
Registro feito em Jaci-Paraná mostra o felino examinando o equipamento usado para observar animais perto de um lago de pesca.
Na gravação, a onça-pintada se aproxima até ocupar quase todo o enquadramento, examina o equipamento e morde o recipiente que o protege da chuva. O animal aparece em uma câmera instalada por um pescador perto de um lago usado durante suas pescarias, em uma área de vegetação próxima a fazendas no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho, Rondônia. O vídeo foi divulgado em 5 de abril de 2026 e mostra o felino interagindo diretamente com um objeto deixado no caminho.
O responsável pelo registro é o pescador Fábio Baca, que utilizava a câmera para observar os animais que circulavam pelo local. A presença da onça-pintada não havia sido percebida durante a instalação nem na retirada do equipamento. A confirmação veio somente depois, quando ele assistiu às imagens em casa e identificou o momento em que o animal encontrou a câmera. A cena também chamou atenção porque o equipamento estava escondido dentro de um pote de sorvete, usado como proteção contra a água da chuva. O recipiente acabou marcado por arranhões e mordidas.
O pote apareceu danificado quando o pescador voltou
Antes de assistir ao vídeo, Fábio havia notado que havia algo diferente no material deixado na trilha. O pote que abrigava a câmera estava mordido e apresentava marcas de unhas. A princípio, porém, ele não tinha percebido que o dano estava ligado à passagem de uma onça-pintada. O equipamento continuou registrando a movimentação, e a resposta apareceu apenas depois, na sequência de imagens armazenadas.
“Quando fui buscar, o potinho da câmera estava mordido, mas eu não tinha percebido na hora”, contou Fábio. Ao rever o conteúdo, ele viu que a onça havia se aproximado, mexido no conjunto e mordido a câmera protegida pelo pote. As marcas de dentes e de unhas no plástico funcionaram como uma evidência física da interação, enquanto o vídeo registrou o comportamento do animal diante daquele objeto instalado no ambiente.
O felino investigou um objeto deixado no caminho da pescaria
Na avaliação do pescador, a onça provavelmente sentiu o cheiro do equipamento e se aproximou por curiosidade diante de algo diferente em seu território. A gravação não mostra uma captura, uma disputa com outro animal ou uma ação de alimentação. O que aparece é uma investigação próxima, com contato físico suficiente para deixar marcas no pote e na câmera. O episódio oferece um registro direto de como um animal pode reagir a um objeto estranho colocado em uma área de circulação.
O equipamento havia sido instalado para acompanhar a fauna nas proximidades do lago, e não especificamente para procurar uma onça-pintada. A surpresa de Fábio aumentou porque o fragmento florestal é pequeno e fica perto de propriedades rurais. O local, portanto, não corresponde à imagem de uma área completamente isolada. Mesmo assim, uma onça-pintada passou pela trilha, encontrou a câmera e deixou sua presença registrada em um espaço que o pescador não esperava associar ao felino.
A segunda onça registrada pelo pescador na mesma região
O vídeo não foi o primeiro encontro de Fábio com um grande felino por meio de câmeras. Antes, ele já havia registrado uma onça-parda na mesma região, também demonstrando incômodo ou interesse diante do equipamento. A nova gravação trouxe uma onça-pintada, espécie diferente, no mesmo tipo de monitoramento. Para o pescador, a sequência transformou uma tentativa de observar animais perto do lago em uma forma de acompanhar a presença de dois felinos na paisagem.
Fábio disse que aquela era a terceira vez que instalava a câmera no local e que essa foi a segunda onça registrada por ele. Também relatou que conhece pessoas que mantêm mais de dez câmeras em funcionamento durante anos sem conseguir uma imagem semelhante de uma onça. O dado ajuda a dimensionar a raridade do registro para quem realiza esse tipo de observação, embora não permita calcular a quantidade de animais que circulam pela área ou a frequência das visitas ao equipamento.
O retorno ao local terminou com um aviso ouvido na mata
Depois da gravação, Fábio continuou frequentando a área e voltou a instalar a câmera no mesmo ponto. Na tentativa seguinte, não conseguiu registrar novamente a onça-pintada. A presença do animal, contudo, voltou a ser percebida de outra maneira. Quando ele e um amigo foram retirar o equipamento, ouviram a onça esturrando. Os dois recolheram a câmera e deixaram o local, encerrando a atividade naquele momento.
O episódio reúne uma ação cotidiana, a instalação de uma câmera dentro de um pote, e uma resposta que só se tornou clara depois da revisão das imagens. A floresta próxima ao lago não precisou parecer remota para abrigar a passagem de uma onça-pintada. Em paisagens fragmentadas, cada registro depende do ponto escolhido, do tempo de permanência do equipamento e da chance de o animal cruzar exatamente aquele caminho. A cena lembra que a vida selvagem pode permanecer presente mesmo onde a paisagem humana já parece dominar a vista.
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