Pescador encontra sucuri de três metros sem cabeça e cauda e vê rastros de onça a cinco metros em Roraima

Pescador encontra sucuri de três metros sem cabeça e cauda e vê rastros de onça a cinco metros em Roraima
Ilustração: Revista Amazônia

Animal foi localizado em decomposição durante uma trilha até um lago de pesca esportiva na região do rio Baraúna, em Caracaraí

O cheiro levou o grupo até a sucuri

Um cheiro forte interrompeu a trilha de um grupo que carregava caiaques para chegar a um lago de pesca esportiva no sul de Roraima. Depois de percorrer cerca de 50 metros procurando a origem do odor, o pescador esportivo Marcell Reis, de 34 anos, encontrou uma sucuri de aproximadamente três metros em meio à vegetação. O animal estava em estado de decomposição e sem a cabeça e a cauda. O encontro ocorreu em 15 de agosto, na região do rio Baraúna, em Caracaraí, município localizado no sul do estado. Marcell estava acompanhado de outras três pessoas quando percebeu os restos da serpente durante a caminhada. Próximo ao local, ele também observou rastros de onça, a cerca de cinco metros da sucuri. O registro em vídeo foi publicado nas redes sociais e alcançou mais de 700 mil visualizações.

Segundo o relato de Marcell, os rastros já haviam sido percebidos durante a trilha e deixado a equipe atenta para evitar contato com o felino. A presença das pegadas ganhou outro significado quando o grupo encontrou a cobra morta, com partes do corpo ausentes. O pescador afirmou que havia sinais de que a onça teria comido a cabeça e a cauda da sucuri. A proximidade entre os vestígios e o animal chamou a atenção, mas o registro descrito é uma observação feita no local, não uma comprovação direta da interação. A cena foi encontrada quando a serpente já estava em decomposição, condição que altera os tecidos e dificulta a leitura dos sinais deixados no corpo. Ainda assim, o episódio reúne dois elementos concretos da paisagem visitada pelo grupo: uma grande serpente amazônica e marcas recentes de um dos principais predadores terrestres da região.

Trilha até o lago terminou em uma observação incomum

O grupo havia saído para uma atividade de pesca esportiva e transportava os caiaques pela trilha até o lago. A caminhada seguia normalmente quando os participantes identificaram vários rastros de onça. Marcell contou que a equipe passou a tomar cuidado para evitar qualquer contato com o animal. Mais adiante, o odor fez o pescador parar e investigar a vegetação. Foi nesse momento que os restos da sucuri apareceram. A serpente tinha aproximadamente três metros de comprimento, medida estimada pelo grupo, e estava parcialmente consumida ou sem partes do corpo. A data do encontro foi 15 de agosto de 2026. A divulgação do caso ocorreu em 30 de agosto, depois que as imagens foram compartilhadas nas redes sociais. O vídeo ampliou o alcance do relato, mas a principal informação permanece ligada ao local da observação: a região do rio Baraúna, em Caracaraí, onde a trilha dava acesso ao lago usado na pescaria.

A sucuri pertence ao grupo das maiores serpentes do mundo e é nativa da América do Sul, com ocorrência especialmente associada às regiões tropicais da Amazônia e do Pantanal. Ela não possui peçonha. Para capturar suas presas, utiliza o corpo musculoso, envolve o animal e exerce compressão até provocar a asfixia. Esse mecanismo ajuda a explicar por que a serpente pode capturar presas de diferentes tamanhos, mas não explica, por si só, o que aconteceu com o indivíduo encontrado em Roraima. A ausência da cabeça e da cauda, somada aos rastros próximos, foi interpretada por Marcell como sinal de consumo por uma onça. O estado de decomposição e a falta de observação direta impedem transformar essa interpretação em uma descrição comprovada da cena. A consequência visual registrada, porém, é clara: uma sucuri de cerca de três metros foi encontrada parcialmente sem o corpo e próxima de marcas atribuídas a uma onça.

Rastros próximos não encerram a explicação

Na natureza, a presença de pegadas ao lado de um animal morto pode indicar proximidade temporal ou espacial, mas não identifica sozinha o que ocorreu. No caso de Caracaraí, as marcas estavam a aproximadamente cinco metros do local onde os restos foram achados. Marcell relatou que elas pertenciam a uma onça e que havia sinais de que o felino havia comido as partes ausentes da serpente. Como ninguém do grupo presenciou a interação, a sequência precisa não foi registrada. A carcaça também já estava em decomposição quando foi localizada, o que dificulta separar marcas deixadas por um predador de alterações posteriores no corpo. O relato permite afirmar que houve uma sucuri morta, que parte dela não estava presente e que rastros de onça foram observados nas proximidades. A ligação entre esses elementos permanece baseada na avaliação feita no momento da descoberta e no depoimento do pescador.

Esse cuidado não diminui o interesse biológico do encontro. A onça e a sucuri ocupam o mesmo grande território sul-americano e podem circular por ambientes próximos a rios, lagos e áreas de vegetação. A sucuri depende do corpo para conter presas, enquanto a onça combina força, dentes e capacidade de deslocamento para explorar diferentes fontes de alimento. A observação em Roraima mostra uma paisagem onde os sinais de animais podem aparecer lado a lado, sem que a presença de um deles revele automaticamente toda a história. Também reforça a importância de não se aproximar de rastros ou animais silvestres durante trilhas. O grupo percebeu as pegadas antes de encontrar a cobra e adotou cautela. A prudência foi a resposta mais segura diante de um felino que não havia sido visto diretamente, mas que podia estar circulando pela área.

Roraima já havia revelado outro registro ao pescador

A sucuri não foi o único achado feito por Marcell em excursões pelo sul de Roraima. Em fevereiro de 2026, ele encontrou ao menos 30 desenhos rupestres gravados em pedras no município de Caroebe, também na região sul do estado. Um especialista ouvido pelo g1 avaliou que os registros poderiam ter até 3 mil anos antes de Cristo. São ocorrências de naturezas diferentes, mas ambas mostram como uma atividade de campo pode levar a sinais que não aparecem em uma passagem rápida pela paisagem. Na trilha do rio Baraúna, a atenção começou com o cheiro e terminou diante de uma serpente em decomposição. Em Caroebe, a observação levou a marcas gravadas na pedra. Os dois episódios também aproximam a experiência de quem percorre o território dos vestígios deixados por animais e por populações humanas em momentos distintos.

O encontro havia acontecido 15 dias antes, em 15 de agosto, durante a trilha na região do rio Baraúna. A história termina sem uma cena de ataque, mas com uma imagem suficiente para lembrar que a floresta não se apresenta apenas pelos animais vistos diretamente. Pegadas, odores, restos e marcas antigas também compõem a leitura de um lugar. Para quem atravessa esses ambientes, observar sem interferir e manter distância dos sinais de fauna é uma forma de reconhecer que cada trilha guarda acontecimentos que nem sempre podem ser reconstruídos por inteiro.

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