
Rastros em arenitos da Formação Serra do Tucano mostram que dinossauros carnívoros e herbívoros passaram pelo norte de Roraima no Cretáceo Inferior.
O que o artigo descreve
Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) descreveram as primeiras pegadas atribuídas a dinossauros na Formação Serra do Tucano, na bacia do Tacutu, em Roraima. O trabalho foi publicado na revista Cretaceous Research (volume 183, julho de 2026) e é assinado por L. S. Barros, V. Souza, C. E. L. Vieira, G. S. Zaranza e F. L. Pinheiro.
Segundo o resumo do artigo, são as primeiras ocorrências verificáveis de icnofósseis de dinossauros na bacia do Tacutu. Icnofóssil é o vestígio da atividade de um animal preservado na rocha, como uma pegada. O estudo reúne rastros em pelo menos dez sítios, e o chamado sítio Cascavel concentra a maior densidade e diversidade, com várias dezenas de marcas.
Que dinossauros deixaram as marcas
A equipe identificou quatro morfotipos associados a dinossauros ornitísquios, um grupo de herbívoros, e pelo menos três de terópodes, os carnívoros de duas patas. Uma pegada grande de terópode pode indicar a presença de dromeossaurídeos de grande porte na América do Sul no Cretáceo Inferior. Os dromeossaurídeos são o grupo de dinossauros ao qual pertencem os velociraptores.
Os autores não atribuem as marcas a espécies. A maior parte das pegadas não formou trilhas, o que dificulta dar nomes científicos precisos, e muitas ficam camufladas pela cor escura e pelo aspecto concrecionário de rochas ricas em ferro, muito alteradas pelo clima tropical.
A idade e o ambiente das rochas
De acordo com o artigo, as pegadas estão em arenitos e conglomerados que provavelmente se depositaram nos andares Barremiano e Albiano, intervalo do Cretáceo Inferior que vai de cerca de 126 a 100 milhões de anos atrás, em um ambiente predominantemente continental. Os autores descrevem o vale rifte do Tacutu como um ambiente favorável a grandes vertebrados.
Por que o achado importa
O resumo lembra que, na América do Sul, os registros de dinossauros são particularmente raros na região amazônica, principalmente por causa do intemperismo e da erosão e da dificuldade de acesso a locais potencialmente produtivos. Os registros de dinossauros mais próximos, no norte da América do Sul, estão em geral associados à região andina.
Por isso, o artigo apresenta as pegadas como uma primeira visão da fauna de dinossauros do Cretáceo na Amazônia central, e não como o primeiro registro de dinossauros da Amazônia. A reportagem sobre por que a Amazônia tem tão poucos fósseis de dinossauros explica o que já se conhecia antes.
O que vem a seguir
Os autores descrevem o trabalho como o primeiro passo para pesquisas com vertebrados na bacia do Tacutu. Eles defendem que até rochas muito afetadas pelo intemperismo em ambientes tropicais ainda podem guardar icnofósseis identificáveis, e a maioria dos sítios examinados mostra marcas apesar do desgaste.
Com informações da Universidade Federal de Roraima, da Universidade Federal do Pampa e da revista Cretaceous Research (DOI 10.1016/j.cretres.2026.106335).
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