
Servidores do ICMBio gravaram o felino durante uma tentativa de caça na Estação Ecológica Rio Acre, em Assis Brasil
A onça-pintada saiu das águas do Rio Acre e disparou pela margem em direção a um porco-do-mato. O ataque aconteceu diante de servidores que trabalhavam na Estação Ecológica Rio Acre, em Assis Brasil, no interior do Acre. O animal perseguido conseguiu escapar ao atravessar o rio, mas a cena foi registrada em vídeo e se tornou o primeiro registro conhecido de uma onça-pintada na unidade de conservação.
As imagens mostram o felino deixando o manancial e correndo atrás do porco-do-mato, enquanto os servidores acompanham a movimentação a partir de uma área mais alta. A reação do grupo também ficou gravada. “Meu Deus!! Ela vai pegar o porco? Você está filmando? Gente, não acredito nisso”, diz uma das pessoas durante a filmagem.
O encontro aconteceu perto da base da estação
A equipe estava a cerca de 150 metros da base onde parte dos servidores permanecia durante o trabalho de campo. Outra parte do grupo estava nas trilhas da estação para realizar atividades de pesquisa e coleta de dados. A proximidade permitiu que os profissionais percebessem a movimentação no rio e acompanhassem a tentativa de caça até o momento em que o porco-do-mato conseguiu atravessar para a outra margem.
A chefe da Estação Ecológica Rio Acre, Lívia Chiavegatti, explicou que o registro ocorreu durante a primeira expedição do Programa de Monitoramento da Biodiversidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Segundo ela, os servidores já faziam o acompanhamento anual da unidade e haviam fotografado onças-pardas em anos anteriores, mas nunca tinham conseguido registrar uma onça-pintada no local.
O vídeo registra uma tentativa de caça, não a captura
A sequência termina com a fuga do porco-do-mato. Mais rápido naquele momento, o animal atravessou o Rio Acre e deixou a onça-pintada na margem. O registro, portanto, mostra uma tentativa de captura durante uma perseguição curta, sem indicar que o felino tenha conseguido abater a presa. A cena reúne água, margem e mata em uma situação observada diretamente pelos servidores.
O comportamento filmado também ajuda a compreender o tipo de encontro que pode ocorrer em uma unidade de conservação protegida. A onça-pintada utilizou a margem do rio para avançar sobre o porco-do-mato, enquanto a presa aproveitou a travessia para se afastar. O vídeo não mostra toda a aproximação entre os animais, mas documenta o instante em que a perseguição se torna visível para a equipe do ICMBio.
Foi o primeiro registro da onça-pintada na unidade
A confirmação de que aquele era o primeiro registro da espécie na Estação Ecológica Rio Acre partiu da chefia da unidade. A área já tinha histórico de observações de onças-pardas. Em maio de 2024, uma onça-parda, identificada cientificamente como Puma concolor, havia sido flagrada na estação. A aparição registrada em 2026 acrescentou a onça-pintada à lista de grandes felinos observados no território.
A onça-pintada é a segunda maior espécie de felino do Brasil. No vídeo do Acre, sua identificação está associada à própria observação feita pelos servidores durante a atividade de monitoramento. O episódio ganhou relevância não apenas pela perseguição ao porco-do-mato, mas porque documentou pela primeira vez a presença da espécie dentro da unidade, em um ponto próximo à estrutura usada pela equipe durante o trabalho de campo.
Pesquisadores estavam na floresta quando a cena aconteceu
No período do registro, a Estação Ecológica Rio Acre recebia pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A equipe havia chegado ao estado por meio de uma parceria entre a UFRJ e a Universidade Federal do Acre para desenvolver pesquisa de campo ligada à pós-graduação em ecologia. Parte dos participantes estava nas trilhas, enquanto os servidores que permaneceram na base avistaram a onça-pintada perto do rio.
A pesquisadora Camila dos Santos de Barros estava entre as pessoas que acompanharam a caçada. Ela contou que ficou tremendo da cabeça aos pés e afirmou que, em mais de vinte anos de trabalho de campo, nunca tinha tido a oportunidade de avistar uma onça-pintada. A observação também marcou sua primeira estadia no Acre. Para ela, o contato com a floresta incluiu o conhecimento dos moradores e a relação cotidiana da população acreana com o ambiente.
O monitoramento transformou um avistamento em registro científico
O encontro não aconteceu durante uma visita turística ou uma observação planejada exclusivamente para encontrar o felino. Ele foi captado no curso de atividades regulares de pesquisa e monitoramento da biodiversidade. Essa diferença é importante porque o registro integra uma rotina de acompanhamento da unidade, com servidores e pesquisadores distribuídos entre as trilhas e a base de apoio.
De acordo com Lívia Chiavegatti, a equipe realiza o monitoramento da Estação Ecológica Rio Acre todos os anos. Os registros fotográficos anteriores de onças-pardas já indicavam a presença de grandes felinos na área. A filmagem da onça-pintada, porém, acrescentou uma situação de comportamento observável, com o animal saindo do rio e perseguindo um porco-do-mato diante dos profissionais.
A presença do felino reforça o papel da estação como refúgio
Para a chefe da unidade, a aparição da onça-pintada é um indicativo positivo da preservação do território. Ela afirmou que a frequência de avistamentos é considerada um bom sinal de que a estação funciona como refúgio seguro para animais silvestres. A declaração se refere à função de proteção exercida pela unidade e ao trabalho de monitoramento realizado por seus servidores.
O registro não permite medir, sozinho, o tamanho da população de onças-pintadas no local nem estabelecer a frequência com que a espécie utiliza aquele trecho do Rio Acre. Ele mostra, contudo, que a espécie esteve presente na área e que uma tentativa de caça pôde ser documentada durante uma atividade de campo. Em uma floresta onde grande parte dos encontros permanece fora do alcance das câmeras, o vídeo transforma poucos segundos de margem e água em uma evidência concreta de vida protegida.
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