
Tartarugas marinhas são conhecidas por viagens extraordinárias. Elas se orientam pelo campo magnético da Terra, pelo Sol e pelas correntes, cruzam oceanos atrás de comida e depois voltam às praias onde nasceram para se reproduzir. Por isso, uma população de Galápagos surpreendeu os pesquisadores: em vez de viajar, as tartarugas ficaram perto de casa.
O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Amphibian and Reptile Science.
Duas formas no mesmo mar
A tartaruga-verde é diferente das outras seis espécies de tartarugas marinhas porque os adultos são praticamente vegetarianos, comendo capim marinho e algas. Existem duas formas geneticamente distintas no Pacífico. A forma amarela vive em áreas tropicais e subtropicais do Pacífico ocidental. A forma negra ocorre no Pacífico oriental, a oeste das Américas.
Galápagos é o único lugar conhecido onde as duas formas dividem as mesmas águas e comem o mesmo tipo de vegetação. Mesmo assim, elas não são iguais: as jovens da forma amarela crescem mais rápido.
Rastreadas por satélite
Em 2015, a equipe capturou nove adultos da forma amarela, sete machos e duas fêmeas, em águas rasas perto de quatro ilhas. Cada tartaruga ganhou um apelido e um transmissor que mandava a localização para a rede de satélites Argos. Elas foram seguidas por até 418 dias.
Segundo o professor John W. Rowe, do Alma College, nos Estados Unidos, a expectativa era que elas migrassem para praias distantes no Pacífico ocidental para se reproduzir. Mas nenhuma das tartarugas marcadas sequer saiu da Reserva Marinha de Galápagos, que tem 198 mil quilômetros quadrados.
Caseiras
As tartarugas preferiram águas rasas perto da costa. Algumas chegaram a 25 quilômetros da praia, mas a maioria ficou bem mais perto. Cinco das nove passaram a maior parte do tempo perto de uma única ilha. Bernardo e Sara circularam entre Isabela e San Cristóbal, e Leandro entre Isabela e Española. A mais aventureira foi Ainoa, que passou por San Cristóbal, Santa Cruz e Isabela.
As trocas de ilha só aconteceram na estação mais fria, de abril a outubro. Em média, cada tartaruga usou uma área de cerca de 1.500 quilômetros quadrados.
Um dia elas vão embora
Os pesquisadores lembram que o estudo pega só um pedaço da vida desses animais. Como as fêmeas da forma amarela não desovam em Galápagos, o coautor Juan Pablo Muñoz Pérez, da Universidade San Francisco de Quito, no Equador, acredita que elas um dia vão deixar a região para voltar às praias de origem. Algumas fêmeas da forma negra desovam no arquipélago.
Para a conservação, o recado é que proteger um único ponto de alimentação não basta. Como cada tartaruga usa águas de várias ilhas, o habitat precisa ser mantido em bom estado em todo o arquipélago.
Tartarugas-verdes no Brasil
A tartaruga-verde também vive no litoral brasileiro. As principais áreas de desova no país ficam em ilhas oceânicas, como Trindade, Fernando de Noronha e o Atol das Rocas, e os jovens se alimentam em costões e recifes de quase todo o litoral. A espécie é acompanhada há décadas pelo Projeto Tamar.
Perguntas frequentes
Tartaruga-verde é vegetariana?
Os adultos comem principalmente capim marinho e algas. Os jovens comem plantas e animais.
Por que as tartarugas voltam à praia onde nasceram?
Elas usam pistas como o campo magnético da Terra para reencontrar a região de origem na hora de desovar.
Com informações do estudo publicado na Frontiers in Amphibian and Reptile Science.
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