Solidão pode roubar quase seis anos de vida sem doenças mentais, mostra estudo com 277 mil adultos; homens são os mais afetados

Solidão pode roubar quase seis anos de vida sem doenças mentais, mostra estudo com 277 mil adultos; homens são os mais afetados
Homem idoso sentado sozinho numa praça. Foto: jaocampoz, via Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

A solidão e o isolamento social são comuns e costumam ser tratados como problemas menores. Um novo estudo tenta medir quanto eles custam à saúde. Segundo pesquisadores da Universidade Tulane, nos Estados Unidos, os dois estão associados à perda de quase seis anos de vida livre de transtornos mentais, como depressão e ansiedade. O efeito na saúde física é menor, mas também significativo.

O trabalho foi publicado na revista científica Nature Communications.

Solidão não é isolamento

No dia a dia, as duas palavras se confundem, mas os pesquisadores as separam. O isolamento social é a falta concreta de contatos. A solidão é o sentimento de insatisfação com a qualidade das relações, não importa quantas pessoas a gente encontre. É possível estar cercado de gente e se sentir sozinho, e viver isolado sem se sentir só.

277 mil pessoas

A equipe analisou dados de 277.489 adultos de 40 a 69 anos que, no início do estudo, não tinham sete doenças crônicas importantes: diabetes, doença do coração, doença pulmonar, demência, câncer, depressão e ansiedade. A partir dos 50 anos, os pesquisadores calcularam quantos anos cada um podia esperar viver sem essas doenças.

Os anos perdidos

Em comparação com quem não vivia nem solidão nem isolamento, mulheres que tinham os dois perderam 2,4 anos livres de doenças físicas. Os homens perderam 1,7 ano.

Na saúde mental, a diferença foi maior. Mulheres com solidão e isolamento viveram cerca de 3,7 anos a menos sem transtornos mentais. Os homens, cerca de 5,8 anos a menos.

Segundo o professor Lu Qi, autor principal, os homens parecem ser mais suscetíveis aos efeitos da solidão, enquanto as mulheres costumam viver mais e têm vantagens em relação a algumas doenças.

Hábitos ajudam, mas não curam a solidão

Os pesquisadores também testaram se o estilo de vida mudava a situação. Comer melhor, fazer exercícios, dormir bem e não fumar reduziram a perda de anos saudáveis associada ao isolamento social. Com a solidão, foi diferente: os hábitos saudáveis não diminuíram de forma significativa o risco ligado ao sentimento de estar sozinho.

Isso sugere que os dois problemas pedem abordagens distintas. Para o isolamento, sair de casa, se exercitar e cuidar da saúde já ajuda. A solidão depende mais da qualidade dos vínculos, e pode exigir apoio para fortalecer relações ou ajuda profissional.

Os limites

O estudo é observacional e mostra associação, não causa. A equipe pretende estudar outros grupos de pessoas e fazer ensaios clínicos para saber se a solidão e o isolamento causam diretamente os problemas de saúde.

Um problema mundial

Nos Estados Unidos, um relatório de 2023 apontou que cerca de metade dos adultos sente solidão. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde estimou que cerca de uma em cada seis pessoas no mundo se sente sozinha e passou a tratar a conexão social como prioridade de saúde pública. No Brasil, o envelhecimento da população e o aumento de pessoas morando sozinhas tornam o tema cada vez mais importante.

Perguntas frequentes

Solidão faz mal à saúde?

O estudo associou solidão e isolamento à perda de anos de vida sem doenças físicas e mentais.

Qual a diferença entre solidão e isolamento?

Isolamento é ter poucos contatos. Solidão é sentir que as relações não são suficientes, mesmo com gente por perto.

Com informações da Universidade Tulane e do estudo publicado na Nature Communications.

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