Coral amarelo em forma de árvore, achado a 500 metros de profundidade na Costa Rica, era tão estranho que ganhou uma família nova e um nome em élfico de Tolkien

Coral amarelo em forma de árvore, achado a 500 metros de profundidade na Costa Rica, era tão estranho que ganhou uma família nova e um nome em élfico de Tolkien
Jardim de corais de profundidade com animais pendurados nos ramos, em expedição da NOAA. Foto: NOAA Photo Library, via Wikimedia Commons, domínio público.

Explorando montanhas submarinas na costa do Pacífico da Costa Rica, cientistas encontraram um coral amarelo-vivo, ramificado como uma árvore, tão diferente de tudo que já se conhecia que foi preciso criar uma família nova para classificá-lo. As colônias vivem entre 360 e 529 metros de profundidade, e algumas passam de um metro de altura. A descoberta foi publicada na revista científica de acesso aberto ZooKeys.

Árvores douradas entre estrelas

O coral foi coletado por um robô submarino em expedições de 2019 e 2023 dos navios de pesquisa do Schmidt Ocean Institute, em montes submarinos perto da Ilha do Coco e ao longo da margem do Pacífico costarriquenho.

Ele era especialmente abundante em afloramentos rochosos onde estrelas-quebradiças, parentes das estrelas-do-mar, cobriam quase toda a superfície. Contra esse fundo cintilante, os ramos amarelos pareciam árvores brilhantes cercadas de estrelas. A cena inspirou o nome.

Nome de elfo

O gênero novo se chama Laurinque, de Laurinquë, que significa árvore dourada em quenya, a língua dos elfos criada por J.R.R. Tolkien para O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. O nome da espécie, elenya, quer dizer estelar, ou das estrelas, referência às estrelas-quebradiças em volta das colônias. Para os pesquisadores, o conjunto descreve uma paisagem quase mística, élfica, no fundo do mar.

A líder do estudo, a pesquisadora Odalisca Breedy, da Universidade da Costa Rica, conta que viu o jardim de corais pela primeira vez em 2019 e ficou impressionada com a beleza da paisagem.

Genes que discordavam

Encaixar o coral na árvore da vida foi mais difícil do que o esperado. Os cientistas sequenciaram três genes normalmente usados para classificar corais, e cada um apontou para uma família diferente e não aparentada. Diante do resultado confuso, recorreram à filogenômica, que compara centenas de genes ao mesmo tempo.

A análise mostrou que a espécie não pertence a nenhuma família conhecida. É uma linhagem evolutiva distinta, mais próxima da família Eunicellidae, mas diferente o bastante para justificar a criação da família Laurinqueidae.

Jardins frágeis no escuro

Jardins de corais de profundidade como esse são considerados ecossistemas marinhos vulneráveis. Suas estruturas tridimensionais servem de abrigo para muitos outros animais do mar profundo, como estrelas-quebradiças, crustáceos e peixes. Crescem muito devagar, e por isso são especialmente sensíveis a danos causados por pesca de arrasto e mineração no fundo do mar.

O oceano que ainda não conhecemos

A descoberta se soma a várias espécies novas encontradas nos montes submarinos da Costa Rica e mostra o quanto o mar profundo, que cobre cerca de dois terços da superfície da Terra, continua pouco explorado. O Brasil também tem montes submarinos com corais de profundidade, como os da Cadeia Vitória-Trindade, onde expedições recentes descobriram grandes recifes.

Perguntas frequentes

Existe coral no fundo do mar escuro?

Sim. Corais de profundidade vivem sem luz do sol, alimentando-se de partículas trazidas pelas correntes.

O que significa Laurinque elenya?

Árvore dourada das estrelas, em quenya, língua dos elfos criada por Tolkien.

Com informações da Universidade da Costa Rica e do estudo publicado na ZooKeys.

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