Pesquisadores descrevem as primeiras pegadas de dinossauros da bacia do Tacutu, em Roraima

Após 14 anos, pesquisadores confirmam pegadas de dinossauros com mais de 110 milhões de anos em Roraima, primeiro registro na Amazônia
Ilustração: Revista Amazônia

Rastros em arenitos da Formação Serra do Tucano mostram que dinossauros carnívoros e herbívoros passaram pelo norte de Roraima no Cretáceo Inferior.

O que o artigo descreve

Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) descreveram as primeiras pegadas atribuídas a dinossauros na Formação Serra do Tucano, na bacia do Tacutu, em Roraima. O trabalho foi publicado na revista Cretaceous Research (volume 183, julho de 2026) e é assinado por L. S. Barros, V. Souza, C. E. L. Vieira, G. S. Zaranza e F. L. Pinheiro.

Segundo o resumo do artigo, são as primeiras ocorrências verificáveis de icnofósseis de dinossauros na bacia do Tacutu. Icnofóssil é o vestígio da atividade de um animal preservado na rocha, como uma pegada. O estudo reúne rastros em pelo menos dez sítios, e o chamado sítio Cascavel concentra a maior densidade e diversidade, com várias dezenas de marcas.

Que dinossauros deixaram as marcas

A equipe identificou quatro morfotipos associados a dinossauros ornitísquios, um grupo de herbívoros, e pelo menos três de terópodes, os carnívoros de duas patas. Uma pegada grande de terópode pode indicar a presença de dromeossaurídeos de grande porte na América do Sul no Cretáceo Inferior. Os dromeossaurídeos são o grupo de dinossauros ao qual pertencem os velociraptores.

Os autores não atribuem as marcas a espécies. A maior parte das pegadas não formou trilhas, o que dificulta dar nomes científicos precisos, e muitas ficam camufladas pela cor escura e pelo aspecto concrecionário de rochas ricas em ferro, muito alteradas pelo clima tropical.

A idade e o ambiente das rochas

De acordo com o artigo, as pegadas estão em arenitos e conglomerados que provavelmente se depositaram nos andares Barremiano e Albiano, intervalo do Cretáceo Inferior que vai de cerca de 126 a 100 milhões de anos atrás, em um ambiente predominantemente continental. Os autores descrevem o vale rifte do Tacutu como um ambiente favorável a grandes vertebrados.

Por que o achado importa

O resumo lembra que, na América do Sul, os registros de dinossauros são particularmente raros na região amazônica, principalmente por causa do intemperismo e da erosão e da dificuldade de acesso a locais potencialmente produtivos. Os registros de dinossauros mais próximos, no norte da América do Sul, estão em geral associados à região andina.

Por isso, o artigo apresenta as pegadas como uma primeira visão da fauna de dinossauros do Cretáceo na Amazônia central, e não como o primeiro registro de dinossauros da Amazônia. A reportagem sobre por que a Amazônia tem tão poucos fósseis de dinossauros explica o que já se conhecia antes.

O que vem a seguir

Os autores descrevem o trabalho como o primeiro passo para pesquisas com vertebrados na bacia do Tacutu. Eles defendem que até rochas muito afetadas pelo intemperismo em ambientes tropicais ainda podem guardar icnofósseis identificáveis, e a maioria dos sítios examinados mostra marcas apesar do desgaste.

Com informações da Universidade Federal de Roraima, da Universidade Federal do Pampa e da revista Cretaceous Research (DOI 10.1016/j.cretres.2026.106335).

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