Terra fica 3 milhões de milhas mais perto do Sol em janeiro, mas é o eixo inclinado que traz o verão ao Sul e o inverno ao Norte

Terra fica 3 milhões de milhas mais perto do Sol em janeiro, mas é o eixo inclinado que traz o verão ao Sul e o inverno ao Norte
Foto: acervo

Explicação da NASA derruba a ideia popular de que o calor vem da distância do Sol e mostra por que a Amazônia não vive as quatro estações.

Se a distância até o Sol decidisse o calor, o verão do hemisfério Norte cairia em janeiro. Acontece o contrário: é em janeiro que a Terra passa mais perto da estrela, e é em julho que ela fica mais longe. Quem explica é a NASA, que atribui as estações a outro fator, a inclinação do eixo do planeta, e não ao formato da órbita.

Segundo a NASA, o eixo inclinado da Terra faz com que, ao longo do ano, regiões diferentes recebam os raios solares de forma mais direta. É isso que produz verão, inverno e as estações intermediárias.

A ideia popular que não se sustenta

Muita gente aprende que o verão é quente porque a Terra está perto do Sol, e que o inverno é frio porque ela está longe. A lógica parece razoável, mas está errada.

A órbita terrestre não é um círculo perfeito, é levemente alongada. O ponto mais próximo do Sol se chama periélio, e o mais distante, afélio. Segundo a NASA, o periélio fica a cerca de 91,4 milhões de milhas do Sol (cerca de 147 milhões de quilômetros), e o afélio, a cerca de 94,5 milhões de milhas (cerca de 152 milhões de quilômetros).

A diferença passa de 3 milhões de milhas, mas é pequena diante da distância total. Para o clima, quase não pesa. E o calendário confirma: o afélio ocorre em julho e o periélio em janeiro, justamente quando o hemisfério Norte vive verão e inverno, respectivamente.

Como o eixo inclinado produz as estações

O eixo da Terra é uma linha imaginária que atravessa o planeta de um polo ao outro. A Terra gira em torno dele uma vez por dia, e por isso cada ponto da superfície alterna entre dia e noite.

Esse eixo não fica em pé. Ele é inclinado, como um pião que gira meio de lado. E, durante a volta anual ao redor do Sol, a inclinação aponta sempre para a mesma direção no espaço.

Pense numa lanterna sobre uma bola. Se você a aponta de frente para um ponto, o círculo de luz fica concentrado e forte. Se a inclina, a mesma luz se espalha por uma área maior e perde intensidade. Com a luz do Sol é igual: raios mais diretos aquecem mais.

Por volta de junho, o Polo Norte está inclinado na direção do Sol. O hemisfério Norte recebe mais luz e vive o verão. Por volta de dezembro, é a vez do Polo Sul se inclinar em direção ao Sol, e o Norte entra no inverno. Como os polos ficam em extremos opostos, as estações são invertidas entre os hemisférios.

De onde veio a inclinação

A explicação mais aceita para essa inclinação remonta à juventude do planeta. Segundo a NASA, acredita-se que um corpo de grande porte, chamado Theia, tenha atingido a Terra primitiva e a desequilibrado. Em vez de girar com o eixo na vertical, ela passou a girar inclinada.

O impacto abriu uma enorme cratera e lançou poeira e destroços em órbita. A maior parte dos cientistas considera que esse material, com o tempo, formou a Lua.

O que isso muda para quem vive na Amazônia

A região amazônica fica sobre a linha do Equador ou perto dela. Nessa faixa, a incidência do Sol varia pouco ao longo do ano, e por isso as quatro estações clássicas não se marcam como no Sul do Brasil ou na Europa.

O ano amazônico se divide de outro modo, em período chuvoso e período de estiagem, regidos principalmente pela circulação das chuvas. Esse ponto de contexto não consta na explicação da NASA, mas ajuda a entender por que o conceito de estação, aprendido na escola, soa diferente no Norte do país.

Já os calendários astronômicos valem para todos. Os solstícios, quando um polo atinge a inclinação máxima em direção ao Sol, ocorrem por volta de junho e dezembro, e marcam o início do inverno ou do verão conforme o hemisfério. No Brasil, abaixo do Equador, o verão começa em dezembro.

Material para professores

A NASA mantém recursos educacionais sobre o tema, em inglês. Há o guia do educador sobre as estações, uma aula interativa sobre o tema e o vídeo sobre a posição do Sol, úteis para turmas do ensino fundamental.

Os próximos marcos para observar o fenômeno na prática são os solstícios e equinócios do calendário astronômico, quando a inclinação do eixo fica mais evidente na duração dos dias.

Com informações de NASA.

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