entra no rio e o filhote Mocoha vai atrás: guia filma aula de natação no Pantanal
Onça-pintada nadando no Parque Estadual Encontro das Águas, no Pantanal. Foto: Thomas Fuhrmann, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

No Pantanal de Mato Grosso do Sul, a onça-pintada Aracy entra na água, e o filhote Mocoha vai atrás. Entre mergulhos e brincadeiras perto da mãe, o pequeno vai se acostumando com o rio. As imagens foram feitas pelo guia e fotógrafo Mário Nelson Cleto Rodrigues, do projeto Onçafari, e mostram uma etapa importante do aprendizado de uma onça.

A equipe do Onçafari monitora Aracy desde 2020 e acompanha Mocoha desde o nascimento, em 2025.

A felina que gosta de água

Segundo Rodrigues, as onças-pintadas são excelentes nadadoras e usam a água para várias atividades: atravessar rios, caçar e se refrescar. A espécie está entre os felinos com maior afinidade com ambientes aquáticos. Ao seguir a mãe, o filhote ganha familiaridade com a água, uma habilidade fundamental para viver no Pantanal.

Na maior planície alagável do mundo, nadar não é luxo. Durante a cheia, boa parte do território fica coberta de água, e as onças precisam atravessar rios, baías e corixos para patrulhar o território, caçar e chegar às áreas de descanso.

Caçadora de jacaré

A água também faz parte da estratégia de caça. No Pantanal, a dieta da onça inclui jacarés, capivaras, peixes e até sucuris. Com uma das mordidas mais fortes entre os felinos em relação ao tamanho, ela consegue perfurar o couro grosso dos jacarés e o casco de quelônios. Não é raro ver onças pulando de barrancos sobre jacarés que descansam na margem.

Dois anos com a mãe

Filhotes de onça-pintada ficam com a mãe por cerca de um ano e meio a dois anos. Nesse período, aprendem a caçar, a escolher abrigos, a evitar outros machos e a se mover pelo território. Cada mergulho registrado faz parte dessa escola. Depois, os jovens se separam e precisam encontrar um território próprio, fase em que muitos morrem.

Turismo que ajuda a conservar

O Onçafari usa o turismo de observação para conservar as onças. Ao acostumar os animais à presença de veículos, de forma controlada, o projeto permite que turistas e pesquisadores as acompanhem sem perturbá-las. A renda do turismo mostra para fazendeiros e comunidades que uma onça viva vale mais do que uma morta. Os dados coletados ajudam a entender o comportamento, a reprodução e a saúde dos animais.

Graças a esse tipo de iniciativa e à proteção legal, o Pantanal se tornou um dos melhores lugares do mundo para ver onças-pintadas na natureza.

A maior felina das Américas

A onça-pintada é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, atrás do tigre e do leão. Os machos do Pantanal estão entre os maiores da espécie e podem passar de 100 quilos. No Brasil, a espécie é classificada como vulnerável à extinção, ameaçada pela perda de habitat, pelos incêndios e pela caça em retaliação a ataques ao gado.

Perguntas frequentes

Onça-pintada sabe nadar?

Sim. É uma excelente nadadora e usa a água para atravessar rios, caçar e se refrescar.

Quanto tempo o filhote de onça fica com a mãe?

Cerca de um ano e meio a dois anos, período em que aprende a caçar e a se virar sozinho.

Com informações do projeto Onçafari.

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