Fotógrafo viaja duas semanas pela Índia, tira cerca de 30 mil fotos e vê o primeiro tigre selvagem em poucas horas de safári

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Foto: Håvard Rosenlund" fetchpriority="high" decoding="async" size

O relato de um professor norueguês mostra como a escolha do parque e a sorte se juntaram no primeiro dia de um sonho de infância.

Havia um medo rondando a cabeça de um fotógrafo de natureza ao chegar à Índia: e se, depois de tanto planejamento, o tigre simplesmente não aparecesse? A dúvida durou pouco. Na primeira manhã de safári no Parque Nacional de Bandhavgarh, no estado de Madhya Pradesh, o fotógrafo Håvard Rosenlund já estava cara a cara com uma tigresa caminhando na estrada. Ele conta a história em um relato publicado em março de 2025 em seu site, o Wildlife Vagabond, quase dois anos depois da viagem.

Um sonho que começou com a primeira palavra escrita

Rosenlund diz que a primeira palavra que escreveu na vida foi “tigre”. Ver o animal na natureza era, portanto, um desejo de infância. Ele pesquisou bastante antes de escolher o roteiro: queria a combinação certa de parques com boa fama para avistamentos, preço razoável e cerca de duas semanas de duração, para aumentar as chances.

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A escolha caiu em uma viagem oferecida no site Responsible Travel, operada por Saurabh, dono da Chinkara Journeys. Saurabh foi também o guia do grupo, e Rosenlund o descreve como profissional, bem-humorado, fotógrafo competente e apaixonado por aves.

Do aeroporto de Délhi à floresta

O fotógrafo aterrissou em Nova Délhi em 31 de março e passou duas noites em um hotel perto do aeroporto. Em 2 de abril, voou até Jabalpur. Lá, um motorista o esperava, junto com um casal inglês, Andrew e Anna, que completavam o grupo. Mais tarde se juntou a eles Tracey, da Austrália.

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A primeira hospedagem foi o TigerGarh Wildlife Resort. Ainda na tarde da chegada, uma curta saída de observação de aves, sem se afastar muito do resort, rendeu fotos de 28 espécies. Entre elas estava o cuco-gavião-comum, que o grupo aprenderia a reconhecer pelo canto. Para fechar o dia, dois chacais-dourados passaram por perto.

O primeiro dia de safári

Na manhã seguinte, veio o primeiro safári dentro de Bandhavgarh. Rosenlund conta que estava nervoso. Ele sabia, pela experiência de meses procurando leopardos na savana africana sem sucesso, o quanto a sorte pesa na observação de animais selvagens.

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O primeiro tigre apareceu logo: um macho deitado no capim alto, escondido atrás de árvores. O fotógrafo admite que não sabe se de fato o enxergou ou se só fingiu, mas outras pessoas confirmaram a presença do animal. Não era o encontro que ele sonhava, e o motorista decidiu procurar outro lugar.

Mais adiante, alguns jipes vinham devagar, como se estivessem escoltando algo. Ao dobrar uma curva, o grupo encontrou uma tigresa caminhando pela estrada. “I remember losing my breath in that moment”, escreve Rosenlund. Ele tremia ao pegar a câmera. A tigresa o encarou, saiu para o capim ao lado e passou a poucos metros do veículo.

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O motorista então acelerou até um poço de água e estacionou, dizendo: “she will come here”. Ela de fato apareceu, andou por uma elevação, desceu até a água, olhou ao redor e sumiu no capim alto. O fotógrafo diz que sentiu vontade de chorar de alegria, mas ficou mais atordoado do que qualquer coisa.

Filhotes brincando e um macho a caminho

Depois do café da manhã, o grupo reviu o primeiro macho, agora sob a vegetação do outro lado de uma clareira, observando o gado no pasto. Ainda distante, mas visível. A manhã também rendeu langures-cinzentos, macacos-rhesus, um abelharuco-verde e uma coruja da selva.

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No safári da tarde, em outra área do parque, o motorista parecia ter ouvido falar de um avistamento, pois dirigia rápido. Um javali atravessou a pista e forçou a parada, o que permitiu algumas boas fotos. Depois, o grupo chegou a um ponto cheio de carros, onde uma fêmea e dois filhotes estavam escondidos na vegetação.

De novo, o motorista escolheu estacionar perto de um poço mais à frente, mesmo com os tigres parados. Um javali e um chital, o cervo-malhado, desceram para beber água. Então os dois filhotes saíram da mata, beberam e começaram a brincar. Com a chegada de outros veículos, ficou claro que o grupo tinha a melhor vista. Rosenlund gravou um vídeo da cena.

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Cerca de uma hora depois, a mãe e os filhotes já tinham ido embora, mas corria a notícia de que um grande macho estava em movimento. O grupo esperou outra vez no poço, e o tigre não demorou a surgir da floresta.

Por que o relato demorou tanto

O atraso na publicação tem explicação prosaica. Rosenlund tirou cerca de 30 mil fotos na viagem e levou quase quatro meses editando. Depois, decidiu atualizar todo o conteúdo de viagens anteriores do site antes de contar a Índia, tudo isso conciliado com o trabalho de professor em tempo integral.

Segundo o relato de Rosenlund, publicado no Wildlife Vagabond em 16 de março de 2025, o roteiro passou por quatro parques indianos: Bandhavgarh, Kanha, Pench e Satpura. Além do TigerGarh, o grupo se hospedou em lugares como o Shergarh Tented Camp, o Pench Jungle Camp e o Reni Pani Jungle Lodge.

O que isso tem a ver com a Amazônia

A experiência lembra uma lição que vale para quem guarda sonhos de observar a fauna na Amazônia, onde onças-pintadas também são esquivas e ver uma exige paciência, bons guias e um pouco de sorte. Em Bandhavgarh, foi a leitura de comportamento do motorista, que previu onde a tigresa iria beber água, que transformou a sorte em foto. O relato mostra como o turismo de observação de animais depende de conhecimento local, uma lógica que também sustenta o ecoturismo em estados amazônicos.

Quem quiser acompanhar o que Rosenlund registrou pode consultar a página dele no iNaturalist, com as espécies observadas. Os próximos capítulos do relato, dedicados a Kanha, Pench e Satpura, devem detalhar o restante da jornada.

Com informações de Wildlife Vagabond.

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