
Registros feitos em dezembro mostram a fêmea acompanhada por novas crias no Parque Nacional do Iguaçu, um dos refúgios da espécie na Mata Atlântica.
Janaína surge na mata acompanhada pelas novas crias
Uma onça-pintada caminha pela floresta do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, seguida de perto por filhotes que ainda dependem da mãe. A cena foi registrada por armadilhas fotográficas em dezembro de 2025 e revelou a presença de uma nova ninhada de Janaína, fêmea monitorada pelo Projeto Onças do Iguaçu desde 2018. Pelas imagens, os pesquisadores estimam que as crias tinham entre quatro e cinco meses de vida. O sexo dos filhotes não foi identificado nos registros.
O acompanhamento transformou Janaína em um dos animais mais conhecidos do monitoramento realizado na unidade de conservação. Ao longo de sete anos, ela teve cinco filhotes, o maior número registrado entre as fêmeas monitoradas pelo projeto no Parque Nacional do Iguaçu. A nova aparição é considerada uma notícia positiva para a conservação da espécie porque mostra uma fêmea se reproduzindo em uma área onde ainda existe floresta contínua e disponibilidade de presas. A presença dos filhotes também oferece aos pesquisadores mais informações sobre a ocupação do território pelas onças-pintadas.
O registro representa uma sequência acompanhada desde 2018
Janaína passou a ser monitorada em 2018, quando o projeto instalou armadilhas fotográficas em pontos estratégicos do parque. Esses equipamentos registram os animais sem a necessidade de acompanhamento humano permanente e permitem reconhecer indivíduos por características do padrão de manchas da pelagem. Com a repetição das imagens ao longo do tempo, os pesquisadores conseguem acompanhar deslocamentos, relações familiares e eventos reprodutivos.
A sequência de registros permitiu identificar que Janaína chegou ao quinto filhote em sete anos. As imagens mais recentes mostram a fêmea conduzindo as crias pela mata, comportamento compatível com o período em que os jovens ainda permanecem próximos da mãe. O acompanhamento, no entanto, não transforma cada fotografia em uma avaliação completa da ninhada. As imagens serviram para estimar a idade dos filhotes, mas não permitiram identificar o sexo. Ainda assim, o conjunto de registros estabelece um marco dentro do monitoramento feito no parque e amplia o conhecimento sobre a reprodução da onça-pintada na região.
Filhotes dependem de floresta contínua e presas disponíveis
A onça-pintada é o maior predador das Américas e precisa de grandes territórios para encontrar alimento, circular e se reproduzir. Na Mata Atlântica, essa exigência se tornou mais difícil de atender depois de séculos de desmatamento e fragmentação. Menos de um quinto do bioma permanece em pé, e a espécie é classificada como Criticamente Em Perigo de extinção. Por isso, o nascimento e a sobrevivência de filhotes em uma área protegida têm relação direta com a qualidade do ambiente onde a fêmea vive.
O Parque Nacional do Iguaçu conserva 185 mil hectares de floresta no interior do Paraná. Do lado argentino, o parque vizinho amplia esse espaço e forma um contínuo florestal de cerca de 244 mil hectares entre os dois países. A conexão entre as áreas oferece uma base territorial importante para uma espécie que não se limita às fronteiras administrativas. “Para nós é sempre uma alegria o registro de filhotes. É sempre uma indicação de que a mata está bem, está inteira, comportando bem essa população de onças-pintadas”, afirmou Yara Barros, coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu.
O corredor entre Brasil e Argentina abriga pelo menos 84 onças
O último censo realizado conjuntamente nos lados brasileiro e argentino, em 2024, identificou pelo menos 84 onças-pintadas no corredor de Mata Atlântica que inclui os dois parques. O número ajuda a dimensionar a população conhecida em uma paisagem compartilhada, mas não elimina os riscos enfrentados pelo felino. A perda e a fragmentação de habitat continuam entre as principais ameaças, porque reduzem o espaço disponível e podem separar áreas usadas pelos animais.
A caça ilegal também permanece como ameaça, inclusive em regiões protegidas. Nesse cenário, o caso de Janaína reúne reprodução, monitoramento e conservação em uma mesma sequência de acontecimentos. O Projeto Onças do Iguaçu é desenvolvido pelo Instituto Pró Carnívoros e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, por meio do Parque Nacional do Iguaçu e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros. A divulgação do novo registro ocorreu em 19 de janeiro de 2026. Cada filhote visto na floresta não resolve sozinho os problemas da espécie, mas mostra o que pode permanecer vivo quando território, alimento e proteção continuam conectados.
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